Damian e eu passamos a noite inteira dormindo abraçados. Acordei com o coração aos pulos devido ao susto que Dario nos deu ao entrar gritando. A vergonha me atingiu em cheio, mas quando meus olhos encontraram Damian desfilando nu pelo quarto — com sua virilidade ainda evidente —, uma vontade avassaladora de repetir tudo o que fizemos me dominou.
Sem pensar muito, movida pelo impulso e pelo desejo, pedi para que Dario ficasse comigo. Notei sua relutância, mas antes que ele pudesse me dar uma resposta, Gael o convocou pelo elo mental; Dylan não estava bem.
Embora eu não soubesse o que estava acontecendo, a preocupação me apertou o peito. Tentei ir atrás deles, mas Damian me impediu, alegando que era melhor eu ficar. Notei a troca de olhares cúmplices entre os dois e soube, no mesmo instante, que o assunto envolvia Stella. Suspirei, decidindo não me aprofundar naquilo. Eu não queria sofrer outra vez.
Terminei de me arrumar e desci as escadas à procura de Dario. Como não o encontrei em lugar algum, resolvi ir até o escritório. Bati na porta e entrei, esperando encontrar o irmão do meio, mas a cena que me deparou foi desoladora. O escritório estava em ruínas, e Dylan estava jogado no chão, mergulhado no álcool.
— Dylan, o que houve com você? — perguntei, aproximando-me com cautela. Ele me encarou por alguns segundos antes de desviar o olhar, amargo. — Venha, deixe-me ajudar você a se levantar.
Segurei seu braço, tentando puxá-lo.
— Por que você ainda me ajuda, Anika? Depois de tudo o que eu fiz... — ele perguntou, a voz arrastada, sem fazer menção de sair do chão.
— Porque eu não consigo odiar você — respondi com sinceridade.
Consegui erguê-lo, passando o braço dele sobre meus ombros para que ele se apoiasse. Com esforço, levei-o até seu quarto e o ajudei a se deitar.
— Tente descansar um pouco — falei, virando-me para sair, mas senti sua mão segurar meu pulso com urgência.
— Você me ama, Anika?
Parei, olhando para o homem que um dia foi todo o meu mundo.
— Eu te amo, Dylan. Mas escolhi parar de lutar por esse amor para não sofrer mais.
— Desculpe... eu não consegui te amar como você realmente merece.
— Tudo bem. Eu entendo que, às vezes, não escolhemos quem o nosso coração decide amar.
— Eu sinto muito... — ele murmurou, as pálpebras pesando até que o sono o vencesse.
Cobri-o com o edredom e saí do quarto, sentindo um peso sendo retirado das minhas costas. Fiz um elo mental com Dario, que informou estar na academia da mansão. Pedi a uma das servas que me mostrasse o caminho.
— Pronta para o seu primeiro treino? — Dario perguntou assim que entrei no recinto.
— Mais do que pronta. Estou ansiosa.
— Então suba na esteira. Trinta minutos para começar — ordenou ele, enquanto retirava a camisa.
A visão do seu corpo totalmente esculpido, os músculos definidos brilhando sob a luz, fez minha garganta secar. Liguei o aparelho e tentei focar na corrida, mas meus olhos traíam minha vontade, buscando o corpo dele a cada cinco segundos. Eu tentava disfarçar, mas era inegável: apenas a presença de Dario ali já estava me afetando profundamente.