Liberdade

800 Palavras
Melissa ouviu o barulho da porta se fechando. Rapidamente levantou da cama e se trocou, fez uma careta para a dorzinha no meio das pernas. Saiu do quarto e caminhou pelo corredor. Notou uma porta entreaberta no final dele. Voltando em seus passos foi até aquele quarto. Ao escancarar a porta deu de cara com inúmeras pinturas dela. Na verdade, não era ela, mas se parecia muito. As luzes do estranho estúdio ligaram e pôde ver com clareza. O tom de pele, a cor do cabelo e dos olhos eram totalmente diferentes. — Sou eu! — Exclamou assustada. Parou em frente de um grande quadro, onde a jovem era retratada em um bosque, assim como a Monalisa seu sorriso era enigmático. “Não temos tempo, você precisa achar Clara” —a voz do lobo falou em sua mente. Antes de sair do quarto, uma outra gravura jogada no chão, chamou sua atenção. Abaixando e pegando, viu um desenho rico em detalhes com a frase: “Minha preciosa Alicia”. Aquilo machucou o coração de Melissa. “Eu só sou uma substituta”, pensou amargurada. Dobrou o papel e o colocou no bolso da calça jeans preta que estava usando. Saiu do quarto, raiva crescendo em seu interior. O colar no seu pescoço começou a esquentar. Pôs a mão nele e tentou tirá-lo não conseguindo. — Que merda é essa? “O colar está enfeitiçado, ele está drenando seus poderes e é por isso que não pode se comunicar com Draco”. “Como faço para tirá-lo?” “Clara irá conseguir, vocês são opostas”. “Onde ela está?” “Pense nela, imagine seu rosto. Concentre-se”. Melissa parou no meio da grande sala daquele apartamento. Respirou fundo, fechou os olhos e se concentrou. Imaginou a j*****a em sua mente. Os cabelos pretos e lisos, pele leitosa, olhos escuros, cara amarrada. Passou vários minutos até ela sentir um estranho vento circulando seu corpo. Quando abriu os olhos viu uma espécie de nuvem ao seu redor. Não teve tempo de ficar estupefata, a pequena nuvem saiu em disparada e ela correndo atrás. *** Estava perdendo a sanidade. Todo aquele tempo presa na cela que estava, fez com que Clara entrasse em desespero. Não sabia que lugar era aquele, quanto tempo tinha decorrido. Seus espíritos elementares estavam quietos, e toda vez que pensava neles doía a cabeça. O corpo-seco que a mantinha presa, vinha de vez em quando dar uma olhada nela. Isso era o pior, o monstro entrava na mente dela e jogava imagens terríveis, tudo envolvendo a morte sangrenta dela. — Trouxe sua comida — falando no monstro, ele apareceu com uma bandeja nas mãos, nela um prato com algo verde e um suco de laranja. Clara se encolheu no canto e nada disse. — Vê se come desta vez, não quero que o chefe corte minha cabeça, porque você morreu antes do tempo. Clara permaneceu calada. Ela não se arriscaria em comer ou beber qualquer coisa que aquele monstro entregava para ela. Na cela em que estava, tinha um banheiro sujo, com um sanitário e uma pia de onde bebia água. — Sabe o que o chefe vai fazer com todas vocês? — André perguntou ao abrir a porta e entrar. — Ele vai drenar todos seus malditos poderes, nestas coisinhas que estão em seu pescoço. Depois disso vai trazer a amada dele a vida. Clara levantou a cabeça interessada. “Isso aí pode ser importante”, pensou ao endireitar o corpo. — E como ele pretende dar uma de Jesus e ressuscitar os mortos? — Coma a comida, garota estúpida. — Ele se moveu rápido e a pegou pelos cabelos trazendo-a para mais perto da bandeja. Clara ignorou a sopa e pegou o copo de suco, bebericando um pequeno golinho do líquido amargo. — Acho que você não sabe, como seu chefe vai trazer à amada de volta. — Clara disse dissimulada. — Vai ver, ele não confia em você. — Não seja i****a — rosnou para ela, mostrando as presas e lançando um hálito fedido. — Eu sei de tudo. — André se vangloriou. Na realidade, a garota estava certa. Nicolas nunca tinha falado nada para ele, tudo o que sabia era devido, escutar por trás das portas. — Depois que tivermos vocês quatro e seus poderes drenados, meu mestre vai sacrificar a estúpida garota do fogo, a que parece com a amada do chefe. Ele vai sacrificá-la em um ritual e a alma de Alicia voltará dos mortos e assumirá o corpo dela. — Deu uma sonora gargalhada. — Vocês humanas são tão idiotas. Sabia que ele está comendo ela? Clara ia responder algo, quando um barulho foi ouvido, seguido de um vento gelado e da terra tremendo.
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