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3038 Palavras
Adonis kappas Sabe quando o seu sonho levanta um voo muito, muito alto ao ponto de fazer todos ao seu redor vibrar com gritos eufóricos? Assim está o meu bistrô. Com certeza Andréa Escobar apostou muito alto e acertou em sua aposta. A decoração do lugar é chamativa e ao mesmo tempo atrativa. Algumas pessoas entram aqui por pura curiosidade, tiram algumas fotos e em seguida degustam o melhor que a cozinha russa, grega e francesa pode oferecer e assim ele passa os dias e as noites sempre movimentado. Chegamos ao ponto de ter que agendar as mesas, para evitarmos tumultos na frente da loja. — Presta atenção, Tina! — Escuto Kell reclamar alto dentro do salão. Eu olho na direção das duas garotas e tento entender o que está acontecendo ali. Tina veio do interior para a cidade a algumas semanas. Ela decidiu voltar a estudar e por incrível que pareça decidiu fazer faculdade de gastronomia. Eu super apoiei e para isso, lhe ofereci um emprego aqui no bistrô. Assim ela pegaria experiência no assunto e teria como pagar os seus estudos também. — O que está acontecendo aqui? — pergunto interrompendo a confusão das duas e Kell me lança um olhar impaciente. — Ela tinha que levar a sopa de espinafre para a mesa 34 e olha o que ela fez comigo! — Minha filha disse irritada, apontando a sua roupa suja com um creme verde. — Não foi porque eu quis! — A garota rebate nervosa. Eu olho para as duas e decido apaziguar a pequena guerra sem sentido. — Calma filha, foi um acidente — falo em seguida. — Acidente nada! Ela estava desatenta e olhando para o senhor, ao invés de prestar atenção no seu trabalho! — Kell rebate claramente irritada. Eu puxo uma respiração audível. Ok, eu sei que a Tina ainda nutre algum tipo de paixonite por mim. Mas eu fui bem claro quanto a sua situação aqui e de verdade, eu espero não ter motivos para arrependimentos. — Ok, filha. Vai se limpar e trocar essa roupa e você, pegue outra sopa e leve à mesa 34 e dessa vez tenha mais atenção, Tina — digo com um tom profissional. Ela assente e sai levando a bandeja consigo. Kelly me encara furiosa. — Estou de olho nela pai. Se ela se aproximar um centímetro de você, eu não vou alisar — rebate me fazendo arquear as sobrancelhas para ela e como a Flávia costuma fazer, Kelly leva dois dedos aos seus olhos e depois os aponta para mim e sai me dando as costas. Um claro aviso. Penso. Kell é uma adolescente que se revelou muito ciumenta desde que a Tina chegou aqui. Sem falar que às vezes ela sente ciúmes até da própria irmã quando estou lhe dando atenção demais. É uma atitude bastante aceitável, já que ficamos cada dia mais grudados, ao ponto dela conversar bastante comigo, se abrir sobre o seu dia a dia na escola e sobre os seus sonhos. Volto para o meu serviço de arrumar a adega colocando alguns vinhos de uma forma estratégica em seus devidos lugares e os separando de acordo com a data de envelhecimento. São garrafas bastante caras e importadas também e quando termino decido voltar à cozinha e ver como estão as coisas por lá. Essa é a parte que me fascina. A enorme cozinha tem um movimento contagiante e agitado de cozinheiros e de ajudantes. Eles andam driblando um ao outro, fazendo os pratos com um requinte de um rei e com maestria. Isso mesmo. Devido ao grande movimento do bistrô, tive que contratar novos funcionários e entreguei a administração do lugar nas mãos do meu amigo Oliver. Porém hoje Naty tem uma apresentação muito importante e ele e a Flávia tiveram que ir. Minutos depois, adentro o meu pequeno e aconchegante escritório e me sento na cadeira acolchoada atrás de uma mesa lotada de papéis. A parte burocrática do negócio é o que tira o meu brilho. Definitivamente eu não nasci para isso. Olho por um tempo para a pilha de papéis e não sei exatamente por onde começar. A porta do escritório se abre e sorrio ao ver Agnes passar por ela. Contorno a minha mesa e esqueço completamente a pilha de papéis quando vou ao seu encontro, a puxando imediatamente para os meus braços e a beijo cheio de saudades. Agnes estava em mais uma das suas viagens da moda. Dessa vez em Londres e eu tive que ficar uma semana inteira longe dela. — O que a Tina faz aqui? — pergunta assim que se afasta. Seu tom de voz não esconde a sua indignação. Eu coço o couro cabeludo imediatamente e penso em uma resposta plausível para lhe dar. — Então... é... a Tina veio para estudar aqui na cidade — falo de uma só vez. Seus olhos escuros me encaram perplexos. — Esperou eu chegar para me contar? — Ela ralha se afastando um pouco dos meus braços. — Amor, eu só não queria chatear você. — Tento ser complacente. — Sabe o que ela sente por você, não é? — indaga demonstrando o seu desgosto. — Hum, eu sei o que eu sinto por você — respondo com uma voz sedutoramente arrastada e beijo a pele macia do seu pescoço. Ela geme em resposta e eu já posso até ver que fechou seus olhos, para apreciar o meu toque. — Só não quero que ela me cause problemas, Adonis. Porque eu baixo o espírito da Flávia Simões e não me respondo por mim. — Agnes diz tentando impor raiva na sua voz, mas o fracasso é nítido. — Nossa, que mulher brava! — ralho erguendo uma perna sua e aperto o seu corpo contra o meu. Deus do céu, estou louco de saudades dela! — Eu não estou brincando, hein? Mantenha a Tina longe dos seus calcanhares — rebate, quer dizer geme. Seguro o riso e volto a beijá-la. — Sim senhora. Não se preocupe, a Kelly Ferraço tem ciúmes suficiente para mantê-la bem longe de mim — digo com um tom de brincalhão, mas a Agnes me encara interrogativa. — Não vou nem tentar entender o que aconteceu, ou eu já ponho essa atrevida no olho da rua. — Dessa vez diz com rispidez e tenta se afastar. — Agnes amor, eu só tenho olhos para você — falo puxando a minha mulher de volta para os meus braços. — É bom mesmo. — Ela aponta o meu nariz com o seu indicador e eu a tomo em um beijo mais, só que esse é mais intenso. — Pode parar com a sessão de beijinhos. Se eu não posso, vocês também não podem! — Flávia diz invadindo o meu escritório birrenta e com um Oliver desanimado logo atrás dela. — Ué, porque não pode beijar? — Minha esposa pergunta se virando de costas para mim, mas ainda escorada ao meu corpo. O seu olhar libidinoso me encara quando sente o meu volume em sua b***a. Dou de ombros, fazer o que? Estou morrendo de saudades, será que você não percebeu querida? A Flávia encara o Oliver possessa, então deduzo que há um problema no paraíso. — Estou de greve. — Ela simplesmente diz se jogando no sofá de três lugares do meu escritório. — Como? — Agnes e eu perguntamos em uníssono. — Greve. Sabe, quando a gente para as atividades e deixa o patrão na mão? O Oliver vai ficar na mão literalmente. — Agnes se afasta de mim e vai até sua amiga e rapidamente eu puxo alguns papéis e os levo ao meu meio, tentando esconder vocês sabem o que. — Posso saber o motivo dessa greve? — Minha esposa pergunta. — Claro, que pode. — Ela diz quase fulminando o marido com os olhos. — Acredita que o meu maravilhoso Deus do Olimpo estava torcendo o pescoço para olhar a b***a de uma mulher no supermercado? — Amor, eu não estava... — Oliver tenta se explicar. — Estava sim, eu vi! Você ficou de olhos bem duros, estava concentrado naquela b***a redonda, dentro daquele jeans tamanho quarenta e quatro. E a safada ainda passou rebolando e olhando para ele. Oliver Borbolini eu arranco esses olhos lindos e charmosos. Olha o que eu estou te dizendo. — A mulher fala com um tom ameaçador, porém posso dizer que engraçado também, mas nem me atrevo a rir. — Alguém pode dizer para essa maluca que eu não estava olhando a b***a de ninguém? — Oliver protesta quase que em desespero. — Então porque virou a cabeça quando ela passou? Oliver, eu não sou i****a! — rebate levando as mãos a cintura. — Não minha flor, você é a minha — Começa a falar todo sedoso, se aproximando dela, mas a Flávia lhe aponta o dedo e ele para imediatamente. — Estou de greve. Se não olhou para aquele bundão, pelo menos fica de sobreaviso que não deve olhar. — Ela diz completamente séria e Oliver arregala os olhos em espanto. — O que? Vou ficar de castigo mesmo não tendo olhado? — inquire exasperado. — Vai. — Agnes e eu nos olhamos. Ela dá de ombros e eu também. Uma coisa que aprendemos desde cedo sobre esses dois, é que não dá para se envolver na briga deles. Em um minuto eles estão se debatendo e no outro... Ai é só contar nos dedos. Um, dois, três e lá vai o Oliver com a sua investida. — Mozinho?         — Hum? — Papai jura que não olhou. Eu só tenho olhos para sua b***a. — Ele diz todo manhoso e a danada sorri. — Verdade? — Verdadeira. — Jura? — Juradinho! — Aaah, meu Deus do Olimpo! — Ela se derrama toda manhosa. Viu, já estão se pegando outra vez. Vai entender esses dois. O ritmo dançante da danceteria contagia a nós quatro assim que entramos. Depois do entendimento entre Flávia e Oliver, eles sugeriram vir curtir a noite, já que as meninas passaram uma semana longe de nós dois. A minha ideia de curtição com a Agnes não era bem essa, mas confesso que estava precisando respirar outros ares e já faz muito tempo que não faço isso. Bistrô + Kell no colegial + cuidar da Carolina tem tomado muito do meu tempo. Tive a preocupação de ligar para uma babá para ficar com as duas meninas, mas a Agnes resolveu dá mais uma ocupação para Kell, ficar elas — digo Carolina e Natália, para podermos sair um pouco. Ela tem feito isso muito ultimamente.  — Vocês querem beber algo? — Oliver pergunta para as meninas. Elas fazem sim com a cabeça e depois de deixa-las bem acomodadas em uma mesa, seguimos direto para o balcão do bar para comprarmos as bebidas e algo para comer também. — Soube do Petrus? — Ele toca em um assunto que eu tenho mantido longe de mim durante esses anos. — Não — respondo com desdém. — Simone me disse que ele saiu hoje. — Aceno um sim com a cabeça. — Que bom! — falo sem olhá-lo. — Ah, qual é Adonis? O cara já pagou pelo que fez. Não custa você dá uma chance a ele. — Olha Oliver, se não quiser estragar essa noite para mim, é melhor não falar mais nada. — O corto irritado e ele para de falar. O garçom se aproxima do balcão e eu peço um número 10 e um número 32 do cardápio de bebidas. Oliver faz o mesmo. — Petrus está arrependido, Adonis. — Ele Insiste na conversa e eu bufo. — Gostaria que você ouvisse o que ele tem para falar — pede. Eu encaro o meu amigo com irritação. —Talvez eu o escute, mas não essa noite. Não quero nem ouvir falar no seu nome, pode ser? — peço ainda mais irritado com a sua insistência. Ele assente e a música alta cobre o nosso silêncio. Pego os copos e saio pela multidão tentando alcançar a nossa mesa, sem causar qualquer tipo de acidente. Ao me aproximar noto as meninas em um papo animado com um casal e quando chego ainda mais perto, reconheço a Simone mas o cara cabeludo ainda não faço ideia de quem seja e é quando ponho os copos em cima da mesa e beijo a minha esposa que encaro o casal a nossa frente e fico parado ali mesmo, apenas o olhando. — Oi, Adonis! — Petrus diz meio sem jeito. Eu não me dei ao trabalho de lhe responder, apenas olhei para o homem à minha frente, aparentemente muito bem, se não fosse os cabelos cheios e desajeitados. Fora isso, o cara veste um jeans desbotado e uma camisa de botão e a barba está feita. — Então, que tal se fossemos dançar um pouco? — Flávia diz animada, tentando desfazer o clima tenso em nosso meio. Agnes segura a minha mão e me puxa para a pista de dança. Só assim para me fazer mexer do meu lugar, porque eu já estava com a mão fechada em punho, louco para acertar a cara daquele maldito traidor. — Respira, amor. — Ela pede assim que ficamos de frente um para o outro. — O que ele veio fazer aqui? — ralho sem esconder a minha irritação. — Ele e a Simone só vieram se divertir um pouco. Foi coincidência nos encontrarmos aqui, só isso. — Porque eu sinto que não foi bem assim? No meio da dança, eu tento me esquecer de uma certa presença, mas é praticamente impossível, porque o mais novo casal está dançando bem na minha frente. A Agnes até tentou distrair-me dando alguns beijos leves em meu rosto e na boca. Então fechei os meus olhos e me concentrei em seus carinhos, mas quando a música terminou, decidi voltar para a mesa. Oliver e Flávia chegam à mesa assim que nos acomodamos em nossos lugares. Eu olhei para o casal do outro lado da mesa.  — Isso está com cara de armação do Oliver — comento. Agnes se mexe em sua cadeira ao meu lado e toma um gole da sua bebida e depois me olha nos olhos. — Se quiser ir para casa, eu vou entender. — É claro que eu quero ir para casa e não é por causa da presença do Petrus realmente. Eu tenho segundas intenções com isso. Quero ficar a sós com a minha mulher, quero amá-la, tirar de dentro de mim toda a saudade que está me sufocando nesses últimos dias. Nossos amigos voltam para a pista de dança depois de beber um pouco da sua bebida e de trocarem algumas carícias. — Vamos esperar a Flávia e o Oliver voltar, então nos despedimos e saímos daqui — falo a puxando para um beijo cálido, tomo um pouco do uísque intocado, um gole grande para me acalmar por dentro. Minutos depois os casais voltam da pista e uma garçonete trás o pedido de alguns petiscos que eu havia pedido. — A bebida já está acabando. — Simone diz bebericando o seu copo que já está pela metade. — Ok, vocês ficam ai e nós vamos pegar as bebidas, meninas. — Oliver se oferece por todos, se levantando da sua cadeira e Petrus faz o mesmo em seguida. Meu amigo me olha aguardando que eu me levante da cadeira. — Eu dispenso. Eu e a Agnes já estamos de saída — aviso. Ele arqueia as sobrancelhas e assente saindo com o irmão. — Porque não dá uma chance para ele, Adonis? — Simone pergunta me fazendo abrir um sorriso sarcástico. — Não estou pronto para falar com ele ainda, Simone. E confesso que se ele dirigisse a palavra a mim outra vez essa noite, não responderia por meus atos — falo entre dentes. — Merda Adonis, isso já faz doze anos! — Ela rebate com insistência. — Petrus já pagou pelo seu erro e quer saber, quer bater nele? Então bate. Se isso o levar ao perdão, bate nele. Meu Deus, vocês são como irmãos! — Irmãos não roubam os sonhos dos irmãos — rebato impaciente e puto da vida e para piorar essa situação, Flávia resolve se meter na conversa também. — Quer saber, vocês têm razão. — Ela diz apontando de mim para Simone e ambos olhamos para a mulher com confusão. — Adonis tem razão em estar chateado com o Petrus e a Simone em querer a redenção do namoradinho. — Ei, nós não somos... — Ela tenta rebater. — Ainda. — Flávia a corta. — Vocês exalam sexo no ar. Sabe aquele sexo reprimido? — Simone lhe lança um olhar embasbacado. — Eu não estou! — Ela retruca feito uma menina birrenta ficando com o rosto vermelho. Flávia como sempre aponta o seu dedo acusador na direção da garota. — A negação é a pior fase de um vício. Confessa, Simone, você sempre teve olhos para o tesudo do Petrus. Ou o cara é que é um cego ou e finge que não ver. — Flávia joga as palavras de uma vez. Simone fecha os olhos e respira fundo e quando ela os abre, me olha profundamente. — Uma conversa Adonis, só vocês dois. — Ela pede ignorando o comentário da amiga. — Não precisa ser aqui e nem precisa ser agora. Será que você pode fazer isso pelos nossos tempos de amizade? — pede me olhando com firmeza. Eu puxo a respiração e sem tirar os meus olhos de cima da loira e faço um sim derrotado com a cabeça. Vamos acabar de vez com essa palhaçada. Ele quer conversar? Ok, eu vou ouvi-lo, mas ele vai ter que me convencer, por que do contrário, essa será a nossa última conversa. Penso determinado e esvazio o meu copo. — Amanhã no bistrô. Estarei lá a noite toda, mas eu não prometo nada, Simone. Vamos Agnes — digo me levantando, jogo uma nota de cem em cima da mesa e saio dali o mais rápido possível. NOTAS DO AUTOR: Tina trabalhando para Adonis?? Perplexa aqui! Só acho que não será boa coisa! Adonis e Petrus, será que acontecerá um pedido de perdão, ou melhor, será que Adonis o perdoará?
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