†Capítulo 42†

1084 Palavras

Getulio Existe um tipo de silêncio que não descansa. Não é o silêncio da madrugada, nem o da igreja vazia após a última vela ser apagada. Esse eu conheço bem. Esse eu sei atravessar. O outro — o que se instalou agora — não se deixa conduzir. Ele observa de volta. É nele que penso quando acordo antes do despertador, com a sensação incômoda de ter esquecido algo importante sem saber exatamente o quê. Elisa não me escreve há três dias. Três dias não significariam nada em outro contexto. Mas agora, cada ausência pesa mais do que uma presença excessiva. Aprendi a reconhecer o padrão dela com precisão desconfortável — e aprendi, tarde demais, que padrões mudam quando alguém deixa de ser previsível. Levanto-me e sigo com a rotina como se ela ainda existisse intacta. Orações, banho rápido,

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