primeiros passos no morro

618 Palavras
Capítulo 2: Isabel O sol m*l tinha nascido quando Isabel acordou com batidas fortes na porta do pequeno quarto improvisado ao lado do posto. Beatriz entrou apressada, o rosto tenso. — Isabel, temos um caso urgente. É uma senhora doente que mora aqui perto. Parece grave. Isabel, ainda meio sonolenta, trocou de roupa rapidamente e pegou sua maleta de primeiros socorros. Enquanto caminhavam pelas vielas apertadas, os olhares dos moradores seguiam seus passos. Alguns acenavam timidamente, enquanto outros simplesmente observavam, curiosos. Chegaram a uma casa pequena e m*l iluminada. Dentro, uma senhora estava deitada em uma cama velha, com respiração ofegante e um olhar cansado. — Ela tem problemas de pressão alta — explicou uma mulher mais jovem, que parecia ser sua filha. — Mas ontem começou a piorar. Isabel fez perguntas rápidas enquanto examinava a paciente. Depois de checar a pressão e ouvir os pulmões, percebeu que se tratava de uma crise hipertensiva que precisava de cuidados urgentes. — Vou estabilizá-la por enquanto, mas ela precisa de acompanhamento constante. E medicamentos, que pelo visto vocês não têm aqui, certo? — Isabel disse, olhando para a filha. A mulher balançou a cabeça, sem jeito. — Vamos dar um jeito — disse Isabel, sem hesitar. --- Um Encontro Inesperado Enquanto retornava ao posto, Isabel notou uma movimentação incomum no morro. Homens armados passavam pelas ruas, conversando em voz baixa, e os vapores pareciam mais tensos que o normal. — O que está acontecendo? — perguntou Isabel a Beatriz. — Provavelmente alguma reunião do Muralha com os homens dele. Você vai se acostumar. — Beatriz respondeu com um tom cansado. De volta ao posto, Isabel estava organizando os materiais quando ouviu passos pesados na porta. Ao olhar para cima, lá estava ele: Muralha. Ele entrou no posto como se fosse dono do lugar, com uma presença tão imponente que parecia diminuir o tamanho da sala. Isabel notou a postura rígida, o olhar frio e o porte atlético. — Você é a doutora nova? — perguntou ele, sem rodeios. — Sim, sou Isabel. — Ela não demonstrou medo, embora sentisse um frio na espinha. — Precisa de alguma coisa? Muralha olhou ao redor, avaliando o lugar, antes de responder. — Um dos meus homens levou um tiro ontem. Quero saber se você é capaz de fazer seu trabalho direito. Isabel cruzou os braços, mantendo a postura firme. — Atendi todos que vieram aqui ontem. Se o rapaz está vivo, é porque fiz o meu trabalho. Por um momento, Muralha pareceu surpreso com a ousadia dela. Ele deu um leve sorriso de canto, mas logo voltou à expressão séria. — Só quero deixar claro: aqui você está no meu morro. Qualquer problema, me avisa. Ele virou-se para sair, mas parou na porta. — E, doutora, cuidado com quem confia por aqui. Isabel ficou parada, processando as palavras dele. Aquele homem era uma figura perigosa, mas algo em seu olhar parecia esconder mais do que apenas brutalidade. Noite de Reflexão Naquela noite, Isabel não conseguia dormir. Sentada na cama, pensava na conversa com Muralha e no que Beatriz tinha lhe dito sobre as regras do morro. Era um lugar cheio de desafios, mas também repleto de pessoas que precisavam de ajuda. "Por que eu sinto que ele está mais ferido por dentro do que qualquer um que atendi aqui?", pensou Isabel, lembrando do olhar dele. Enquanto isso, no alto do morro, Muralha observava as luzes da cidade ao longe, com uma garrafa de whisky na mão. Ele também pensava em Isabel, intrigado com a coragem dela. Para ele, ninguém entrava em sua vida sem que ele permitisse, e essa médica parecia estar cruzando uma linha que ele não sabia se queria manter intacta.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR