— Como assim?
— Nossa relação, podemos recomeçar, sem mais insinuações e receios? Eu sempre fui um ômega superprotegido, alfas me assustam. — se sentou e olhou na direção do maior. — Então, fiquei na defensiva, mas hoje, apesar de tudo que aconteceu, eu percebi que você não vai me machucar ou se aproveitar de mim.
— Não se preocupe, meu lorde. — aos poucos foi se aproximando do menor, porém ficando em uma distância aceitável. — Eu entendo, muitos alfas podem ser verdadeiros filhos da p**a. — estava em uma sensação confortável com o ômega, por isso o palavrão fluiu por seus lábios. — Desculpe.
— Tudo bem, eu não sou tão sensível. Você conversou com os meus irmãos, não?
— Claro. Mas o que quero dizer é: minha missão é te proteger e te levar são e salvo para o seu noivo, meu irmão. — sabia que o que ia dizer poderia assustar o ômega, mas tentaria ser sincero. — E Yoongi, você é o ômega mais perfeito, adorável e, para dificultar a minha vida, com o cheiro mais excitante, mas você é do Hoseok e eu o amo e não vou ultrapassar a linha.
— Eu percebi e me sinto mais seguro agora. Por isso quero recomeçar, será uma viagem longa e se nos tratarmos cordialmente será mais agradável, não acha?
O trato estava feito, pois o Jeon, até então, nem entendia porque seu futuro cunhado o tratava com tamanho desprezo e tudo o que desejava era que as coisas fluíssem bem entre ambos. Entendia seu ponto de vista sobre si, como ômega e levando em conta a forma como fora criado. Além do mais, era um estranho e tinham culturas muito diferentes e como iam passar um bom tempo juntos naquela viagem longa e Yoongi estava certo, seria mais agradável se não tivesse aquele clima sempre de tensão entre os dois, como se qualquer gesto seu fosse uma ofensa ao outro nobre.
Ambos voltaram a se deitar, após o riso audível e que demonstrava pura felicidade do alfa, confirmar a situação. E diferente do que os dois imaginaram no começo da noite, pegaram no sono facilmente, embora só tenham percebido com a chegada do sol fraco que m*l esquentava por aquelas bandas.
Yoongi passou por sua primeira experiência de verdade ao trocar, completamente só, suas próprias roupas, enquanto Jungkook preparava os cavalos para a viagem e colocava tudo que fazia parte da bagagem, que havia retirado para a noite passada, de volta ao seu lugar. Ficou escorado na carruagem a espera do outro, pois iria, mais uma vez, auxiliá-lo a subir na mesma. Yoongi apareceu algum tempo depois, vestindo um hanbok de tom azulado, e encarou o mais alto.
— Minha pele não vai ser a mesma quando chegar no Sul. Preciso de um banho hidratante.
Jungkook riu da vaidade do outro, mas não era com deboche; era um sorriso doce que o dominava junto ao desejo de tocar a pele alheia e lhe dizer que ele continuava perfeito. Então sua mão moveu-se sozinha e seu dedo indicador, dobrado, tocou na bochecha macia de Yoongi, dando cor à palidez. O garoto desviou o olhar timidamente, achando que Jungkook tinha uma expressão linda e que, se olhasse mais, seu coração iria perder o controle.
— Sua pele ainda está macia, meu lorde. — falou, tentando fazer parecer que aquele toque era apenas para constatar tal fato e não porque queria tocá-lo. — E, também, em Teldrassil temos uma variedade de flores, e o mel da região é famoso por ser o melhor de todos os reinos. Quando chegarmos lá, você será tão bem cuidado quanto era em sua casa. Não se preocupe.
— Tem muita coisa sobre o reino do Sul que eu não sei. Que tal me contar tudo durante a viagem? — e, dizendo isso, se direcionou para a condução e encarou seu guia. — Me ajuda a subir?
— Não vai na cabine? — mesmo assim, deu o apoio para o ômega subir no local que queria.
— É muito solitário dentro da cabine e nós, ômegas, sempre vivemos em constante companhia dos nossos servos betas. — explicou, enquanto via o mais velho sentar ao seu lado. — E claro, gostaria de passar o máximo de tempo possível sentindo o clima, observando as paisagens, contemplando as minhas terras pela última vez. Então me traria muito gosto viajar aqui com você, meu lorde.
— Claro, você pode ficar ao meu lado o tanto que quiser, também percebi o quão próximo você era de seu beta. — afirma em voz alta aquilo que tinha percebido em poucos dias em Quel'Thalas.
— Kang praticamente me criou e desde que me entendo por gente o tive do meu lado, me guiando e apoiando. Muito do que sou vem dele. — aquele toque melancólico que sentiu no dia anterior, ao partir de sua casa, voltou. — Sentirei a sua falta.
— Faremos de tudo para você se sentir em casa em Teldrassil, meu lorde. — levado pela vontade de consolar o ômega, segurou a sua mão. — Prometo que será feliz lá, que, mesmo que não seja similar, você irá encontrar novas belas paisagens, Yoongi, e tantos outros amigos. — segurou a lágrima que o Min nem percebeu que deixava escapar. — Então, por favor, não chore. — falou, gentil.
Yoongi podia não se dar conta, mas a gentileza do Jeon o cativava, e não era como o fogo inicial do desejo que logo fora percebido por ambos; era brando, gradativo e silencioso, e assim, por não deixar vestígios, tão mais perigoso, pois raízes estavam sendo fincadas e, se se aprofundassem demais, seriam impossíveis de serem arrancadas sem grande estrago.
— Obrigada pela gentileza, lorde Jeon. — limpou as lágrimas. — Mas vamos falar de algo mais agradável. Me conte sobre as suas terras? Sobre o meu futuro marido...
Jungkook começou a contar sobre os campos verdes e floridos, como o clima era agradável, pois não era tão quente ou frio, era um equilíbrio perfeito dos dois. Contou também como as cores eram mais saturadas que no norte, além de mais diversificadas, pela variedade da flora da região. Por falar em flora, falou do prazer de provar uma fruta tirada direto de uma árvore ou como a alimentação do Sul era mais rica por ter uma agricultura e pecuária diversificada. Contou sobre as cachoeiras geladas e praias mornas, tentando caprichar bem nos detalhes de cada paisagem, porém, de tudo que contava, o que realmente arrancava o sorriso do ômega era a forma empolgada como o alfa lhe explicava como eram suas terras.
E foi nesse ritmo que os dias se passaram, os quilômetros se encurtavam desapercebidamente pelos dois. Entre histórias, sorrisos contagiantes e toques que surgiram naturalmente, a um ponto que eles nem podiam dizer a diferença de quando suas mãos estavam atadas ou não. Até mesmo durante as noites, embora não fosse mais necessário após ter sido feita a marca temporária, o corpo de Jungkook diminuiu a distância do corpo de Yoongi, já que esse gostava de ouvir de perto o outro lhe contando as diversas histórias de sua terra e aventuras, em um tom baixo que lhe embalava o sono. Às vezes, o ômega se aninhava entre os braços do alfa, sem notar a importância do ato, pois foi assim que seu lobo pré-definiu o seu ninho, e dormia tranquilamente, sem saber, dominado por uma paz reconfortante que ele jamais sentira antes e jamais voltaria a sentir, porque entre os dois algo que não devia já havia começado. Invisível e intenso, mas ainda ali, o sentimento crescia sem pedir permissão a qualquer um dos dois, até porque, se a pedisse, não teria.
Yoongi pertencia a outro Jeon, Hoseok.
E Jungkook não podia mais pertencer a qualquer outro ômega e não era por causa de seu cheiro, que apenas ele podia sentir agora. Yoongi era mais que um cheiro, mais que seus instintos de alfa ou um belo corpo. Já havia passado dessa fase onde tudo que conhecia do Min era o que podia enxergar com seus olhos. Disso estava ciente — do corpo excitante, dos gemidos manhosos que já tinha ouvido, o cheiro atraente — no entanto, essas eram características que atraíam seu lado animal, e o que conhecia do jovem lorde, agora, atraía outra parte sua. O homem que era, com sentimentos acima da carne, o Jeon Jungkook que era tão obstinado em suas missões e protetor, que tinha um senso de humor e um dom invejável em contar histórias de suas aventuras e de seu povo, até mesmo um Jeon Jungkook que ninguém mais, além daquele lindo ômega, chegou a conhecer.
E foi justo quando todos esses sentimentos se organizaram, tanto no peito quanto na cabeça de ambos, que o senso de dever que possuíam começou a enfraquecer.
— Quel'Thalas também tem algumas boas lendas. — Yoongi comentou um certo dia, se apegando a alguma esperança entre o que sentia por Jungkook e, não podia negar a si mesmo, o seu destino.
— Eu adoraria ouvi-las, meu lorde. — o alfa o encarou com um sorriso gentil, um sorriso que estava se habituando rapidamente a estar em sua face nos últimos dias.
Afinal, não era só Yoongi que gostava do tom de voz alheio ou da empolgação ao contar uma estória de sua amada terra. Pois dentre tanta coisa em comum que descobriram em meio a tantas conversas, o amor imutável de ambos pelas terras que nasceram era o mais gritante.
Por isso, assim como ômega, o alfa se enchia de empolgação ao escutar os monólogos do Min sobre o norte e suas lendas, ou sobre como ele detalhava a sensação de uma guerra de neve e as tão atraentes águas termais do primeiro encontro. Então, quando o primeiro tom de cor vibrante se fez visível no horizonte daquele mar de branco e cinza, que, depois de ser visto pelo olhar de Yoongi, não parecia tão monótono e sem vida para Jungkook, o alfa teve que ser o suporte do ômega.
Como dissera no começo daquela jornada, Yoongi nunca se sentiu preparado para se despedir de suas terras, e agora via no tom de verde das árvores, céu azul e sol vibrante, que o fazia dispensar o casaco pesado e usar apenas o hanbok, além de derreter a neve, que o fim não seria mais adiado e a grande tristeza que sentia o fazia mais dependente do Jeon, pois apenas o seu ninho o trazia o mínimo de consolo por estar perdendo algo tão importante para si.
— Yoonie... — o termo formal já não era mais usado. — Temos que seguir com a viagem.
— P-por favor, Jungkookie. — começou em um tom choroso, fazendo o alfa em poucos minutos o rodear com os seus braços. — Podemos ficar aqui hoje. Ao fim do dia não terá mais norte e não me sinto pronto.
— Você irá comer? — tentou barganhar algo que o menor não vinha fazendo com frequência e o deixava completamente louco de preocupação.
— Sim, eu juro. — beijou os dedos cruzados.
— Então, o que meu ômega quer fazer em seu último dia no norte? — o pronome possessivo em relação ao menor era comum, já que no início daquela "amizade" tal termo era uma brincadeira, mas agora, no fim, era uma afirmação dos sentimentos de pertencimento e posse que agora sentiam.
— Quero sentir a neve o máximo possível.
E, durante o dia, o desejo do ômega fora realizado ao brincarem na neve. Jungkook nunca tinha visto Yoongi sorrir tanto ou seus olhos brilharem tanto ao apenas se deitar consigo naquela superfície gelada, tendo seu braço usado como descanso para a cabeça do outro.
— Eu estou tão acostumado ao frio daqui. Só de pensar que tudo isso ficará para trás quando cruzarmos uma simples linha deformada no chão... — virou o rosto para encarar o alfa.
— O Sul também é frio. Bem, não como aqui, mas você vai se acostumar. Você gostava do calor das fontes termais, certo?
— Sim, mas o que eu mais gostava era do quanto era reconfortante diante do frio intenso. Era como agora... deitado na neve, envolvido pelo calor dos seus braços... com seu cheiro emanando de nossos corpos... — e em um vacilo, Yoongi encarou os lábios de seu protetor e lambeu os seus, sem esconder o desejo.
E, embora fosse tarde demais, pois Jungkook notava cada passo seu, virou o rosto, tentando se afastar dos pensamentos que tinha. Porém estava com um alfa, alguém de sentidos aguçados, então podia desviar seu olhar no intuito de mascarar seu desejo, mas não podia disfarçar o ritmo de seu coração, que batia acelerado.
— Yoonie, é como você disse. — Jungkook começou. — Quando cruzarmos a linha que divide nossos reinos, tudo isso aqui ficará para trás, então... — com um movimento majestoso, Jungkook debruçou-se sobre o corpo menor do outro e, mesmo sendo tão grande, não tinha nada de ameaçador ou assustador na posição, já que seu rosto era suave em suplicar por permissão. — Tem algo a mais que deseja deixar aqui antes de partirmos para nossos destinos?
"Destinos", como andava odiando o termo. Antes achava que era assim que as coisas deviam ser, agora pensava completamente diferente. Achava irracional que outras pessoas decidissem sobre a vida do outro e como era injusto que, mesmo sendo um Jeon, não era aquele que teria Yoongi, quando era tão claro que tinha seu amor e desejo.
— N-não devemos, Jungkookie. — sussurrou, quase choramingando, pois doía negar algo que tanto queria.
Tocou a face do alfa, sentiu sua pele mais áspera, os traços mais marcados e fechou os olhos. Seu coração acelerava, pensando em como seria ter o calor da boca de quem realmente desejava. A respiração de Jungkook estava mais próxima, lhe tentando, então pensou sobre tudo que já estava perdendo e como queria que ao menos seu primeiro beijo fosse com alguém escolhido por si.
— Há muitas coisas que não devemos, mas já é tarde demais, não acha, meu ômega?
A voz do alfa subiu alguns tons ao proclamar o quão Yoongi era dele. Era um erro? Um desrespeito para com Hoseok, seu amado irmão? Uma traição contra o seu reino? Sim! Malditas vezes sim. Porém um único "não" fazia o alfa esquecer qualquer dever com seu irmão, com seu reino ou qualquer outro senso de dever. Afinal, podia resistir a Yoongi e continuar negando que aquele calor em seu peito ao estar na presença do ômega era amor? Não!
A linha tênue do dever já não mais existia ou não era tão forte para detê-los. A integração dos dois corações, que agora batiam em consonância como um só, os tornava algo mais que companheiros de viagem, futuros cunhados ou qualquer outra denominação que não fosse ômega e alfa, amantes.
— S-sim... — abraçou o seu alfa. — Mas eu ainda tenho medo.
Não se referia ao beijo em si, mas, sim, às consequências daquele ato de paixão, e Jungkook sabia disso e compreendia, pois há dias aquele mesmo sentimento de pavor vinha o assombrando. Porém tudo era esquecido ou atenuado ao sentir Yoongi lhe abraçando ao dormir ou segurando a sua mão durante a viagem, ou simplesmente o direcionando aquele lindo sorriso doce. Sabia que não seria mais o mesmo sem ele.
— Eu lhe protegerei, meu ômega. — o olhou de forma profunda, passando toda a segurança de sua decisão através dos diversos beijos no rosto do menor. — Independente do que seja. E se você não quiser embarcar nessa loucura, eu me afastarei e cumprirei meu karma de não ter sua boca proibida, apenas para te ver feliz. — suspirou e, pela primeira vez durante todo aquele tempo juntos, mostrou o seu lado mais sensível ao deixar a dor daquela proibição que o impedia de ter o ômega vazar dos seus olhos. — Mas se você quiser, eu juro que lutarei por nós, que, por mais perigoso que seja, eu te manterei a salvo, porque simplesmente é insuportável, muito mais do que não te ter, imaginar você machucado. — sentiu a mão de Yoongi limpar as suas lágrimas. — Mas o mais importante: eu lutarei com todas as minhas forças para te fazer o ômega mais feliz de todos os reinos.
— Me beije, meu alfa.
Momentaneamente, cedeu aos sentimentos que vinha nutrindo pelo alfa. Se entregou à louca paixão, pois sabia que desde que nascera o seu destino não era seu para escolher, e lutar contra ele era simplesmente uma insanidade.
Primeiro, seus dedos correram pelos cabelos compridos do outro, que fechou os olhos por alguns segundos, deixando um sorriso puro surgir nos lábios, o que só os tornou ainda mais atraentes para o ômega. Então, sem mais delongas, quando seus olhares se reencontraram e refletiram a mesma vontade, suas bocas se encontraram. Fora um toque inocente e demorado, onde Jungkook dava espaço para que o menor e menos experiente o desfrutasse devagar. Logo os instintos de Yoongi lhe guiaram, afinal, ele queria sentir mais que o toque, queria o sabor e calor da boca pequena do alfa. Nesse intuito, abriu um pouco sua boca e pegou para si o lábio inferior, sentindo seu corpo aquecer, principalmente próximo ao seu peito.
Jungkook abriu os olhos e encarou como o rapaz se deleitava com seu lábio. Tudo passou em um segundo, mesmo com o tempo parecendo ter parado para que ambos vivessem aquilo lentamente. Ainda assim, o alfa estava impaciente por prosseguir, então tomou as rédeas da ocasião. Segurou o queixo delicado de seu auto-proclamado ômega e encaixou a boca na sua, de modo que pudesse penetrá-la com sua língua. Assim que o fez, Yoongi tremeu em seus braços e o cheiro de azaléia selvagem, que apenas ele podia sentir, intensificou-se e, misturado ao seu, Jungkook se sentiu transportar da realidade. Não se via mais deitado na neve com seu amor. Era como se estivessem em um dos belos jardins, cheios de cores e cheiros, de Teldrassil, se amando sem medo. Sabia que amar Yoongi era arriscar a própria vida e, tendo seus lábios soube que preferia morrer ao seu lado, que viver sem ele... No entanto, não se tratava apenas de si.
Sabia que Yoongi tinha outra criação, diferente de si, que possuia mais liberdade e um espírito aventureiro. Yoongi fora criado para a obediência cega, e admitia que também havia sido, mas até certo ponto. Não se podia comparar a vida de um alfa com a de um ômega; seus deveres eram completamente distintos.
— Hmm... — o menor gemeu sob si, apertando suas costas, então seus pensamentos se dissiparam.
Ao menos agora, não queria pensar em consequências, só queria desfrutar da doce boca de seu ômega, enquanto ainda podia chamá-lo de seu. Yoongi parecia desfrutar da primeira experiência sem se ater a qualquer outra coisa, e estava mesmo. Sua cabeça girava e ondas de sentimentos lhe dominavam o corpo, sentimentos que nem podia nomear. A princípio, ficou surpreso quando sentiu a língua do outro buscar a sua, mas, assim que se deixou levar pelo sabor, percebeu que poderia viciar-se no mesmo.
Porém, seu vício não se limitaria a língua provocativa e exploratória do alfa. Mesmo que esta o tenha feito se desmanchar à mercê do outro, e não se referia apenas ao seu corpo, mas também como fez todo pensamento que não envolvesse aquele alfa se desmanchar como uma respiração solta no ar gélido do norte. Yoongi se viciava de forma mais abrangente, se viciava no cheiro, que, de tanto sentir, parecia ser tão seu quanto os das azaleias, se viciava nas mãos grandes que estavam pousadas no começo de sua b***a, se viciava na sensação de proteção e excitação de ter um alfa tão viril sobre seu corpo de aparência tão frágil e delicada, mas o mais viciante e, ao mesmo tempo, enlouquecedor era como seu corpo parecia ter se transformado em amor.
Amor inegável, imutável e incontrolável pelo Jeon errado. Todavia, essa informação era insignificante, assim como o seu dever com o seu reino, seu destino traçado desde o seu berço e os ensinamentos de Kang sobre como ser um ômega obediente e recatado para o seu alfa prometido. Yoongi esquecia-se de tudo, apenas se agarrava com unhas e dentes naquele que parecia dentener a sua felicidade.
E de forma ousada, imitando o alfa, prendeu os lábios entre os dentes pequenos e logo foi agraciado por um rosnar do moreno. E em vez de se assustar, como na primeira vez, se envaideceu, pois aquela marca, que o fazia sentir as intenções do Jeon, o fazia compreender que aquele som indicava o prazer do lobo de seu alfa ao estar sendo correspondido pelo ômega que escolheu.
E realmente era isto. Jungkook sentia o seu lobo completamente ensandecido por aquele que, independente do que a razão dissesse, era seu. Então, sem conseguir controlar o seu eu selvagem, o marcou mais uma vez, desta vez mais profundo e quase definitivamente.
— O-o que está fazendo? — ao sentir a dor em seu pescoço, um estalo da realidade se fez em si.
Os olhos do ômega brilhava em angústia, enquanto tocava o pescoço dolorido e ainda sangrando.
— O que estamos fazendo, Jungkook?
O pavor do mais novo, que devido a marca o alfa sentia como sendo seu, era tão, tão grande que fez o maior voltar a si.
— Y-Yoongi...? — tentou tocar no menor, mas esse, por receio, se afastou um pouco. — Eu não vou te machucar, amor.
— Você ia me marcar de forma definitiva? — sentia seu corpo inteiro tremer por medo.
Porque só agora tudo voltava sua cabeça, todas as obrigações que implicavam com seus desejos.
— Me desculpe, Yoongi... Eu não pensei direito...
— Acho que nós dois não estamos pensando direito há um bom tempo. — interrompeu. — N-nós temos que parar com isso, Jungkook. Seu lobo não pode me exigir assim, eu não posso ser seu.
E falando tudo aquilo, Yoongi não sabia dizer o que era mais doloroso: o peso das palavras, de negar aquele amor, ou pulsar doloroso de sua nova mordida e o ardor que ela fazia correr em suas veias.
— Eu sei, meu amor. — o encarou com o coração pesado. — Eu nunca consigo parar de pensar em todas as nossas obrigações, em me culpar por cada coisa que fazemos, mas eu não posso mudar o que eu sinto. Yoongi, ninguém para o amor. Eu fui capaz de controlar meu desejo por você quando te conheci, quando tive a chance de te tomar por luxúria, só que isso eu não sei controlar. Eu amo você. Meu lado racional e irracional querem você. "Nós temos que parar com isso"? — repetiu suas palavras. — Você consegue, meu amor? Se disser que "sim", eu juro que me esforçarei mais.
As palavras de Jungkook pareciam penetrar profundamente em sua alma. Lágrimas grossas correram por seu rosto, corado do frio, a confusão lhe tirava o chão. Sua mente estava em um completo caos, tudo isso porque sabia que seu amado estava certo. Assim como Jungkook, não conseguia aquietar seu coração e suas ações refletiam tudo isso. O amava. Sentia que pertencia ao alfa, assim como o mesmo era seu.
Yoongi tocou a marca em sua pele e encarou o alfa, sabendo que teria que escolher entre seguir ordens ou o seu coração. O terror real que aquela mordida repentina lhe causara, fora o desejo, o fez perceber o quanto queria aquilo — estar ligado ao Jeon não apenas pela alma e mente, mas no ritual mais antigo de sua civilização. Ter ou não aquela marca não fazia de fato qualquer diferença, pois sabia bem, dentro de si, que faziam parte um do outro.
— Jungkookie. — este o encarava em dor, desejando tocar a face que amava e limpar as lágrimas que sabia serem culpa sua, mas tinha receio. Já havia perdido o controle demais. — Eu não posso escolher... — falou mais para si mesmo, como uma extensão verbalizada de seus pensamentos. — porque eu te amo. — enfim confessou em um tom alto, que foi levado pelo vento e se perdeu pelas estradas desertas do reino do norte.
Aquilo seria mais uma das coisas que deixaria em segredo ali, Yoongi pensava, mas não podia estar mais enganado, porque aquelas doces palavras tinham uma força que ele nem imaginou e elas se gravaram em Jungkook profundamente. Algo havia se rompido naquele momento, seus medos e senso. Nada mais poderia parar aqueles dois. Porém, na indecisão sobre dever e querer, o ômega deixava-se enganar que o que estava prestes a fazer seria tão temporário quanto aquela marca em seu pescoço.