Nicolas saiu do carro e olhou ao redor do local. Uma trepidação que para os olhos dos humanos não era absolutamente nada. Ele sorriu e começou a entoar um cântico. Das sombras surgiram formas inanimadas.
— Aproveite o passeio. — Ele entrou no edifício. E se dirigiu ao elevador.
Observando os números diminuído no painel em cima da porta do elevador, algo dentro de Nicolas o alertou. “Não podem levá-la, não podem levar minha Mel... Alicia”, pensou confuso. “Eu tenho que chegar a tempo”. Apertando com força o ursinho na mão, torcia para o elevador chegar logo.
***
Melissa acordou no meio de uma clareira, cercada por árvores, flores e arbusto. Sentou de pernas cruzadas e confusa. Em um minuto estava em um calabouço preste a salvar a amiga e no outro no meio de uma floresta.
— Quem disse que quando morresse seria calma e tranquilo deve ter bebido muito — resmungou consigo mesma.
— Vejo que você acordou.
Virando para esquerda viu cinco jovens vestidas com túnicas brancas caminharem em sua direção. Elas eram tão diferentes umas das outras e ao mesmo tempo iguais. A que falou com Melissa, era alta de pele clara e longos cabelos pretos na altura da cintura. Tinha uma loira de cabelos claríssimos quase brancos, uma ruiva com o cabelo que na luz do sol parecia que estava pegando fogo. A quarta, com longos cabelos cacheados amarronzado, tinha o tom de pele igual a sua, de um chocolate ao leite cremoso a última lembrava uma linda índia, com cabelos lisos.
— Quem são vocês? — Perguntou Melissa abismada com a beleza do quinteto.
— Somos as primeiras. — Cada mulher tomou um lugar no chão em frente de Melissa. — As que deram a vida por escolha própria para criar o véu entre os mundos.
— Véu entre os mundos?
— Exato. — Ao que parecia a morena seria porta-voz de todas as outras. — Há milênios, a terra como é chamada hoje, era um reino único. Um lindo jardim, onde todos habitavam pacificamente, mas isso durou pouco tempo. — Ela fez uma pausa e olhou bem para Melissa. — Dependendo da religião que você foi criada, há uma explicação diferente para o mesmo feito. Vamos ficar com a queda do anjo de luz e na criação do que hoje é chamado inferno.
— Você está falando de Lúcifer?
— Se você é cristã, sim. Se você grega, será Hades, se for nórdica Loki, Dybbuk se for judia. Enfim, vários nomes para a mesma coisa.
— Ok!
— O ponto comum em todas essas histórias é que realmente existe um submundo onde as almas humanas vão para seu julgamento. — Fez uma pausa buscando as palavras certas. — E como tudo tem dois lados, para esta conversa vamos dizer o bem e o m*l. O m*l existe devido as más ações dos humanos, estas más ações geraram o que você conhece por demônios.
— Mas Lúcifer era um anjo que tinha inveja da criação de Deus, os humanos.
— Sim, sim, sim. Assim como Loki, etc. Não vamos aprofundar muito na explicação de onde é a raiz de todo o m*l. — Ela colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha. — Como eu dizia, a maldade humana cresceu de forma exponencial, e com isso os demônios obtiveram forças para agir neste plano. Vivíamos em total caos. Algo precisava ser feito. Nós sacerdotisas da luz...
— Sacerdotisas?
— De novo entra a semântica aqui, vamos dizer que somos bruxas boas, wiccas. Ou se você quiser, sacerdotisas de Avalon, ninfas, etc.
— Desculpe, é tudo meio novo e bizarro para mim.
— Nós entendemos. Há mais entre o céu e a terra que sua vã filosofia.
— Você acaba de citar William Shakespeare?
— Ele era um bom homem e um bom escritor. — Ela sorriu. — Como eu ia dizendo, nós nos reunimos, através de um chamado superior. Não nos pergunte quem. Só acordamos em uma determinada noite e corremos para cá. — Ela abre os braços e mostra ao seu redor. — Um ser de luz nos deu instruções para criar o véu que iria aprisionar todo o m*l em um só lugar. Longe dos humanos.
— Uau!
— Sim, impressionante. Utilizamos a força da terra e assim nasceu os elementares. Ar, terra, fogo, água e espírito.
— Espera. — Melissa olhou para as cinco mulheres em sua frente. — Espírito? — A loira sorriu para ela.
— Sim. Espírito. De todas nós, ela é a mais poderosa. Responsável por nos unir. — Ela desenhou símbolos no chão. — Temos a água e o fogo. Os elementos mais opostos que existe. A terra que abriga a todos e o ar que está presente em todos os lugares, ou seja, ele é disperso. Não tem nada que nos unam. Assim nasce o elemento espírito. Ele é a junção de todos os outros, mais a esperança, bondade e amor, pois do mesmo jeito que os humanos nasceram para o m*l, eles nasceram com a mesma proporção para o bem. O que pende a balança para um lado ou para o outro, é o meio em que eles habitam, a força que eles têm de combater, as forças malignas.
— Entendi.
— Entendeu mesmo Melissa? — A mulher olhou bem no fundo dos olhos da moça. — O seu desespero, a sua dor e mágoa te trouxeram aqui.
Melissa arregalou os olhos espantada. — Você foi traída, da maneira mais c***l que existiu. Pelo homem que você ama.
— Eu... não o amo. — Melissa apertou as mãos no colo. — Mesmo que eu amasse, ele não me quer, ele quer outra.
A loira levantou e deu a mão para Melissa. — Venha, vou te mostrar algo.
— Lembre-se Melissa, ninguém nasce bom ou mau. — A morena disse.