Inferno na terra

1756 Palavras
— Meu nome é Melissa — ela se apresentou para as outras garotas. — Sou a Karen — a ruiva deu um passo à frente. — Clara — a asiática de expressão fechada disse. — Megaliz ou apenas Liz — a loirinha enxugou os olhos. — Alguém sabe o que está acontecendo. — Acho que somos zumbis — Melissa andou até a porta da sala e espiou o corredor vazio. — Não seja estúpida — Criticou Clara. — Então explica aí. Como se acorda em um necrotério sem ser um zumbi — Exclamou Melissa sem tirar os olhos do corredor. Eu ainda acho que estou louca, vou acordar a qualquer hora dentro do hospital, acho que a quimio está fazendo m*l ao meu cérebro, pensou ao avistar um armário cheio de panos. “Já disse que seu corpo foi restaurado para me receber”. — A voz disse impaciente. “Ouvir vozes na cabeça é um claro sintoma de doença mental” — informou sarcástica em pensamento. — Eu não sei. Mas dizer que somos zumbi é forçar a barra. Melissa testou a porta e constatou que não estava trancada. Saiu para o corredor m*l iluminado. — Onde você está indo? — A loira perguntou colocando a cabeça para fora da sala. O corredor tão frio quanto o interior da sala. — Vou ver se aquele armário ali — apontou para o meio do corredor — Tem alguma coisa para vestirmos, porque — apontou para o próprio corpo — túnica não faz meu estilo. As luzes acendiam conforme ela ia andando. Ao chegar em seu destino, vasculhou todos as prateleiras até achar roupas estilos aquelas que os médicos usavam no centro cirúrgico de cor azulada, composta de calça e blusa. — Bingo! — Mostrou para ela triunfante. — Ajuda aqui. — Quando Liz chegou mais perto entregou quatro conjuntos de roupas. Em uma caixa no alto achou sapatos de TNT[2], pegou a caixa toda e as duas voltaram para sala com as outras. — ... só acho que a explicação somos zumbis é totalmente burra. — Concluiu Clara, quando viu Melissa virou a cara. — Você é antipática assim com todo mundo ou tem problema comigo? — Jogando a caixa que estava em suas mãos na mesa no centro da sala encarou a asiática. — Se eu acho que somos zumbis de verdade? — Ela pegou o conjunto de roupas, soltou o lençol e começou a se vestir. — É óbvio que não, mas até ontem, estava em um hospital entre a vida e a morte, com uns cinquenta tubos saindo por meu corpo. Meu cabelo — pegou uma mexa depois de vestir a blusa — inexistente. E aqui estou viva, respirando, com uma voz irritante na minha cabeça e com cabelo. “Eu não sou irritante” — A voz disse. — “E já te expliquei o que aconteceu”. “Você não explicou p***a nenhuma”, retrucou em pensamento. — E se é a p***a do apocalipse zumbi que está acontecendo ou se é a maldita quimioterapia que está afetando meu juízo, que se f**a. Todas as portas se fecharam ao mesmo tempo, assustando as meninas. Melissa sentiu a mão se aquecer. Trouxe ela para frente e abriu os dedos. Não tinha notado que, cerrou as mãos. Dentro delas uma bola de fogo apareceu. — Ai meu Deus! Ai meu Deus! Ai meu Deus! — Entrando em pânico começou a sacudir a mão para tentar apagar. — A pia rápido! — Gritou a ruiva correndo na direção e já abrindo a torneira. Melissa colocou-a embaixo da água corrente e após uma pequena quantidade de vapor subir, finalmente o fogo sumiu. — Então. Com que frequência você ouve vozes? — Perguntou Karen sorrindo para ela. — Todo tempo. — Melissa caiu na gargalhada, seguindo pelas outras. Menos Clara. — Acho que zumbis não criam combustão espontânea e nem tem vozes falando em suas mentes. — Declarou Liz, segundo o exemplo de Melissa, todas as outras vestiram as roupas. — E nem tem tatuagem. — Pulando em um pé só mostrou para todas o lobo em seu tornozelo. — Quem foi o mané que tatuou um lobo no meu pé? — questionou Karen. As outras procuraram em suas próprias pernas. — Nada aqui. — Falaram em uníssono Clara e Melissa. — Não tenho um lobo, mas tenho uma águia. — Liz mostrou o pulso. — Isso não estava aqui, quando entrei no hospital para fazer uma cirurgia. — O que sabemos até agora. — Karen contou nos dedos. — Acordamos em um necrotério, depois de morrermos, alguns de nós, aparentemente pega fogo sem se queimar, temos vozes em nossas cabeça e — olhando para asiática com um sorriso zombeteiro no rosto — não somos zumbis. Clara bufou e saiu pela porta. Melissa olhou para as outras três e deu de ombros. — Eu não sei o que está, acontecendo, mas vamos atrás de respostas. As quatro garotas entraram no elevador no final do corredor e seguiram para o andar de cima. O prédio em que estavam só tinha dois andares e o térreo, como demonstrava o painel com os números luminosos. Sentindo o sacolejar da caixa, Melissa lembrou do elevador do trem que pegava para ir trabalhar. — Sabe nós parecemos os smurfs nestas roupas. — Com esta observação espertinha as quatro sorriram. Quando o elevador abriu as portas, mostrou a visão do caos. Para onde elas olhavam viam corpos e sangue. Uma cabeça rolou até os pés delas, e as quatro gritaram em terror. *** Tem poucas coisas na vida que assustavam Melissa, como ratos, baratas, aranhas, ciganos, mas uma cabeça decapitada rolando até seus pés, definitivamente entrou para o topo da lista. Com o grito das quatro, todos que estava no lugar pararam para olhá-las. — Fecha a porta! Fecha a porta! — Gritou Clara. “Você precisa do fogo agora” — gritou a voz na cabeça dela. “Como eu faço isso?” “Garota estúpida” “Não me chame de estúpida!” — raiva subiu nela. Um homem de olhos vermelhos e sangue pingando da boca agarrou as portas do elevador, evitando que as mesmas se fechassem. “Garota estúpida vai morrer se não fizer o que eu estou falando” — A voz soou irritada. Melissa sentiu suas mãos esquentarem, quanto mais brava ficava com a maldita voz mais a mão esquentava. Ela olhou para a criatura na sua frente, e as outras meninas gritavam em pânico, por um instante tudo ficou no mais absoluto silêncio. Foi como o mundo todo entrasse em câmera lenta de repente, ela abriu a mão e uma bola de fogo se formou. Não sentiu medo desta vez. Afastou seu braço para trás e lançou. O fogo atingiu o peito da criatura em cheio e se espalhou por todos os lados. A criatura soltou as portas e tentou apagar as chamas. Antes do elevador se fechar, Melissa viu o monstro virar um monte de cinzas. — Que p***a foi aquela? — Liz gritou. — Você acaba de colocar fogo em uma pessoa. — Clara acusou Melissa — Qual o seu problema? — Olha aqui j*****a, você está presa em um elevador com uma pessoa que taca fogo pelas mãos, não acho sensato me irritar. — Melissa socou o dedo no número um do painel e o elevador voltou a descer. — E outra. Caso você, não tenha visto. Uma pessoa não vira cinzas em meio segundo. — Nem cabeças decapitadas. — Karen apontou para o chão onde um monte de cinzas se encontrava. Todas olharam estupefatas. — A explicação de sermos zumbis não é tão fantasiosa assim agora. — Liz disse olhando para a Clara. Essa, assim que abriu a porta do elevador saiu. — O que vamos fazer agora? — Perguntou Karen. — Primeiro vamos nos certificar que este elevador não suba. — Melissa parou segurando as portas. Clara pegou o carrinho do faxineiro e levou até onde ela estava. Tirou o esfregão do balde e colocou no meio das portas. — O que vamos fazer agora? — Clara perguntou a contragosto. Por que essa garota não gosta de mim? Melissa olhou indignada para a nuca da outra mulher. “O elemento dela é contrário ao seu” “Como assim?” “Você controla o fogo. Clara a água, a ruiva a terra e a loira o ar, somos espíritos elementares e estamos aqui para ajudar a terra. Seu corpo é um receptáculo. A partir do momento em que você morreu eu assumiria até o momento de cumprir o meu propósito”. “Por que eu?” “Você estava à beira da morte, só podemos assumir um corpo recém-morto, nunca em todos estes anos, habitamos um corpo com a alma do hospedeiro junto. Algo está errado e a prova disso são os não mortos no andar de cima”. “Não mortos? Você diz vampiros?” “Estive acessando suas memórias, e acredito que este termo é o mais apropriado”. — Merda! — Falou em voz alta. — Que foi Melissa? — Perguntou Karen. — Bem a voz na minha cabeça disse que é um espírito elementar, que eu controlo o fogo, Karen a terra, Liz o ar e a Clara a água — ela tomou fôlego — Aquilo lá em cima era não morto ou corpos-secos, e antes que a senhorita pé no saco venha “com isso não existe”, isso explica muita coisa. — Lupus confirma isso. — Karen disse. — Quem é Lupus? — Perguntou Liz. — A voz... o elementar na minha cabeça — apontou para própria cabeça. “Você tem um nome?” “Pode me chamar de Draco”. — O meu se chama Draco. — Lupus diz que viu seus filhos lá em cima. Os homens lobos. — Aquele que Melissa tacou fogo? — Liz indagou. — Não. Os homens gigantes, com as espadas. — São mocinhos ou bandidos? — Perguntou Melissa receosa. — São os mocinhos, Lupus disse que podemos confiar neles. — Isso não importa no momento. — Clara cruzou os braços com cara de poucos amigos. — Temos que sair daqui e pelo elevador não é possível ou vamos parar novamente no mar de sangue. — Podemos sair pela saída de incêndio. — Apontou Liz para a placa luminosa. — Vamos lá. — Melissa começou a correr para aquela direção. — Vamos torcer para dar do lado de fora.
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