Capítulo 05:

2384 Palavras
Taylor bateu de encontro às paredes e gritou. - Alguém me ajuda, por favor. O corredor era estreito, pouco iluminado e parecia não ter mais fim, Taylor achou que daria em algum lugar quando entrou ali, mas havia se perdido e agora não sabia como voltar. - d***a! - suspirou sentando no chão. - Como eu vou sair daqui agora? - cobriu o rosto com as mãos.     Vincent vasculhou toda a redondeza da floresta por onde Taylor poderia ter ido, mas não encontrou nenhum vestígio dela. Com o decorrer dos anos ele aprendera a rastrear pegadas atrás de pessoas e não encontrou nada que pudesse assegurar que Taylor tinha ido em qualquer uma daquelas direções. Quando voltou pra mansão já estava escurecendo. - Você a encontrou? - Archer perguntou quando ele entrou no escritório. - Não, ela não foi pra floresta, não há sinal de nenhuma pegada dela por lá. - Você tem certeza? - Archer perguntou preocupado. - Absoluta. - Vincent assentiu. - Ela tem que estar aqui na mansão. - Mas aonde d***a, eu já vasculhei tudo. - Archer deu um murro na parede. Vincent o encarou e então se lembrou de uma coisa. - Pelos sete Deuses, tomara que eu esteja enganado. - deu as costas e saiu às pressas. Archer o seguiu pra fora do escritório, os dois passaram pela sala e entraram na biblioteca. Vincent subiu até o segundo andar e quando viu uma das prateleiras fora do lugar suspirou. - Ela não fez isso! - O que foi? - Archer perguntou preocupado. - Há muitos anos minha família construiu essa mansão com uma espécie de túnel, uma passagem secreta passando por todo o casarão, com acesso à floresta. Em épocas de guerra ou invasão de terras, minhas famílias entravam por essas passagem e se escondiam. Se a estante está fora do lugar é que a Taylor encontrou esse lugar, entrou e se perdeu. - Vincent suspirou. - Eu não acredito que ela entrou nessa passagem. - Archer suspirou. - Você não entendeu, o problema não é só ela se perder, esse corredor tem bifurcações que levam a todos os lados da mansão, ela pode estar em qualquer lugar, presa atrás dessas paredes, incapaz de nos ouvir. Além disso o local é frio e escuro e podemos levar dias pra encontrar o corpo dela. - Não fala isso, a gente vai achar ela e ela vai estar bem. - Archer respondeu preocupado. - Você não conhece os túneis, fique aqui e deixa que eu entro pra procurar ela. - Mas e se você se perder? - Já está anoitecendo Archer, posso usar meus instintos de lobo para rastrear o cheiro dela, além do mais, caminhei por esses túneis incontáveis vezes, te garanto que não vou me perder. - Vincent garantiu. Antes que Archer tivesse tempo de protestar, Vincent se transformou num lobo e entrou atrás da estante. - Por favor, encontre ela e que ela esteja bem. - suspirou.     Maryane entrou no quarto de Taylor cabisbaixa e encontrou Tatte arrumando as coisas da irmã. - Como pode uma pessoa sumir assim do nada? Ela estava bem, com a gente e agora... - Ela vai aparecer filha, não se preocupe. - Maryane apertou o ombro dela tentando lhe passar algum conforto. - A senhora acredita de verdade que com ela vai acontecer o mesmo que as outras moças? Que ela vai regressar dentro de 20 dias como o delegado disse? - Tatte encarou a mãe. - Temos que ter fé que sim, que ela vai retornar provavelmente antes do esperado, sua irmã é esperta, meu amor, logo estará aqui com a gente. - Maryane sorriu, tentando se manter confiante. - Tomara que a senhora tenha razão. Às vezes me sinto culpada pelo sumiço dela. - Tatte suspirou. - Não foi sua culpa, filha. - Se eu não tivesse adoecido mãe, Taylor não teria vindo para cá. - respondeu. - Ela veio porque é boa, generosa e te ama. Não acreditou de verdade que ela ficaria lá, longe da única irmã que estava doente. - Maryane sorriu. Tatte forçou um sorriso e abraçou a mãe. - Já estou com saudades dela. - Eu também querida, mas ela logo irá aparecer, você vai ver. - Você me ajuda a esconder as coisas dela? Não quero que os gêmeos vejam. - Tatte pediu. - Boa ideia, afinal, eles acreditam que ela está na capital. - respondeu com tristeza. Tatte assentiu desanimada, com a ajuda da mãe, as duas dobraram e guardaram todas as roupas de Taylor.     Vincent vasculhou todos os corredores e bifurcações que recobriam as paredes da mansão. Usando seu olfato apurado na forma de lobo, ele buscou pelo odor de Taylor, até começar a senti-lo. Quando identificou a direção de onde o cheiro vinha, ele apertou o passo. O corredor era estreito, mas largo o suficiente pra ele passar. Quando a avistou ao final de uma curva caída no chão, ele retornou à forma de homem e correu até ela. - Taylor! - se abaixou na altura dela e tocou seu rosto. Os fios de cabelos estavam presos à testa molhada. As mãos dela estavam geladas e seu rosto estava frio. Na forma humana Vincent percebeu o quanto aquele lugar estava gelado. - Temos que sair daqui! Com algum esforço ele a pegou no colo e seguiu em frente, se continuasse por aquele caminho daria no corredor para os quartos, seria mais rápido ir por ali do que voltar tudo que tinha andado. - Archer! - ele gritou, empurrando uma parede falsa. - ARCHER! Os passos apressados na escada denunciaram que Archer o tinha escutado. - O que aconteceu com ela? - perguntou quando viu Taylor desmaiada. - Está em crise de hipotermia, lembra que eu te disse que os corredores eram muito frios? - Lembro! - Archer assentiu. - Pegue vários cobertores e leve até o quarto dela. - Vincent pediu. Archer correu até seu quarto e pegou duas mantas grossas. Vincent a cobriu, Archer encarou Taylor tremendo e ficou ainda mais preocupado. - Por que diabos ela tinha que entrar naquela passagem? - Não a recrimine, você fez a mesma coisa, sua sorte é que assim que viu que o corredor era longo e escuro demais voltou pra trás. Ela pode ter tentado a mesma coisa sem sucesso. - Vincent se inclinou sobre a cama e pegou o pulso de Taylor. - A pulsação dela está lenta, mais um pouco e ela iria acabar morrendo lá. - Ela vai ficar bem, não vai? - Archer a encarou, ficou com medo de que ela morresse. - Eu espero de verdade que sim. Deite ao lado dela enquan... - O que? - Archer o interrompeu. - Estou te pedindo pra deitar ao lado dela, o calor do seu corpo vai ajudar a aquecer o dela, enquanto isso irei fazer uma bebida quente para ela. - Vincent respondeu e deu as costas. Parou na porta quando viu Archer ainda a encarando. - O que está esperando? Faça o que eu te pedi. Archer suspirou, mas se aproximou da cama, tirou os sapatos e puxou as cobertas. Os dentes de Taylor batiam uns de encontro ao outro, tamanho o frio que ela sentia. Archer deitou ao lado dela, apoiou a cabeça dela em seu ombro e acariciou seus cabelos. - Calma, você vai ficar bem, você vai ficar bem. - repetiu. Taylor não parava de tremer e sussurrar palavras incoerentes. Archer a abraçou com mais força e com uma das mãos ficou acariciando os cabelos dela. Seus lábios quentes tocaram a testa fria dela, depositando um beijo ali. - Você não vai morrer entendeu? Não vou deixar você morrer. - respondeu acariciando os braços dela. Apoiou as mãos de Taylor perto do peito dela, de forma que ficassem aquecidas. - Eu vou cuidar de você, não vou deixar te acontecer nada. - sussurrou e mais uma vez beijou sua testa.   Na cozinha Vincent preparou um chá quente e quando terminou, subiu até o segundo andar da casa. Ao entrar no quarto de Taylor, ele sorriu ao ver Archer dormindo abraçado à ela. - Está gostando dela, ainda não se deu conta, mas está gostando dela. - sussurrou com um sorriso nos lábios. - Logo vocês irão saber o que é estar apaixonado. Vincent se aproximou e com cuidado pra não acordá-lo, puxou o pulso de Taylor, sua mão já não estava mais gelada e a pulsação estava um pouco mais rápida. - Você vai ficar bem! - sorriu. Sem querer atrapalhar Vincent deu as costas e levou a xícara de chá com ele. Ao chegar no escritório ele encarou seu retrato e de Catherine. - Não sabes quanta falta me fazes, meu amor. - acariciou o rosto dela na pintura. - Eu aceitaria ser castigado novamente, por toda a eternidade, sem em troca pudesse vê-la pelo menos mais uma vez.     Tatte cobriu os gêmeos e deu um beijo na cabeça de um, depois na do outro. - Boa noite, meus queridos, mamãe ama vocês. - A gente também te ama, mamãe. - Alec respondeu. - Mamãe conta a lenda do homem lobo pra gente? - Enzo pediu. - Eu não sei essa lenda filho, é a tia de vocês que gosta e conhece. - Tatte suspirou. Alec abaixou a cabeça enquanto Enzo dizia: - Sinto falta da titia, quando será que ela volta? - Ela só está fora há um dia, meu amor, talvez demore um pouco para voltar. - Mamãe, a gente fez alguma coisa pra tia Taylor ir embora? - Alec perguntou confuso. - Será que a gente encheu muito a paciência dela? - Enzo estreitou as sobrancelhas. - Claro que não, meu amores, eu já disse, ela precisou se ausentar, mas logo ela estará de volta. Agora vamos parar de conversa fiada e dormir ok? - Tatte se levantou. - Ta bem. - os dois responderam e acenaram com a cabeça, ao mesmo tempo. Tatte sorriu, gostava quando eles se comportavam como robozinhos e faziam gestos iguais. - Boa noite. - ela soprou um beijo para os dois, e saiu fechando a porta.     Taylor acordou sentindo-se um tanto zonza e se assustou ao ver Archer deitou ao lado dela. - Oh meu Deus! - sussurrou, encarando seu rosto. Archer tinha a aparência serena e seus braços a envolviam de forma protetora. Taylor sorriu não conseguindo esconder que estava gostando de ficar daquele jeito com ele. - Como eu vim parar aqui? - sussurrou para si mesma. Percebeu que já tinha anoitecido e lembrou da passagem onde ela havia entrado, os corredores frios e idênticos. Lembrou de andar entre eles, procurando uma saída e não encontrar nenhuma. Encarando Archer novamente, ela ficou ali observando as feições dele. O maxilar proeminente, a barba farta cuidadosamente aparada, as sobrancelhas grossas, os cabelos negros, e o que mais lhe chamou a atenção, os lábios. Lábios que na opinião dela eram perfeitos, do tamanho certo e bem desenhados. Taylor passou a língua pelos lábios e sem resistir tocou o rosto de Archer, a barba fez cócegas em sua mão. Seus olhos estavam focados nos lábios dele, a vontade súbita de beijá-lo se tornava cada vez mais forte. Archer abriu os olhos e Taylor se afastou às pressas levantando da cama. Archer ao vê-la acordada também se levantou, constrangido com a forma como eles estavam. - Desculpe! - ele pediu sem jeito, encarando-a do outro lado da cama. - Por que você estava dormindo comigo? - ela o olhou assustada. - Foi ideia do Vincent, você estava gelada e precisava se aquecer. Taylor se encarou, aliviada ao ver que estava vestida, era só o que faltava pular da cama totalmente nua. - Como vocês me acharam e o que era aquela passagem? - Foi construída a muitos anos, como rotas de fuga pra floresta, você se perdeu porque ela percorre todo o casarão. Foi o Vincent quem te encontrou, você não devia ter entrado lá Taylor. - Me desculpe! - ela abaixou a cabeça. - O lugar era tão frio, fiquei com medo de nunca mais sair de lá, pensei que iria morrer. - Mas você está bem agora, não está? - Archer deu a volta na cama e parou na frente dela. Com uma das mãos ergueu o queixo dela e a fez olhar pra ele. Com as duas mãos acariciou o rosto dela e suspirou aliviado, ao ver que o rosto dela estava quente e mais quente ainda na região das bochechas, que estava adquirindo um tom mais rosado. - O... O que está fazendo? - Taylor gaguejou. - Só estou checando se você está bem, você estava gelada quando a encontramos. - ele respondeu soltando o rosto dela. - Você se preocupa comigo? - ela sorriu. - É claro que sim, você é um pouco curiosa demais, mas eu... Eu não ia gostar nenhum pouco se você morresse. - confessou. Taylor mordeu o lábio inferior, constrangida e feliz ao mesmo tempo pela forma como Alfonso a estava tratando. - Sabe... Você sabe ser um cara legal quando quer. - sorriu. - Que bom! - Archer sorriu de volta. Taylor suspirou e fechou os olhos, o quarto parecia rodar em volta dela. - O que foi, você está bem? - Archer agarrou os braços dela, com medo de que ela caísse. - Só to um pouco zonza. - Taylor segurou nos braços dele em busca de apoio. - É melhor você se deitar. - Tudo bem já ta passando. - ela suspirou e ergueu o rosto pra encará-lo. - Alguém já te disse que você tem olhos muito bonitos. - sorriu. - Não, você é a primeira que me diz isso. - Você deveria sair mais vezes, aposto que ouviria a mesma coisa de outras garotas. - Não ligo pra opinião de outras garotas. - respondeu. - Não? - Taylor piscou confusa. Archer negou com a cabeça e a encarou nos olhos. - Você também tem olhos lindos Taylor, são os azuis mais belos que eu já vi. Taylor sorriu de volta, sentindo suas bochechas pegarem fogo. Archer segurou o rosto dela entre as mãos e os dois ficaram em silêncio se encarando. Quando ela fechou os olhos, ele trouxe o rosto dela pra perto do seu e a beijou sem mais poder esperar.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR