E como já era de costume, Yoongi sempre partiu cedo de Busan. Logo na manhã seguinte, ele se despediu dos pais e seu irmão estava lá. Voltou sozinho para sua cidade, mas ambos tinham planos especiais para um futuro muito próximo. Bastou poucos dias em Daegu para o Jeon mais velho organizar alguns detalhes de sua vida sozinho para a nova vida que teria em Seoul com seu namorado. Jungkook também não demorou muito; tinha pressa. Contou aos pais e aos amigos mais próximos sobre uma oportunidade incrível que recebera na capital. Foi o primeiro a chegar lá, a ver o apartamento simples onde viveria o resto de seus dias com aquele que sempre amou.
Quando Yoongi chegou ao novo lar, Jungkook já estava lá e isso era tudo que o local precisava para ser confortável. Nos primeiros dias, tudo era como um sonho. Os pombinhos estavam sempre entrelaçados, fazendo amor dia e noite, indo à passeios para conhecer a cidade. Eram exatamente como qualquer outro casal e o segredo que guardavam sobre o laço sanguíneo que compartilhavam quase era esquecido até mesmo pelos dois. E foi nesse ritmo, num clima de romance interminável, que os anos se passaram e juntos criaram costumes e tradições. Um dos costumes que mais gostavam era o de ir ao festival das lanternas de lótus. Jungkook adorava ver como o mais velho ficava lindo dentro de um hanbok. Parecia um lorde, a roupa tradicional lhe caía tão bem e, além de tudo, Yoongi sempre tinha um sorriso doce ao segurar sua lanterna de lótus. Eles andavam de mãos dadas até o templo e continuavam assim, enquanto viam os desfiles, só se soltavam quando sentava em um local para comer.
Mas, em um ano em especial, o mais velho dos Jeon surpreendeu o outro com um abraço por trás e o som agradável de sua risada. Os fogos de artifício queimavam no céu, o enfeitando com toda a beleza de seus efeitos. Yoongi parecia feliz, feliz de verdade, como pouco se via por aí.
— O que deu em você, meu lorde? — brincou como sempre fazia ao ver seu namorado vestido para o festival.
— É uma surpresa, se abaixa um pouco. — falou e foi obedecido. Yoongi passou as mãos pelo pescoço do outro e colocou algo ali. — Eu estou sempre com a pulseira que você me deu. É tão significativa para mim queria que tivesse algo que te dei também, algo que lembrasse nós dois também.
Jungkook tocou em seu peito, sentindo o material frio e metálico entre os dedos e sorriu. Era uma pena que Yoongi estivesse atrás de si e tivesse perdido aquele sorriso tão genuíno. Com um movimento rápido, abriu o colar e se deparou com duas fotos dentro, de um lado Yoongi e do outro ele mesmo.
— Piegas? — o baixinho perguntou com as bochechas coradas e o coração falhando batidas.
— Está brincando? Eu amei! — virou-se, agarrando o pequeno em seus braços e o apertando. — Eu vou usar sempre. — disse, ainda sem tocar o objeto e encarando os olhos alheios.
A amabilidade que estampava nos olhos de Jungkook deixavam as pernas do outro bambas. Então este tocou seu rosto e o fez fechar os olhos. O mais novo sentiu-se em um sonho. Nos últimos anos havia sido abençoado com tanta felicidade que quase tinha medo de acordar. Sentiu os lábios pequenos de seu amor tocarem os seus e o apertou ainda mais forte contra si.
— Só isso? E quanto a mim? — provocou.
— Eu amo você, seu bobo.
— Bobo? Eu achei que fosse seu lorde. — continuou a zombar.
— Você é meu tudo, Yoonie, meu lorde, meu amor, minha paz e conforto. Satisfeito?
— Você até me fez te amar mais ainda... Por que você continua fazendo isso comigo a cada segundo? — mordeu o lábio do outro, fingindo estar chateado.
— Eu me responsabilizo por te devolver todo esse amor.
— Jungkookie! É exatamente disso que eu estou falando... Aish, eu estou em débito com você. Se existirem outras vidas, eu vou voltar te amando de novo, porque o que eu sinto é forte demais pra caber em uma única vida.
— Tudo bem, eu aceito.
Mesmo que amar para aqueles dois tivesse lhes custado a vida, que a escolha que fizeram em se entregarem um ao outro houvesse sido, há mais de dois mil anos, um ato suicida, eles haviam recebido uma segunda chance para viver aquele amor tragicamente interrompido, um amor que desde o início deveria ter acontecido, por isso aquelas almas se encontravam em paz com seus destinos devidamente selados.
E agora as lembranças reminiscentes de outra época eram sobrepostas por novas, que marcavam ainda mais aquelas almas com novas memórias de um amor eterno. Pois, assim como Yoongi dissera, uma única vida era muito pouco tempo para um amor tão grande. E outras viriam e nessas mais uma vez se reivindicariam por amor. Pois Yoongi e Jungkook não eram dois, mas sim uma extensão de uma única alma em corpos distintos e um sem outro não virava dois, mas sim metade.
E essa sensação de que eram um se tornava mais latente ao se tocarem como agora, andando de mãos dadas de forma casual. Ou quando se amavam de forma quente em sua casa. Singelo ou intenso. Lordes com destinos predeterminados ou irmãos. Jeon ou Min. Não importava a condição, pois no fim um termo sempre os determinaria com exatidão: amantes; almas gêmeas.
Fim