Capítulo dois - Com o que estou lidando?

2299 Palavras
— O quê? — Daise arregala os olhos. — Você transou com esse cara? — Isso mesmo! E eu esqueci o nome dele. Acredita? — Amiga! — Ela vira o meu rosto para ela. — Porquê tinha que ser alguém de olhos castanhos? Agora eu vou torcer para vocês ficarem juntos. — Só porque ele tem olhos castanhos? — Rio. — Ele beija bem? — Você não está entendendo a gravidade da situação, está? — Você não quer voltar a ver o cara? — Pergunta como esse fosse algo e******o. — Claro que não! — Porquê? Você fez algo de errado? Ele fez? — Não! Só não quero vê-lo, mas acho que vai ser impossível já que estudamos na mesma universidade. — Suspiro. — Tanta má sorte vem de onde, Daise? — Você acha que é má sorte? — Ela ri. — Amiga, no meu mundo isso é uma sorte grande do c*****o! — Você não está ajudando! — Dou um t**a no seu braço, mas ela não reclama porque está olhando para o olhos castanhos. Se ela quiser, pode ficar com ele. — Meu Deus! — Ela alarga seu sorriso. Ela é doidinha! — O que foi agora? — Ele está vindo para aqui! — Não! Não! — Olho para ele, que está vindo até nós em passos rápidos. Azar bate sempre na mesma porta! Pego na minha bolsa e levanto um pouco atrapalhada, mas Daise puxa o meu braço e quando volto a me virar, bato com o rosto no peito dele. Não acredito que isso esteja acontecendo! — Oi, Rachel! — Ele sorri. Isso seria menos embaraçoso se a gente não tivesse transado e seria menos assustador se ele não soubesse o meu nome. Eu nunca tinha visto ele além de ontem! — Oi! — Olho para cima, para seus olhos castanhos. Que situação! — A gente pode conversar? — Ele sorri. Conversar sobre o quê? — Olha... — Shane. — Shane, como você sabe o meu nome? — Isso é mesmo relevante? — Ele arqueia a sobrancelha. Gostaria que não tivesse feito isso. Meu Deus! — Tem razão. Eu preciso ir embora. Não é, Daise? — Sim. Temos que organizar muitas coisas, muito trabalho para fazer. — Ela responde. — Adeus, Shane! — Quero passar, mas ele não deixa. — Eu disse para não tornarmos isso estranho. Se você quiser podemos fingir que não aconteceu nada. — Claro que não! Eu só quero ir descansar. — Não se preocupe que será rápido. — Ele segura a minha mão e me leva para longe de Daise que está sorrindo e mostrando os polegares para cima. Que grande amiga que eu tenho! — O que você quer? — Pergunto. — Pergunta errada, pequena! — Ele cruza os braços. Espera! O que foi que ele me chamou? — O quê? — A gente devia conversar sobre ontem. Não me pergunte o que eu quero porque ontem a gente não terminou. — O que a gente não terminou? Se bem me lembro, você foi embora! — Você disse que não queria saber o meu nome. Você nunca tinha me visto? — Claro que não! — Pois, eu sim. Tenho observado você há muito tempo! — Ele diz de um jeito... sinistro. — Você é um psicopata? — Se eu sou, ainda não descobri. — Ele tira os óculos e morde para piorar a minha situação. Eu deveria ficar assustada ou deveria rir? Sinceramente, estou indecisa. Vamos terminar com isso de uma vez! — O que você quer? — O que eu quero? Você acha que é só t*****r com as pessoas e desaparecer? — Você não está me cobrando um compromisso, está? — Consigo rir um pouco. — Claro que não. Só acho que devíamos ser amigos. O tipo de amigos que você quiser. — E eu que pensava que você era santinho! — Digamos que depois de ter o coração quebrado, me transformei em outra pessoa. — Ele volta a pôr os óculos. — Não quero ser sua nada. Porquê não pode ser como todos os homens e fingir que a noite de ontem não aconteceu? — Eu disse que não sou como todos os homens. E um dia você vai entender isso. — Ele se aproxima para beijar a minha testa. E vai embora mais uma vez, e novamente ele me deixa confusa. Eu gostaria de saber se o universo faz de propósito. Viro para olhar para Daise. — Foi um prazer, Shane! — Ela acena para o olhos castanhos e vem ao meu lado. — Nem uma palavra! — Digo, mas ela pergunta mesmo assim. — Porquê tratou ele desse jeito? Não se trata assim pessoas bonitas, Rachel. O universo vai castigar você. — Caminhámos para o estacionamento. — Você pode calar a sua boca? — Tento não olhar para trás. — Desculpa! Estou apenas sendo sincera! — Ela olha para trás. — Ele beijou você! Eu vi o jeito que ele olhava para você. — Não quero saber! — Você é feita de pedra? — Depois eu conto tudo, Daise, mas agora CALA A BOCA! — Digo sem paciência. — Aí! Tudo bem. Encontramos o meu carro e subimos. Ligo os motores e aperto o cinto. Daise fica mexendo no celular enquanto eu dirijo. Ela devia me ajudar a me livrar do olhos castanhos e não se distrair. Mas tenho a certeza que vou encontrar uma solução. Já me livrei de muita gente. Daise não estava mentindo quando disse que tínhamos coisas para fazer. Estamos redecorando o nosso apartamento e eu tenho uma caixa cheia de lembranças do Marco. Pensei em deitar fora, mas não quero fazer isso. Minha vida com o Marco está nessa caixa. Olho para a nossa foto que tiramos uma semana antes da sua morte e derramo lágrimas. Eu quero vingar a sua morte. Quero que Jacob sofra! Daise entra no meu quarto e senta no chão ao meu lado. — Eu estou bem. — Digo antes que ela pronuncie alguma palavra. Ela tira um ursinho da caixa. — Você não precisa se livrar dessas coisas. São lembranças do Marco. — Eu sei. Eu mudei de ideias. — Você lembra quando ele comprou esse ursinho? — Daise sorri, mas é um sorriso triste. — Você estava brava com ele. — Eu lembro. Coloco tudo de volta para a caixa menos o ursinho. Tenho um destino diferente para ele. — Mudando de assunto! — Ela começa. — E o Shane? — Daise, podemos fingir que eu não transei com ele? Assim, vocês vão me obrigar a fugir dessa cidade! — Levanto a caixa e ponho por cima do guarda-roupa. — E o que deu na sua cabeça? — Eu não sei. Estou sentindo que perdi o meu talento em descobrir quando alguém está mentindo. — Ele mentiu? — Ele ocultou a verdade. Podia ter dito que me conhecia. Você não acha? — Talvez ele pensasse que você conhecia ele também. Você não sabe! — Mas eu nunca vi ele! Estou a três anos nessa universidade e nunca dei de caras com ele. — Sento na cama. — Pode ser que ele seja novo. — Ele disse que tem me observado há muito tempo. — Ele não me parece tão novo assim, Rach! Ou será que é? — Ela franze a testa. — Se imaginarmos ele sem a barba, possivelmente. — Não importa o que ele seja, se está interessado ou não. Eu não quero relacionamento com ninguém. — Tem a certeza? É que a sorte não bate na sua porta duas vezes, amiga. Se fosse comigo, eu ia tentar. — Ela olha para mim e passa a mão nas minhas pernas. — Eu sei, mas e o Travis? — Me sinto culpada, arrependida e egoísta. O que eu fui fazer? — Pensei que não tinha nada a ver com ele. — Sempre tem, amiga. Eu sou uma pessoa h******l! — Você não é! — Sabe que mais ele disse? Que quer ser meu amigo. Da para acreditar? — Olho para ela. — Normalmente, os homens não são assim. — Alguns são. Nem todos são insensíveis. E possivelmente, ele sentiu alguma coisa quando transou com você e quer você por perto. Ou já está apaixonado há muito tempo já que tem observado você. — Às vezes, você me surpreende. — Abaixo para abraçar ela. — Mas eu ainda acho que há algo errado nisso tudo. — Eu sei. Você foi treinada para espiar e m***r os inimigos, não para namorar. Teve sorte com Marco. Penso nisso também. — Você tem razão. — Ele está mesmo fora da sua lista? — Pergunta. — Se você quiser ele, não faz m*l. — Rachel! — Ela me empurra. — Se ele olha daquele jeito para você, óbvio que não vai querer nada comigo. — Eu não quero nada com ele. — Por causa do Travis? — Sim. E também por mim. — Você sente saudades dele, não é? — Ela sorri. — Pergunta i****a, Daise. — Deito na cama. — Você já ligou para sua mãe? — Ela muda de assunto. — Depois eu faço isso. Agora preciso de um plano para começar a minha vingança contra Jacob. — Olho para o teto e vejo o rosto dele lá. O desgraçado filho da p**a! — Rach, não exagera! Esqueça isso. O que você vai fazer? r****r o Lambert e pedir resgate, depois m***r o Jacob? Sinto meu cérebro trabalhando quando oiço a ideia da Daise. — Daise, você é um génio! — Eu não estava falando sério! — Ela olha para mim como se eu fosse maluca. — Eu posso me vingar do Jacob usando as pessoas que ele mais ama. — Você está nessa lista, meu amor! — Se ele me amasse, não mataria o Marco. — Respondo com raiva. — Você não quer recomeçar sua vida? Você acha que esse é o jeito certo? Acha que Marco ia querer isso? — Eu tenho que vingar a morte dele, Daise! Você precisa me ajudar. — Peço. — Vingança não é a solução. Você sabe disso. — Você está comigo ou contra mim? — Eu estou com você. Mas tenha cuidado. Você sabe que Lambert não é realmente filho do Jacob. E ele tem uma esposa. — Eu sei disso. — Levanto. — Você quer piza? — Pergunto. — Pode ser! Mas o assunto não morre aqui! Reviro os olhos e pego no celular para pedir uma piza. Chegamos atrasadas na faculdade e eu fiquei um pouco atrasada na aula. Quase que não apontei nada e me compliquei sozinha. Não sei onde estava com a cabeça. Passei a noite pensando em como chegar perto do Liam. Depois, Daise veio me buscar para a gente comer. E para a minha sorte, vejo Liam no refeitório também. Porquê eu não pensei nisso há muito tempo? Observo ele e a garota magra comendo e conversando com um loiro e com o... olhos castanhos. Não sei se isso é uma coisa boa ou uma coisa r**m. — Terra chamando Rachel! — Daise estala os dedos na frente do meu rosto. — Daise, olha quem está conversando com o Liam! — O Shane? — Ela pergunta. — Espera! Isso quer dizer que ele é mais novo que você? Ele é bom de cama? Como ela consegue sempre seguir um rumo diferente da conversa? — Daise! — Desculpa! Isso quer dizer que o seu crush conhece o Lambert. E você vai se aproximar do olhos castanhos? — Eu quero acabar com o Jacob! — Digo, olhando para a mesa deles. Liam abraça a garota, que nota o meu olhar e deixa de sorrir. — E o que vai fazer? Vai seduzir o Liam ou o Shane? — Ah, Daise! — Reviro os olhos. — Depois você vai ver o que eu vou fazer. Desvio o meu olhar para o Shane, que se apercebe e também olha para mim. Então, eu faço uma coisa que sempre resulta nos filmes. — Depois a gente se fala, Daise. — Levanto ainda olhando para ele e saio do refeitório. Espero que ele perceba o meu sinal. Vou para o Campus e sento num banco desocupado. No mesmo instante, percebo que ele mordeu a isca quando vejo que ele vem caminhando até mim. Hoje está vestindo branco e cinza. Ele senta ao meu lado e olha para mim. — Estou aqui! — Ele diz como se soubesse do meu plano. — Do que você está falando? — Nada! Como você está? Já deixou de lado o constrangimento? — Talvez. — Isso é bom porque somos adultos e tomamos as nossas decisões. — Ele sorri. — Acho que fui um pouco indelicada com você ontem. — Olho para ele. Ainda bem que sou uma boa atriz. Há momentos da vida que nos obriga a atuar. — É verdade! — É que ontem eu não estava nos meus dias. Foi um dia triste para mim. Mas não importa. Eu peço desculpa! — Estendo a minha mão para ele. — Suponhamos por um instante que você esteja dizendo a verdade. O que você quer comigo agora, pequena? — Ele passa a mão no meu cabelo. Filho da p**a! Acho que ele é muito esperto. — Eu estou dizendo a verdade! Se você não quer acreditar, problema seu. — Levanto furiosa, mas ele segura a minha mão. — Seja o que for que esteja tramando, tudo bem. Eu perdoo você. Podemos ser amigos se você quiser. — Ele levanta também. — Ultimamente, descobri um jeito de não deixar ninguém me enganar. — Então, confia em mim, Shane. — É por isso que eu transei com você! Eu sei com o que estou lidando. — Ele sussurra no meu ouvido e vai embora. Meu Deus! E eu? Com o que estou lidando?
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