Nina abriu os olhos e sentiu o cheiro gostoso de café fresco. Ela sorriu e se levantou da cama, vestiu sua calcinha que estava jogada no chão e pós a camisa dele.
Nina: Já te disse que você é no melhor amigo do mundo. Disse sorrindo e ele sorriu de volta.
Paul: Você só diz isso, por que sempre faço café para você. Ela o abraçou e beijou seu rosto.
Nina: Isso não é verdade. Levantou cedo em. Disse o olhando já vestido.
Paul: Entro mais cedo no trabalho. Troquei com um colega, ele me cobriu ontem a noite e vou tirá-lo mais cedo hoje.
Nina: Uma pena, adoraria tomar um banho acompanhada. Disse sorrindo maliciosa.
Paul: Gostaria de te acompanhar, sabe disso. Mas não posso mesmo. Disse pegando suas coisas.
Nina: Eu sei. Ele beijou a testa dela. - Obrigada pela noite.
Paul: Sabe que sempre pode me chamar né. Eles riram. Quando ele saiu, ela ficou pensando no quanto seu dia seria puxado, assim como na noite anterior. A sua paciente misteriosa tinha tido alguns esparmos, como mexer os dedos as mãos, Nina ficou feliz, mas a decepção veio em seguida quando a sua paciente não demostrou mais nenhuma sinal. Por isso a noite ela ligou para seu melhor amigo, Paul. Os dois jantaram juntos, assistiram um filme e acabaram transando. O que já era mais que normal. Apesar de terem namorado e morado juntos por anos, ainda eram muito amigos e quando precisavam do outro, estavam sempre ali. E claro que sexo sem compromisso, rolava. Era simples e fácil. Não tinham complicações e nem constrangimentos com isso. Eles se davam bem assim.
Quando chegou ao hospital, não demorou para seu Paiget tocar. Era sua paciente misteriosa e quando chegou no corredor viu muitos enfermeiros e o médico plantonista.
Nina: O que aconteceu? Perguntou assim que chegou ao quarto. Uma enfermeira a respondeu.
- Ela acordou. Disse sorridente e Nina sorriu também.
Nina: É sério? Disse já entrando no quarto sem nem escutar a resposta da enfermeira. Por um instante as duas se encararam. E Nina viu os grandes olhos azuis ainda confusos. - Você acordou...
- Ela acordou faz pouco tempo, apresenta alguns sinais de confusão. O médico a informou. Nina se aproximou de Alana.
Nina: Eu sou a Nina. Sou a sua médica. Alana ainda a encarava. - Como se chama? Se lembra como se chama? Perguntou.
Alana: Alana. Eu me chamo Alana. Respondeu.
Nina: Alana, nós vamos fazer uns exames está bem? Para saber se está tudo bem com você. Se não há nenhuma sequela e se todos seus reflexos estão bem. - Preparem a sala de ultrassonografia. Pediu e aos poucos as enfermeiras iam saindo, e Nina também se afastou, mas Alana segurou seu pulso. Nina se virou a encarando.
Alana: Minha família...quero ver minha família. Pediu - O Afonso...preciso vê-lo... Pediu com voz embargada.
Nina: Alana, se acalme, está bem? Vamos fazer os exames e depois conversamos.
Alana: Preciso vê-los.
Nina: E você vai. Está bem? Alana assentiu.
Alana: Meu bebê? Eu perdi o meu bebê? Nina pode ver a angústia no olhar da sua paciente. - Não sinto comigo...
Nina: Sinto muito... Disse pesarosa. Sabia que tinha se envolvida além da conta com a história de uma paciente. Mas nem ela sabia explicar a conexão que sentiu ao ver Alana chegar naquele hospital. Alana tocou em sua barriga e as lágrimas vieram com facilidade.
Alana: O Afonso já sabe?
Nina: Quem é Afonso?
Alana: Meu noivo. Afonso é o nome dele. Vamos nos casar em duas semanas. Nina ficou sem reação. Ela tinha noivo e família, mas não entendia como ninguém veio procurá-la.
Nina: Alana, precisamos conversar. Mas primeiro vamos fazer os exames. Alana não entendeu muito bem a reação da sua médica.
Quase meia hora e Nina ainda olhava para os exames de Alana, estava tudo ok, sem nenhuma sequelas. Alana se lembrava de tudo, contou como saiu do carro, do assalto, contou sobre seus familiares e os médicos ouviam chocados. Mas ninguém da junta médica entendia, o porquê da família não ter a procurado.
Fred: Você precisa contar a ela, que já fazem dois meses que ela estava em coma e ninguém da família apareceu. O chefe de cirurgia interferiu na conversa.
Nina: Não posso contar isso assim. Não posso simplesmente depois de tudo o que aconteceu dizer ninguém da família dela a veio procurar.
Julian: Nina, essa é a verdade. O que pretende fazer? Ela vai perguntar, vai sentir falta da família.
Nina: Podemos pelo menos procurar entrar em contato com a família dela. Essa é a nossa obrigação. E se a família não souber que ela está aqui?
Julian: Eu acho que você já se envolveu demais nesse caso. O neurologista falou.
Alberto: Eu acredito que ela tenha razão, vamos informar primeiro a família, mas antes converse com ela, explique toda a situação. Disse o diretor do hospital.
Nina voltou ao quarto de Alana. E ela acabava de comer.
Nina: Pela sua cara, a comida não me parece boa.
Alana: É horrível, não tem gosto de nada.
Nina: É assim mesmo. Mas em breve poderá comer as coisas que gosta em breve.
Alana: Eu espero mesmo, ainda tendo um noivo que é chefe de cozinha dono de um dos restaurantes mais caros do país. Nina se aproximou dela.
Nina: Então seu noivo é dono de um restaurante?
Alana: Sim. E quem sabe um dia poderemos jantar lá? Eu soube que nunca desistiu de mim, que as vezes até ficava aqui me observando.
Nina: Quem contou?
Alana: Uma das enfermeiras que veio trocar o meu soro.
Nina: É verdade. Desde o dia que chegou aqui eu me afeiçoei por você. Não sei explicar, mas senti como se precisasse de mim e nunca desacreditei que iria acordar. Nunca tinha depositado tanta esperança em alguma coisa antes. Disse sincera.
Alana: Você não é lésbica é? Por que já te aviso que não tem a menor chance. Brincou e as duas riram.
Nina: Não sou. Pode ficar despreocupada, apesar de te achar muito linda e que eu te pegaria.
Alana: Obrigada, me sentiria lisonjeada já que você também é uma mulher muito bonita. Ambas se sentiam a vontade para conversarem tão abertamente uma com a outra.
Nina: Alana, nós precisamos conversar. Talvez as coisas ainda estejam um pouco confusas para você. Bom, já se passaram dois meses desde o dia em que esteve aqui. Alana a encarou com choque e surpresa. - Você foi encontrada jogada em uma rua perto da saída das ruas principais.
Alana: Dois meses? Perguntou sem acreditar.
Nina: Sim. Uma senhora quem te achou e chamou a emergência, quando chegou aqui estava sangrando entre as pernas e desacordada, havia um corte na cabeça, ficamos com receio desse ferimento te causar alguma sequela.
Alana: Eu me lembro de muitos carros no dia do assalto, o carro estava em alta velocidade, passávamos por muitas ruas movimentadas.
Nina: Não se lembra como saiu do carro?
Alana: Eu não consigo me lembrar direito. Tenho alguns flashes, mas está tudo embaralhado.
Nina: Tudo bem, não force muito. Acabou de acordar de um coma é normal que algumas coisas ainda fiquem confusa e você não se lembre muito, mas com o tempo as memórias vão vir. É normal também que sinta um pouco de dor de cabeça durantes esses dias, mas nada com que você deve se preocupar, está tudo bem.
Alana: Se eu fiquei dois meses aqui, então meu casamento já passou. Meus pais como estão? O Afonso? Minhas irmãs? Por que eles ainda não puderam entrar?
Nina: Como eu posso te dizer isso. Disse tentando encontrar as palavras certas. - Ninguém veio te procurar, não tivemos ninguém procurando por você aqui, Alana. Disse com pena.
Alana: Como? Perguntou pensando não ter escutado bem. - Como assim ninguém me procurou? Eles não sabem que estou aqui?
Nina: Eu não sei o que pode ter acontecido, Alana. Mas não tivemos nenhum parente ou alguém procurando por você. Sinto muito.
Alana: Isso não é verdade. Eles não podem ter feito isso comigo. Disse já com voz embargada.
Nina: Fica calma. Olha não sabemos o que aconteceu, no dia que chegou aqui, recebemos muitas pessoas feridas, o dia assalto deixou muitas pessoas mortas e feridas.
Alana: Espera. Eles podem...eles podem achar que estou morta? Perguntou temendo a resposta.
Nina: É uma possibilidade. Agora que já sabemos quem você é. Podemos entrar em contato com a sua família e saber o que aconteceu. Alana assentiu.
Mas sem saber que logo isso já nem seria mais necessário. Porque quando a junta médica começou a jogar no sistema do hospital que até então paciente sem nome era Alana Puente, o próprio sistema acusou erro já que existia uma Alana com os mesmos sobrenomes, só que morta. Assim que Julian neurologista e Fred entraram na sala do diretor do hospital.
Alberto: O que aconteceu? Perguntou ao ver os dois médicos ali parados com seus tablets na mão.
Julian: Temos um problema, e dos grandes. Disse e os dois entregaram os tablets. Alberto olhou os dois sem acreditar.
Alberto: Como isso é possível?
Julian: Talvez por isso a família nunca tenha procurado.
Fred: Acho que devemos nos preocupar, o hospital pode ser processado.
Alberto: Chamem o legista que estava aqui no dia. Como ocorreu um erro desses no meu hospital? Disse pondo as mãos na cabeça.
Julian: Precisamos chamar a família e explicar a situação.
Alberto: Quero todos os documentos relacionados a Alana Puente, desde os laudos médicos que constam que ela estava morta até os últimos exames feitos por ela agora. Ouviram a porta se bater. - Entra. Era a Secretária dele.
- Senhor Alberto, uma moça deseja falar com o senhor.
Alberto: Peça que aguarde um pouco. Estou ocupado no momento.
Secretária: Senhor...ela se identificou como Candice Puente. Disse temerosa, os boatos já circulavam no hospital. - E está com uma das enfermeiras do hospital.
Alberto: Que enfermeira?
Secretária: Dulce.
Alberto: Mandem a entrarem. Disse se levantando. Quando as duas entraram. - Senhorita.. foi interrompido por Candice.
Candice: Antes de qualquer coisa, eu quero ver a minha irmã. Disse direta.
Alberto: Precisamos te contar com calma o estado clínico da sua irmã. Nós escute primeiro, estamos tão confusos quanto a senhorita.
Dulce: Vamos escutar o que eles tem a dizer. Candice assentiu.
Candice: Tudo bem.