O escritório de Filipe estava mergulhado em uma penumbra confortável. A luz suave do final da tarde filtrava-se pelas persianas semiabertas, iluminando os documentos espalhados sobre a mesa de madeira escura. Ele estava perdido em pensamentos, olhando para os números no relatório financeiro à sua frente, mas sua mente divagava para o impasse que vivia. A proposta do casamento, a pressão de salvar o legado da família e a sombra constante do fracasso pairavam sobre ele como uma tempestade. O som de batidas leves à porta o tirou de seu torpor. Antes que pudesse responder, a porta se abriu ligeiramente, e Susana apareceu. — Está muito ocupado ou posso entrar? — perguntou ela, um sorriso despreocupado no rosto, mas os olhos atentos à expressão tensa de Filipe. Susana era o tipo de pessoa que

