A Agressão

1307 Palavras
Mel e eu estávamos brincando de casinha. Adorávamos esses momentos mãe e filha, eu fazia de tudo para aproveitar o máximo de tempo junto dela, pois infelizmente os filhos crescem rápido demais, e eu lembrava como se fosse ontem que ela era um bebezinho com poucas horas de vida, que precisava de mim para tudo, e agora estava uma menina linda, educada e muito inteligente, dava um banho em todos nós, Mel havia aprendido a ler e a escrever aos 3 anos, sei que muitas pessoas falam que isso não é legal, que criança tem que ser criança, mas ela nunca pulou nenhuma etapa da sua vida e nunca a obriguei a aprender, eu apenas havia comprado alguns jogos de juntar sílabas, jogo da memória onde tinha que achar a figura e o nome dela, essas coisas, e aos poucos ela foi aprendendo em forma de brincadeira, Mel também fazia contas básicas de subtração e adição e ainda falava espanhol, pois quando ela soube que dou aula desse idioma, ela me pediu para ensiná-la, aos poucos fui ensinando e atualmente ela fala bastante coisas, ela sempre foi o meu maior orgulho. Coloquei - a para dormir e depois fui para meu quarto. Lucas já estava deitado. - Ela já dormiu? - Me perguntou assim que eu entrei no dormitório. - Recém pegou no sono. - Falou ao trancar a porta do quarto. Troquei de roupa e me deitei ao lado de Lucas. Ele me abraçou e me beijou no pescoço, me causando arrepio. - O que deu em você? - Perguntei esbanjando um enorme sorriso. - Estou feliz. - Bem que você podia estar feliz sempre. - Ah, qual é Kimberly? - Perguntou bruscamente. - Vai começar? - Desculpa, amor. Ele sorriu e me beijou. Nem lembrava quando havia sido a última vez que ele me beijou daquela forma, mas eu gostei e gostei bastante, fizemos amor a noite toda como há muito tempo não fazíamos. Foi incrível, queria que fosse sempre assim, por que não podia ser? No dia seguinte, um acontecimento no meu serviço me intrigou bastante, Roberta não havia ido à aula, antes ela faltava muito, tipo umas 2 ou 3 vezes por semana, mas aí a diretora chamou os responsáveis na escola e as faltas diminuíram bastante, mas eu estava com um nó no peito, pois no dia anterior ela havia me falado que estava com medo de levar bronca do padrasto, acho que só me restava torcer para não ter acontecido nada, mas passei a tarde inteira pensando nisso. Como Lucas não pôde buscar a Mel na escola nesse dia, eu fui, sai do meu serviço e fui direto para o colégio da minha pitoca, que abriu um enorme sorriso ao me ver - Mamãe! - Ela falou ao correr e pular em meu colo, como adorava fazer. - Oi meu amor. - Você veio me buscar hoje? - Sim, eu vim. - Respondi. - E o papai? - Ele não pôde vir, tinha compromisso. E como foi a aula? - Boa. A coloquei na cadeirinha do carro, e fomos pra casa, enquanto ela ia me contando tudo o que havia aprendido na escola naquele dia. - E você sabia que os meninos fazem xixi em pé? - A sua professora te ensinou isso? - Perguntei um pouco surpresa. - Não, né… Eu vi.  - Como assim? - Perguntei não gostando muito do rumo daquela conversa. - O Michel deixou a porta do banheiro aberta e eu vi. - Falou entre risos em sua santa inocência. - Mas você não pode ver. - A repreendi. - Foi sem querer, mamãe. Dei um leve sorriso enquanto a observava pelo retrovisor. Ela percebeu que eu estava lhe observando e me sorriu. Como eu amava aquele sorriso. - Coloca música? - Me pediu. Coloquei o meu pen drive que era para momentos que a Mel estivesse comigo, e ela adorava. Seguimos o caminho cantando Super fantástico - Balão Mágico, era uma das músicas preferidas dela. Chegamos em casa antes do Lucas, e foi só colocarmos os pés dentro de casa para aquele pingo de gente já reclamar de fome, não sei como podia um ser tão pequeno estar sempre com fome e ainda não engordar de tanto comer. - Vamos tomar banho, que depois eu preparo algo pra você comer. - Falei. - Tá bem. Dei banho em Mel, enquanto já aproveitei para tomar o meu. A observei brincando com a espuma do shampoo, ela ria enquanto brincava. Não sei como podia existir um ser tão perfeito, ela era muito mais do que um dia eu imaginei, não estava nos meus planos ser mãe cedo, mas com certeza se eu pudesse voltar no tempo, faria tudo de novo. Nos arrumamos e logo preparei algo para ela comer, enquanto Mel comia seu lanche pós aula, aproveitei para ligar para meu pai, fazia alguns dias que eu não falava com ele. - Como estão as coisas por aí? - Me perguntou. - Muito bem. - Respondi. - O Lucas deu uma saída e a Melzinha está lanchando, essa menina tem uma fome de leão… - Puxou à mãe. - Brincou me fazendo rir. - Saudade, pai. - Falei ao dar um leve sorriso. - Saudade também, pequena. Por favor, venham me visitar.  - Claro, estou só esperando um feriadão pra ir praí. Mas o senhor também podia vir. - Com o querido do seu marido aí? Você lembra como foi da última vez. Seria impossível esquecer. Papai ficou dois meses na minha casa quando eu quebrei uma perna e tive que ficar 60 dias de repouso, nesse período, meu pai ficou em minha casa para me ajudar a cuidar da Mel e Lucas fez questão de demonstrar desconforto com isso e fez de tudo para insinuar que papai estava de favor em nossa casa, sendo que era ele que estava me fazendo um big favor. Os dois viviam se estranhando, mas sempre Lucas que provocava, eu tentava conversar com ele e pedia para ele deixar meu pai em paz, mas não adiantava muito. Pouco após eu encerrar a ligação com o meu pai, Lucas chegou em casa. Estava furioso, chegou a assustar a Mel. Parecia bêbado, com certeza havia voltado a beber como antigamente.  - Mel, vá pro seu quarto! - Ordenei. - Mas eu não terminei de comer. - Come lá, mas vá logo. - Falei em tom autoritário. Ela pegou o prato e o copo e se dirigiu para seu quarto. Lucas foi para o nosso quarto, soltando fogo pelas ventas, eu sabia que não era uma boa ideia, mas resolvi ir atrás dele para saber o que tinha acontecido. - O que houve? - Perguntei ao entrar no nosso quarto. - Eu não consegui a p***a da vaga que eu queria. - Falou alterado. - Não fica assim, você conseguirá emprego melhor. - Falei tentando o confortar. - Cala boca! Você não entende. - Gritou. Ele trancou a porta, o que fez eu sentir muito medo. Eu sabia bem o que aconteceria em seguida, ele podia estar furioso com o que fosse, mas sempre era em mim que ele descontava. - Lucas, não! - Pedi. Ele tirou o cinto de sua calça e começou a me bater. Chorei e gritei de dor. - Cala boca! Cala boca! - Gritou mais alto que eu. - Para, por favor. - Pedi aos prantos. Mas ele não parou, me batia cada vez com mais e mais força, fazia duas semanas que ele não me batia desse jeito. Mel foi até a porta de nosso quarto, a escutei chorar e chamar por mim.  - Vá pro seu quarto. - Pedi aos prantos. - Mamãe! - Me chamou chorando. - Vá! - Ordenei. Ouvi o barulho dos passos dela se afastando. Chorei e chorei, enquanto ele seguia me batendo.
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