1 semana

1109 Palavras
· 1 semana depois · Em uma semana muito pode acontecer no mundo e na vida de alguém. Guerras podem começar, um novo presidente pode assumir a república, muitos morrem e muitos nascem. Na vida de Joalin e Sabina, não aconteceu muita coisa, mas, aconteceu algo importante para elas. Elas se tornaram mais próxima. Cada dia se aproximavam mais e era como se elas se conhecessem há anos. Joalin já não estava mais tão tímida e agia como se a casa também fosse dela, ela morava ali, mesmo ainda insistindo na ideia de sair e Sabina sempre mudando de assunto. Sabina já estava mais feliz, não cortava o pulso desde àquela noite e os cortes já cicatrizavam. As duas também revezavam os cuidados com Liv. Sabina a levava ao pediatra junto à Joalin, às vezes alguns fotógrafos inconvenientes tiravam fotos, mas ela não se importava e muito menos Joalin. Agora as duas caminhavam em um parque, era fim de tarde, Sabina empurrava o carrinho de Livia que estava acordada e encarava as duas. - Graças à Deus, ela é saudável. - Diz Joalin. - Mas é estranho que até hoje ela não tenha tido uma gripe. - Sabina riu. - A maioria das mães agradeceriam por isso. - Joalin riu também. - É, mas nisso ela não puxou de mim, eu vivia doente. - Eu também, no verão ou inverno, faça chuva ou faça sol, eu estava sempre gripada. As duas continuavam andando pelo parque e Joalin percebia alguns olhares para elas, que às vezes a incomodava. Joalin decidiu expulsar os pensamentos e o incomodo e olhou como a Sabina era com Livia, parecia ser a própria mãe dela, sorriu involuntariamente ao ver a morena conversando como se Livia a entendesse, em seguida suspirou triste. Se sentia um fardo para Sabina que comprou roupas para ela e Livia, brinquedos, um berço e estava decorando um quarto exclusivamente para a criança. Sabina amava e dava tudo para Livia, tudo que ela talvez não conseguisse dar. Voltaram para casa após mais alguns minutos, para que não ficasse tarde, ou frio para Livia. Enquanto Joalin tomava banho, Sabina banhava a bebê e quando a loira terminou de se banhar, foi amamenta-la, enquanto a morena foi se preparar para dormir. - Eu acho que estamos nos metendo em uma grande enrascada. - Diz Joalin para a filha que a encarava enquanto sugava o leite que saía de seu peito. Joalin acariciou as pequenas e sedosas maçãs do rosto de sua filha com o polegar. - Eu espero que você me agradeça um dia, Liv. - Agradecer por quê? - Sabina estava parada na porta já de pijamas e Joalin a olhou assustada. - Na-nada... - Suspirou e encarou a filha, antes de voltar a encarar a Sabina. - Eu queria te pedir algo. - Qualquer coisa... - Joalin encarou Sabina nos olhos, a morena franziu a testa por não entender o que se passava. Os olhos de Joalin se encheram de lágrimas. - Preciso que cuide da Liv e que, quando ela crescer, você diga que eu a amei muito e que por isso... A deixei aqui. - Sabina engoliu em seco e negou. - Do que está falando, Joalin? - Indaga. - Eu não posso ficar aqui, me sinto em casa e isso é errado, eu não contribuo em nada aqui, mas vejo o quanto você é apegada à minha filha e o quanto a ama, eu não tenho para onde ir e por isso não posso levá-la, aqui ela estará segura, será amada e terá uma vida feliz. - Sabina negou. - Você enlouqueceu? - Sabina se levantou. - Acha mesmo que vou te deixar ir? - Negou. - Não vou, Joalin... Você é MÃE da Livia, e vai ficar aqui nem que eu tenha que te manter em cativeiro e só sairá quando tudo estiver bem para você e para ela. - Joalin suspirou. - E se as coisas nunca ficarem bem? - Então, você nunca sairá... - Respondeu cruzando os braços. - Escuta, Joalin... - Se sentou ao lado da loira e pegou em sua mão. - É ridículo, mas com você e a Livia aqui, eu me sinto menos sozinha... - Falou sincera. - E se você for embora, eu nunca irei me perdoar de deixar você ir e também não conseguirei cria-la. - Eu não sei se sou uma boa mãe para ela. – Diz encarando a filha. - Sim, você é ... - Diz Sabina. - Você é ótima, Joalin, só de pensar em fazer esse sacrifício de deixá-la aqui com uma estranha que tem histórico de uso de drogas, automutilação e tentativa de suicídio, já prova que você pensa no melhor para ela. - Joalin franziu a testa encarando-a e Sabina franziu a testa também. - Pareceu melhor na minha cabeça, mas a questão é: ... - Sabina encara Livia e sorri. - Todo mundo precisa de um recomeço e eles nunca são fáceis, mas é isso que a vida é, difícil, nos trazem obstáculos, dúvidas, sensações terríveis, mas sempre que levarmos uma rasteira da vida, nós temos que levantar, sacudir a poeira e mostrar que estamos prontos para qualquer coisa, e não fugir sempre que surgir uma dúvida. - Joalin suspirou. - Você ama a Liv, e eu tenho certeza que ela te ama também, mesmo que não saiba nem ir ao banheiro ainda. - Joalin riu. - Eu prometi te ajudar e eu vou, assim como você tem me ajudado durante esse tempo, sem nem perceber. - A loira suspirou. - Mas Sabi... - Sabina a interrompeu. - Sem mas... - Levantou o indicador. - Iremos procurar seus pais e entrar em contato com eles, você vai reencontrá-los e, só aí e ainda sim, TALVEZ... Você possa ir embora. - Joalin riu e negou. Sabina era impossível, ela já sabia que quando a mexicana colocava algo na cabeça, nada iria tirar. - Por isso amanhã mesmo iremos procurar por eles, mas agora, vamos dormir... Liv já dormiu e seu peito está vazando leite. - Droga... - Diz Joalin encarando o seio e tentando escondê-lo. - Terei que trocar de pijama. - Diz passando Livia para Sabina. - Volto já. - Sabina ri enquanto Joalin sai do quarto para se trocar e em seguida encara Liv. - Dá para acreditar naquela ideia absurda? - A pequena suspirou. Sabina levou o rosto da menina até seu nariz e o cheirou sentindo o aroma gostosinho de bebê. Ela jamais deixaria que Joalin se separasse da filha e faria de tudo para ajudar Joalin a se encontrar e superar seja lá o que tivesse acontecido com ela.
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