83. Elema

1644 Palavras

Ficamos na cozinha por um tempão, Bianca e eu. O chá dela esfriou, aqueceu, esfriou de novo. Clara trouxe mais pão de queijo, depois frutas, depois um bolo de laranja que tava tão fofo que parecia nuvem. A gente comeu tudo. Sem culpa. Eu tava grávida, ela tava de folga da família, ninguém ia nos julgar. — Você sabia que o Salvatore chora vendo filme de cachorro? — Bianca soltou do nada, os olhos brilhando de malícia. — Não. — Chora. Soluça. Uma vez eu fingi que não tava vendo, mas tava. Ele pegou o lenço, assoou o nariz, tudo. — Isso é a coisa mais fofa que já ouvi sobre ele. — Não conta pra ninguém. Eu te mato. — Pode deixar. Segredo de garota. Ela riu, mordendo um pedaço de bolo. — E o Dante? O que ele faz de patético que você nunca contou? Pensei por um segundo. — Ele não sabe

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