Pedro
Eu não queria parecer um caipira deslumbrado com a cidade grande, mas, bem, era exatamente o que eu era. P0rra. Nova York era incrível e eu ainda nem tinha conhecido nada direito. Tudo o que eu vi foi o caminho da minha casa para a faculdade. Por falar em faculdade, o lugar era surreal. Tinham tantas pessoas, tantas histórias. Eu estava empolgado demais para conhecer tudo.
Tirei foto de um prédio grande, a placa dizia "comunicação". Era o prédio onde estudava o pessoal dessa área. Briana, eu acho, fazia jornalismo então devia estar por ali. O prédio era bonito, colorido. Enviei a foto para Elisa.
Eu:
prédio de comunicação. Tem tantas cores, esse pessoal é criativo.
Elisa
Mais uma foto para a minha coleção de Nova York. Gostei. É bonito.
Eu:
Estou te perturbando com as fotos? Desculpa, é que eu tô tão empolgado.
Elisa;
Eu gosto da sua empolgação, amor. E as fotos me fazem sentir próxima de você. Não pare de mandar ou eu ficaria chateada.
Sorri. Tirei foto de uma flor amarela que estava no meu caminho e mandei.
Eu:
Isso me fez pensar em você. Sinto sua falta
Elisa:
Eu sinto ainda mais! m*l posse esperar pela nossa chamada de vídeo mais tarde
Eu também. Comecei a digitar a minha resposta, que eu estava louco para olhar o seu rostinho, mas um vulto passou correndo por mim apressadamente e chamou a minha atenção. Reconheci aquele cabelo, e, honestamente, a bund4. Porque eu não quis olhar para a b***a dela, mas aquela calça jeans se moldava a ela como uma segunda pele. De qualquer forma, eu me convenci a não dar uma segunda olhada de manhã, mas ainda sabia que era Briana. Titubiei por alguns segundos, mas decidi a seguir porque me pareceu que ela estava fugindo de alguma coisa.
guardei o celular no bolso e sai para a encontrar. Perdi Briana de vista por um momento, mas um flash do seu cabelo chamou a minha atenção. Ela estava indo para um beco, entre dois prédios abandonados. Pelo que eu ouvi era para ser uma nova construção para os alunos de engenharias, mas um acidente durante as obras fez com que a construção parasse. Ouvi boatos sobre o lugar ser m*l assombrado. Tenho certeza que ninguém acredita mesmo nisso, mas a história é forte por aqui
Eu fui atrás e a achei sentada no chão, de costas contra a parede. Ela estava com as pernas dobradas e as abraçava. Seus olhos estavam perdidos na parede à frente.
Hesitei, sem saber bem como me aproximar, parecia que ela estava num momento particular. Mas ... dei um passo a frente e pigarreei. Briana não ouviu então fiz de novo e mais alto
Ela olhou para mim e então suspirou
- O que tá fazendo aqui?
- Ahn... eu vi você correndo e... você tá bem?
- Estou ótima. Não tá vendo? Pode sair, obrigada por verificar.
Olhei ao redor. Já estava escurecendo, as aulas do dia tinham acabado. Não parecia certo e nem seguro a deixar aqui sozinha.
- Hum ... então. Eu tô indo pra casa agora, sabe? A gente podia ir juntos.
- Pedro, não precisa ficar com pena, ok? Tô ótima. Eu só quero ficar em silêncio
Olhei ao redor mais uma vez. Eu até queria sair porque não acho que eu precisava de drama no meu primeiro dia. Tinha sido um dia bom e eu queria que continuassem assim. Mas acho que eu e Briana éramos meio que amigos agora. Ou a gente chegaria lá em breve. Ela estava muito alegre hoje no café da manhã. Prefiro que ela esteja assim. Não gosto de vê-la desanimada. E de qualquer forma, não tem nenhum jeito de eu deixar que ela fique aqui sozinha a essa hora. O campus já está ficando deserto.
Tirei a minha mochila e joguei no chão, então me sentei ao seu lado. Eu estava olhando para frente, mas senti a cabeça dela se virando para mim
- O que você tá fazendo?
- Nada. Você disse que quer ficar em silêncio? Posso fazer isso. Vamos ficar em silêncio juntos então.
Eu a ouvi bufar, mas depois de alguns segundos em que ela percebeu que eu estava falando sério, se virou para frente e nós dois ficamos em silêncio juntos
Talvez cinco minutos tenham se passado quando ela disse.
- Eles acham que ele é perfeito e eu sou uma v4dia insensível
Eu virei para ela.
- Quem acha isso?
- Todo mundo. Eu acho que entendo que eles pensem assim de mim. Eu posso ser uma v4dia por ter traído o Justin. Mas ele não é nenhum santo. Me irrita que eu seja a única errada da história.
- Você não é uma v4dia. - afirmei - E se ninguém mais percebe que aquele cara é um i****a então o problema está neles. Quer dizer, eu saquei isso e só fiquei perto dele por uns dez minutos
- Você acha que eu sou legal e ele é o i****a. isso é diferente do que todo mundo pensa. Talvez você seja péssimo em fazer julgamentos
- Talvez. Ou talvez todo o resto é que seja. E acho que Erik está do meu lado. Ele não parece te achar nada v4dia
- Erik é um santo - ela estava sorrindo ao falar do amigo, mas então suspirou - eu estou muito cansada dos olhares de todos sobre mim. É irritante.
- Eu imagino que seja. Mas se ajuda, eu também tenho percebido olhares.
- Sobre você? - ela parecia verdadeiramente chocada - Por que? Você é adorável.
Depois de dizer isso, as bochechas dela coraram
- Desculpa. Eu não estou ... sabe, flertando com você.
Briana fechou os olhos com força, como se não acreditasse que tinha dito aquilo. Ela era uma graça.
- Está tudo bem. Não achei que estava flertando comigo. De qualquer forma, você ficaria surpresa em ver quantas pessoas julgam caipiras como eu.
- Pessoas são idi0tas. Ser caipira não é uma coisa r**m.
- Sim, pessoas são idiotas. Não ligue para o que elas falam. Você é a única pessoa que sabe o que aconteceu entre você e Justin.
Ela assentiu.
- Eu não o trai porque não tenho caráter ou porque senti um desejo incontrolável por outra pessoa. Não foi nada disso
Não era da minha conta para perguntar, mas ... ela estava aqui e falando comigo, não é?
- Então por que?
Briana me olhou e por um momento achei que não iria me responder
- Eu não conseguia ir embora. Achei que uma traição pública... achei que isso faria Justin terminar comigo. E eu estava certa.
- Você queria terminar com ele? Por que apenas não fez isso?
- Eu não sabia como... e ele não deixaria.
huh... um sinal vermelho piscou na minha mente.
- Não deixaria? Ele tem que deixar? Quando um não quer dois não namoram, não é?
Ela me olhou
- As coisas bem sempre são tão simples.
A pergunta estava na ponta da minha língua. Justin era ... abus1vo? Ou eu estava muito fora de lugar aqui? Talvez eu estivesse viajando, mas...
- Briana...
- Vamos. - ela me interrompeu - eu estou varada de fome. Erik vai para a casa do pai hoje, então você vai cozinhar
Eu observei. Era claro que o momento vulnerável havia acabado. Ela estava se fechando e não adiantava insistir. Eu não era um amigo de longa data, na verdade era praticamente um estranho. Ela não tinha que confiar em mim. Ainda assim, eu queria que ela ficasse bem. Me levantei e estendi a mão para ela
- Que tal eu comprar uma pizza?
Ela sorriu
- Agora você falou a minha língua
Pegou a minha mão e eu a puxei para cima