O tratamento dentário e facial era num sítio de retiro e seminários. A cada dia de tratamento Canora sentia mais a presença de Deus e o seu cuidado. Ela queria ser amada por todos.Sempre tratava a todos com gentileza e educação. Não tinha como não gostarem dela. Ela escrevia em seus cadernos de desabafo as histórias que amor que imagina que aconteceriam com ela algum dia. Infelizmente todas elas começavam muito triste, com momentos em que teria que sofrer muito para depois encontrar o amor de sua vida e ser feliz. Em todas as suas histórias, ela imaginava um relacionamento onde ela estava presa, desmaiada e que alguém queria dominar ela, querendo a possuir e que então aparecia um homem lindo e valente o suficiente para a salva-la
Canora sempre orava pedindo a Deus para que Ele enviasse um lindo rapaz que a amasse e que fosse seu primeiro namorado e também seu único marido. Ela queria alguém enviado por Deus pois, ela sabia que assim não haveria erro.
Então, aos 17 anos Canora começou a frequentar mais a casa de uma colega de escola Talita que aparentava ser uma menina fiel a Deus pois, como ela queria se aproximar ainda mais de Deus e ter companhia para ir aos cultos tendo em vista que sua casa ficava longe da igreja e ela queria sentir mais do amor de Deus em sua vida. Talita e sua família sempre receberam Canora muito bem e a cada culto ela voltava mais renovada e cheia de esperança que tudo fosse melhorar em sua vida. A cada dia que passava ela tinha mais certeza de que seu pai jamais poderia saber o que vinha acontecendo com ela pois, ele seria capaz de se revoltar e m***r quem fazia isso com ela.
Tânia era uma menina bem simpática e comunicativa. Ela dizia que Canora deveria conhecer alguns rapazes e quem sabe namorar pois na idade dela já tinha muitas meninas namorando.
- Quando chegar a hora, vai acontecer Talita.
Talita apresentou Canora a um rapaz que morava em sua rua. Gerson era um rapaz que sempre quando voltava do serviço parava sob a janela do quarto de Talita para conversar com ela. Foi lá de cima, no segundo andar, pela janela, que Talita havia os apresentado.
Certa vez, Talita marcou um encontro com ele e um colega dele nas escadas do prédio onde ele morava. Canora não sabia de nada. Numa tarde, Talita chamou Canora para a acompanhá-la para buscar algo que ela precisava na casa de uma amiga dela. Quando as duas chegaram no edifício, logo no hall de entrada encontraram os dois rapazes.
- Boa tarde meninos. Tudo bem com vocês? – Talita perguntou a eles.
- Boa tarde garotas. Estamos melhor agora que vocês apareceram. – Respondeu Gerson olhando para Canora que imediatamente ficou com a face corada de vergonha. Ela não era acostumada a receber cantadas.
- Carlos vamos comigo lá pegar minha encomenda em seu apartamento. Gerson você pode ficar aqui fazendo companhia para minha amiga Canora? – Disse Talita.
- Claro. Será um prazer. – Respondeu Gerson.
Talita subiu as escadas com o colega de Gerson deixando Canora ali sozinha com ele. Então, derrepente Gerson chega mais perto dela e fala:
- Vamos ficar aqui apenas conversando? Estou doido para dar um beijo em sua boca.
Canora olha para ele sem reação, com sua face ainda mais corada e não fala nada. Ela não sabia nem o que dizer. Então, ele se aproxima dela e a encosta contra a parede, pegando-a pela cintura e a beija. Primeiro, um beijo calmo e depois mais ardente. Ela para um pouco, dando espaço entre os dois e perguntando, totalmente sem graça e assustada, por sua amiga.
Canora estava preocupada e com medo por estar fazendo algo escondido. Sua amiga estava demorando muito para voltar. Ele a beijou novamente. Canora correspondia, mas sempre sentindo medo de ser pega por alguma ali. Para ela, aquilo tudo era errado. Era possível sentir e até mesmo ver como ela tremia naquele momento. Um misto de gostar daquilo e ao mesmo tempo de se arrepender pois não gostava de trair a confiança de seus pais.
Finalmente Talita apareceu com Carlos com a cara mais natural possível. Se despediram dos rapazes e foram embora.
Talita queria saber como foi, mas Canora não sabia bem o que falar para a amiga. Então, Canora apenas disse que ele a beijou.
- E aí, como foi amiga? – Talita perguntou toda empolgada.
- Não sei dizer. Foi meio estranho, mas também foi bom.
Certa vez, quando a mãe de Canora contou sobre a tradição de família, em que as meninas iniciavam o enxoval a partir dos 15 anos, ela quis dar continuidade. Então, Canora iniciou seu Enxoval mesmo sem namorado algum. Foi gratificante ver sua mãe feliz por essa iniciativa de Canora.
Ela sonhava em ser reconhecida e amada de verdade. Já não aguentava sofrer assim, tendo que se esconder para não sofrer mais nenhum tipo de a***o.
Ela chorava pensando em como seria sua vida se alguém conseguisse realmente estupra-la, como tentavam. O medo tomava conta de seu ser. Ela não conseguia ficar sozinha em lugar algum e, quando estava em meio a muitas pessoas tinha medo e se sentia observada, deslocada.
Ela estava em um ponto que não sabia mais o que fazer.
Então, o seu tio, que vivia assediando-a começou a ensinar pornografias ao seu irmão mais novo. O medo no coração de Canora aumentava ainda mais, pois ela não sabia até que ponto esse homem poderia prejudicar ao seu irmão. E se ele tentasse abusar de seu irmão? Ela não poderia nem pensar nessa hipótese terrível.
Ela pensava que se seu tio conseguisse algo contra o corpo dela, ela seria obrigada a casar com ele e então ela pensava em como morreria para que nunca acontecesse isso. Em sua cabeça, era melhor a morte.
Diante de tanto sofrimento, Canora, sem perceber estava de joelhos em seu quarto, orando, conversando com Deus, desabafando toda sua dor e sofrimento, pedindo que Deus a livrasse de todo esse sofrimento e enviasse um homem maravilhoso, que a amasse e respeitasse de verdade. Que ele fosse único. Alguém que ela namorasse, casasse e viveria até sua morte. Ela acreditava que isso nunca aconteceria. Que sua vida seria triste e vazia para sempre, na mesma situação em que cresceu. Ela não imaginava que Deus já estava ali, colhendo suas lágrimas e ordenando aos anjos para providenciar o melhor marido para ela.