Visita à Casa Do Meu Pai

1395 Palavras
Cheguei em casa e fui direto pro banho. Me lembrei das agressões, de tudo o que ele já me fez e chorei sem parar. Pouco depois, escutei as vozes de Lucas e Mel, que haviam chegado em casa. Lavei o rosto para que não notassem que eu havia chorado. - Mamãe! - Me chamou Mel assim que chegou em casa. - Tô no banho, amor. - Gritei. Ela abriu bruscamente a porta do banheiro.  - Hoje eu cai no pátio da escola, olha aqui. - Falou ao me mostrar seu joelho ralado. - Ah, não foi nada. - Claro, não foi você que teve o joelho sangrando sem parar. Ainda, tá doendo, sabia? - Depois a gente coloca um remedinho, tá meu amor? - Tá bom. - Falou com um largo sorriso. - Ah, e não demora nesse banho. Ela saiu do banheiro, e eu terminei de me banhar. Ao passar pela sala, vi que  Lucas estava vendo TV, ele nem olhou pra mim, e eu passei reto para o nosso quarto.  Estava penteando meu cabelo quando Lucas entrou, notei que ele estava com as duas mãos para trás, mas evitei de ficar o olhando, estava indignada com ele, havia me machucado muito. - Pra você. - Disse ao me mostrar um buquê de flores, que ele estava escondendo atrás de suas costas. - Como meu pedido de desculpa por ontem. Olhei para o buquê, que era lindo e depois olhei para ele. Lucas não tinha ideia do que eu precisava de verdade, eu não queria flores, queria amor, carinho, atenção e que ele não me batesse, só isso já bastava pra eu ser feliz. - Você tá brincando, né? - O questionei. - Claro que não. O que foi? Não gostou? Se quiser, posso tentar trocar. Qual é sua flor preferida? - Você me espanca e depois quer que eu aceite essas flores? Eu não quero seus presentes, eu quero amor, carinho e não ser seu saco de pancadas. - Ah, para Kimberly, quanto drama. - Falou de forma ríspida. - Drama? Fala sério, Lucas. Me faz um favor? Coloca essas flores no lixo, porque eu não quero m***a nenhuma. - Que p***a, Kimberly! Eu te compro flores na maior boa vontade pra te pedir desculpas e é assim que você me trata? Faz o que você quiser com isso, são suas. Ele colocou o buquê em cima da nossa cama e saiu do nosso quarto. Continuei penteando meu cabelo enquanto chorava sem parar tentando entender o porquê dele me tratar desse jeito, que vontade de pegar a minha filha e sumir, sumir pra nunca mais voltar, mas eu sabia que se eu fizesse isso seria pior, fora o fato que eu tinha medo dele querer se vingar de mim através da Mel, mesmo ele sendo apaixonado por ela, mas do Lucas eu não duvidava de mais nada. - Mamãe, não vai passar remédio no meu joelho? - Me perguntou Mel ao entrar no meu quarto. - Ainda tá doendo. - Já vou, querida. - Falei sem conseguir lhe olhar nos olhos. - Por que tá chorando, mamãe? Também se machucou? - Não foi nada. - Dei um sorriso tristonho. - Vem, vamos passar remedinho nesse joelho. Cuidei do machucado da Mel enquanto via Lucas se arrumando para sair, com certeza ele ia beber ou ver as quengas dele. Eu sabia que ele me traia, no começo ele até tentava esconder, mas depois que eu descobri após ver várias mensagens no celular dele, Lucas parou de mentir. Claro que eu ficava muito m*l com tudo isso, ele podia me xingar, gritar comigo e até me bater, mas infelizmente eu o amava, acho que isso me tornava mais culpada das agressões do que ele. Uma vez brigamos por contas das traições, depois disso nunca mais toquei no assunto, porque a surra que eu levei foi imensa, mas o que mais me doeu foi ver a Melzinha, na época com 2 anos, chorando desesperada enquanto ele me batia sem parar, depois disso, eu não consegui nem olhar direito pra minha filha, estava tão envergonhada. Até hoje me pergunto como poderei ensiná-la que os homens não podem bater nas mulheres, sendo que o Lucas me bate, e na frente dela. No dia seguinte, eu já estava um pouco melhor, as dores estavam diminuindo e eu havia voltado a caminhar normalmente. Minha manhã no serviço foi tranquila, porém o que me preocupava era o serviço da tarde, não parava de pensar na Beta, queria chegar logo na escola para ver se ela iria à aula ou se faltaria novamente, mas para minha surpresa ela havia ido. - Oi meu amor, como você está? - Perguntei assim que Roberta entrou na sala. - Tô bem sora. - Me respondeu. - Seu padrasto disse que você estava doente. O que você teve? - Hã… Era febre, mas já passou, agora estou bem. - Que bom, meu amor. - Falei. - Senti sua falta. - Eu também senti. Muita falta. Ela sorriu e foi para seu lugar, que bom saber que ela estava bem, eu já estava tão preocupada. Ah, Beta me contou que seu padrasto não brigou com ela pelo fato dela ter estragado o celular dele, sem querer. Fiquei tão feliz em saber disso. - Mãe, o papai é mau? - Me questionou Mel assim que eu terminei de arrumá-la após o banho. - Hey, por que você está perguntando isso? - A questionei surpresa com a pergunta da garota. - Por que ele te machuca e te faz chorar. Eu não gosto quando você fica triste. - Oh, meu amorzinho... Ele não é bom pra você? Ele não te cuida? Não te busca e leva na escola? Não te ajuda com os trabalhos da escola? A minha filha apenas acenou a cabeça positivamente. - Então, é isso que importa. Não se preocupa mais com essas coisas de gente grande. - Falei. Jantamos nós três à mesa, porém ninguém disse nada durante todo o jantar, até Mel que não parava de falar um minuto, estava quieta. Lucas e eu dormimos um de costas para o outro, ele até tentou me abraçar, mas eu não quis, ele ainda se achou no direito de ficar chateado, como se estivesse certo. Duas semanas haviam se passado. Era feriadão. Eu não trabalharia quinta, nem sexta, era tudo o que eu queria, seria a oportunidade perfeita. Peguei a Mel e fomos pra casa do meu pai. Avisei o Lucas, que não se importou muito, ele até gostava quando a gente saia, mas eu era obrigada a voltar no dia marcado, como aqueles jovens que saem e tem que voltar no horário que os pais mandam, mas não me importei com isso, só por ficar quatro dias com meu pai e longe do Lucas, já estava bom, porque por mais que eu gostasse dele, eu também sentia um pouco de medo, pois nunca sabia quando ele me bateria novamente. Mel sabia que não podia falar nada para meu pai, eu havia lhe pedido para guardar segredo, pois se papai soubesse o que Lucas fazia comigo, na certa eu ficaria viúva, e eu não queria isso, até porque temos uma filha juntos e também não queria que meu pai fosse preso. - Vovô! - Disse Melanie ao vê-lo. Ela pulou no colo do meu pai, que a encheu de beijos e abraços. - Hey, deixem um pouco pra mim. - Brinquei. - Oi pai. - Oi meu amor. - Disse meu pai ao me cumprimentar. - Estávamos morrendo de saudade. - Falei. - Né minha princesa? - É, estávamos com muita saudade. - Ela disse com um enorme sorriso. - E eu de vocês meus amores. - Falou papai. Eu gostava tanto de estar em sua casa, me passava uma segurança, um conforto, uma liberdade imensa, como se eu fosse livre, porque eu não me sentia assim quando eu estava com Lucas, sempre me senti propriedade dele, porque na cabeça do Lucas, ele podia falar com todas as mulheres que ele quisesse e até me trair, mas eu não podia nem ter um amigo sequer. Na casa do meu pai era tudo tão diferente, eu amava estar com ele, era outra energia, e ele me tratava com tanto amor, carinho e cuidado, como eu sentia falta disso, ah, se eu pudesse voltar a morar com ele...
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