Catherine Narrando A van parou devagar. Não foi uma freada brusca nem o barulho comum da rua. Parou suave demais, como tudo que envolve dinheiro grande. A porta lateral se abriu, e o primeiro impacto foi a luz não a luz do Rio que eu tinha visto da sacada, bonita, viva mas uma iluminação artificial, branca, calculada, que não deixava sombra para esconder nada. Descemos uma a uma. O prédio à nossa frente não parecia uma boate comum. A fachada era imponente e discreta, sem letreiro chamativo. Portas altas, seguranças de terno preto, expressão neutra, mãos cruzadas à frente do corpo. Nenhum sorriso. Nenhuma curiosidade. Eles nos olharam como se já soubessem exatamente quem éramos. Ali, eu senti o primeiro arrepio real. Entramos. O interior era luxuoso demais para ser apenas diversão. O c

