Miguel adentra o escritório de Rafael Fernandes sem ser anunciado, a pobre secretária tenta convence-lo a esperar, mas é difícil argumentar com um renomado advogado conhecedor de uma linguagem culta e até mesmo pretensiosa quando se é apenas uma pessoa formada no ensino médio. Rafael se coloca em pé e passa as mãos pelos cabelos brancos. Seus olhos estão levemente inchados, as mãos tremem pelas grandes doses de café incheridas a pouco, mas ainda assim, na visão de Miguel, o doutor parece confiante ao cumprimenta-lo com um forte aperto de mão. Os dois não são colegas, tão poucos amigos. Mas ainda assim são educados o suficiente para trocar causalidades: - Como vai? - Rafael é o primeiro a perguntar mesmo sabendo que a resposta será como um tiro de canhão. - Um dos meus

