Inocencia Destruída

1040 Palavras
A poucos dias da festa de quinze anos da Chloe, minha mãe chamou alguns amigos para um jantar como sempre fazia, e entre eles o advogado e amigo do meu pai, que frequentava a minha casa, ele estava sempre lá, até demais para o meu gosto. Meu pai confiava nele, ele estava com mulher, que parecia estar sempre em órbita, meio bêbada ou meio pancada mesmo. Era feriado dos dias dos namorados e o Charles deu a Chloe um enorme bicho de pelúcia e disse que era de aniversário adiantado. Mamãe e papai teciam elogios a ela, mas era como se ela não estivesse ali. Eu falava com meu amigo Paul ao meu lado, mas percebi que os dedos dela estavam ficando brancos e estavam quase rasgando as orelhas da pelúcia com as mãos. Foi então que ela pediu licença e saiu da sala. Horas depois quando todos menos o tal Charles foi embora fui buscar Chloe a pedido do papai. Ela foi, mas estava estranha e quando perguntei o que havia de errado, ela me empurrou e disse, — você não veria Nick nem se estivesse tatuado na minha testa, então que diferença faz? Pensei que talvez estivesse TPM e me calei. E quando o Charles a convidou para ir com a família para o campo depois da festa de 15 anos dela, Chloe ficou branca e deu um grito: — Parem! Eu não aguento mais! — Não posso mais, sinto muito papai ele disse que vai matá-lo, desculpe-me não posso mais te proteger, sinto muito! — Quem filha, do que você está falando? — Gritou papai. — Deve estar nervosa devido ao aniversário, não é gatinha? — Disse Charles olhando feio pra Chloe, e eu vi, ele tentou disfarçar, mas eu vi e Paul também viu, eu pulei sobre ele e o prendi contra a parede. — Chloe o que ele te fez? — Meu cotovelo prendia o pescoço dele. Enquanto ouvia a respiração pesada de Paul ao meu lado. — Larga ele filho, o que está acontecendo? — Disse mamãe vinda da cozinha. — Fala Chloe! Vamos, desembucha! Fala que merda é essa? Eu gritei meus olhos faiscando de raiva, algo estava errado, muito errado. Chloe caiu de joelhos no chão, chorando. — Ele me estuprou quando eu tinha treze anos e me ameaçou dizendo que ia matar o papai, ele tem uma arma, Nick! — Você está louca minha pequena, de onde você tirou isso? — Charles disse tentando escapar das minhas mãos. — Não sou sua pequena, nunca mais me chame assim! — Ela deu grito estrondoso e mamãe deixou cair à bandeja que estava nas mãos. — Minha filha do que você está falando? O que Charles fez com você? — Mamãe disse correndo até ela. — Eu o matarei, eu o matarei com minhas mãos. — Eu disse e o soquei no rosto até que meus dedos ficaram dormentes. Charles ficou desacordado, mas Paul me tirou de cima dele me impedindo de continuar. Meu pai parecia estar em estado de catatonia, minha mãe embalava Chloe em choque, eu queria que ele levantasse para que eu pudesse bater mais nele. Nós corremos todos para Chloe, enquanto Paul amarrava o desgraçado na cadeira. Ela narrou todas as atrocidades que sofreu, ele a pegava na escola, ou vinha em casa quando não estávamos aqui, e até mesmo com a gente em casa ele a molestava. Ameaçando matar meu pai, e fazer o mesmo com a minha mãe se ela não cedesse. Aquele foi o pior momento da minha vida, ela pensou que iria nos proteger e acabou passando a adolescência sendo abusada pelo canalha. Paul chamou a polícia, mas antes da polícia chegar meu pai se lançou sobre o Frank e o feriu com uma estátua de bronze da mamãe, ele caiu da cadeira e as cordas afrouxaram, e ele conseguiu escapar. A polícia o seguiu até seu apartamento, mas ele pulou do 30° andar do seu prédio antes que o pegassem. A vida de Chloe agora se resumia em terapias, choro e revoltas e por mais que tentássemos, não conseguíamos fazê-la sair de dentro de si mesma, ela se fechou guardando a dor dentro dela. Quando terminei a faculdade voltei a morar com a minha família, Paul e eu tentávamos tira lá de casa, mas ela não saia e quando começou a sair era com um pessoal meio estranho, gótico ou Punk sei lá. Nem mesmo Paul que ela gostava tanto conseguia chegar a ela. Paul tinha medo de assustá-la mais ainda, por isso levou o seu amor para si, até ela estar pronta. Papai não viajava mais, mamãe pegou um ano sabático na universidade, e todos vivemos para ela, para dar a Chloe a atenção que não demos antes. Todos tentando preencher qualquer espaço para que ela não ficasse sozinha. Chloe sempre me perguntava; — Nick você está me vendo? — E por mais que eu dissesse que sim, ela sempre repetia a pergunta. — Olha nos meus olhos, Nick, você pode me ver? Eu não entendia o que ela queria dizer até que meu telefone tocou, quando eu estava numa festa. — Chloe, está tudo bem? — Você não vê Nick? Ninguém vê, mesmo estando tatuado nos meus olhos! — Onde você está Chloe? Cadê a mamãe? — Estou casa Nick! No seu quarto venha me ver! — A frieza em suas palavras fizeram o meu sangue gelar. — Chloe não faz besteira estou indo! — Eu praticamente gritei ao telefone. O celular dos meus pais não atendiam e eu gritei ao Paul e corri como um louco. Entrei em casa gritando chamando por meus pais e corri ao meu quarto. Foi então que a vi deitada em minha cama as mãos cheias de remédios, uma garrafa de whisky derramada, uma seringa pendia de seu braço. — Chloe! O que fez? — Paul, uma ambulância! — Eu gritei, meus pais entraram no quarto, eu a segurei nos meus braços enquanto ela olhou para mim e disse fraco e frio; — Está me vendo agora Nick? O que você vê em meus olhos? Está tudo bem maninho, eu estou bem agora, eu amo você! E ela suspirou e partiu me deixando para sempre.
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