-----
CLARA
Juntei-me a Aurora na pista de dança.
_ O que aconteceu? Porquê que ele se foi embora? - Perguntei-lhe.
_ Não sei... - Cruzou os braços. - E não interessa. Hoje, quero dançar.
_ Mas ele era bem gato.
_ Sim, era. - concordou. - Vou à casa de banho. Vens?
_ Sozinha, é que não vais.
Aurora abraça-me e continuamos assim, enquanto nos dirigimos para a casa de banho.
Estou a retocar a minha maquilhagem, quando a Rita aparece a pedir ajudar para colocar o Jonas no carro. Estava bêbado e ameaçava vomitar.
_ Aurora, vou resolver isto e volto. Espera por mim, aqui. - Gritei para ela ouvir, de dentro da cabine.
_ Está bem. Vai lá.
O Jonas estava impossível, nunca o tinha visto tão bêbado. Juntas, eu e a Rita, conseguimos colocá-lo no carro.
_ Amiga, vou levá-lo para casa. Vemo-nos segunda, na faculdade?
_ Sim. Vai com cuidado. - Assenti. Viro-me para o Jonas, que estava deitado no banco de trás, a lamentar e aviso-o. - Tu, vê lá se vais quietinho aí!
Vi a Rita a arrancar e voltei para o bar. Passava o balcão central, quando ouvi tiros. Instintivamente baixei-me e protegi a cabeça com as mãos. Encostei-me ao balcão, assustada, a tentar perceber o que acontecia.
-----
AURORA
Secava as mãos, quando ouvi tiros, seguidos de gritaria. Cuidadosamente, saí da casa de banho e percorri o corredor devagar. Pessoas passavam por mim a correr e a gritar, em direção à casa de banho. Continuava a ouvir tiros. "O que estava a acontecer?". Cheguei ao final do corredor que dava acesso às casas de banho, deitei-me no chão e espreitei pela esquina.
À minha esquerda estavam seis homens, os seguranças que tinha visto anteriormente, a disparar para a sua frente, a minha direita, onde estavam uns dez homens à entrada do bar, vestidos com roupas normais. Eles trocavam tiros com os seguranças. Havia várias pessoas deitadas no chão, sangue, gritos e algumas pessoas que corriam para cantos da sala e debaixo das mesas, tentado-se proteger como podiam. Uma bala passa por mim e atinge um segurança que estava muito próximo de mim. Imediatamente ele cai no chão. De onde estou consigo agarrar o seu pulso, sem correr riscos. Estava morto. Retiro-lhe a arma da mão e confirmo que apenas tem três balas no carregador.
_ Aurooooora! - Gritam. Era a voz de Clara.
Olho para o balcão do bar, de onde vinha o grito e vejo-a a espreitar, na minha direção. Ela estava abaixada do outro lado do balcão, de frente para os homens que disparavam da entrada, no centro do conflito. Estava muito aflita e assustada. Tinha que a tirar dali. Automaticamente, entrei em modo de combate. Fiz-lhe sinal para ficar quieta e abaixada. Levantei-me e corri para o balcão a disparar para a entrada. O primeiro tiro foi ao lado, mas o segundo acertou em cheio num dos homens, que caiu, morto. Ajoeilhei-me.
Ainda não conseguia alcançar a Clara, pois estávamos em lado opostos do balcão. Senti uma mão em volta do meu braço e apontei rapidamente a arma para quem quer que fosse que me estivesse a tocar.
_ Que raio estás a fazer? - E aponta uma arma para mim também. Mantém o meu braço agarrado.
_ Zane! - Que susto que ele me pregou.
Embora, não o conhecesse, não o sentia como uma ameaça naquele momento. Pelo que via estávamos a disparar para os mesmos alvos. Vi um movimento por trás dele.
_ Baixa-te! - Ordenei.
Sem hesitar, ele cumpriu a ordem e eu disparei. Um homem caiu, junto da parede lateral, ao fundo. Ele estava prestes a disparar e eu evitei que Zane levasse um tiro.
_ Obrigado. - Ele olhava para mim surpreso.
_ Importas-te? - Apontei para a arma que tinha presa à cintura, na parte de trás das calças, enquanto lhe mostrava que não tinha mais balas na minha. Ele concordou com a cabeça.
Agarrei a arma. Disparávamos alternados, totalmente sincronizados.
_ O que estás a fazer aqui? - Pergunta-me novamente.
_ A minha amiga está do outro lado do balcão. Tenho de ir ajudá-la.
_ És completamente doida?! - Não percebi se perguntava ou afirmava. Ignorei.
_ Dás-me cobertura?
Ele começou a disparar e fez-me sinal para avançar. Felizmente, Clara continuava no mesmo sítio e rapidamente consegui puxá-la para dentro do balcão. Comecei a revistá-la. Procurava por feridas. Ela tremia. Tinha sangue na perna, mas vinha de um pequeno corte. Nada de grave. Abracei-a.
_ Clara, vai ficar tudo bem. Olha para mim. - Ela olhou, hesitante. - Vai ficar tudo bem. Vou tirar-te daqui.
Olhei à minha volta e encontrei duas facas. Uma pequena, que coloquei dentro do cano da minha bota, e uma grande que dei à Clara. Era óbvio que ela não ia fazer nada com aquilo, mas precisava que se sentisse minimamente segura para o que faríamos a seguir. Ela aceitou relutante. Olhei em volta. A situação não era muito favorável. Já só restavam dois seguranças, o Zane e aquele homem que tinha falado com ele antes, e que também disparava, do cimo da varanda. Do outro lado, ainda estavam seis homens de pé. Eu tinha que chegar até à porta para sair dali.
Alguém salta para o lado de Clara, que rapidamente lhe aponta a faca enquanto grita. Era Zane, que rapidamente se esquiva da faca. Eu tiro a faca da mão de Clara antes que a situação piorasse ainda mais.
_ Calma, Clara. Está do nosso lado. - Disse-lhe.
_ c*****o. Mas as mulheres hoje estão possuídas? - Tinha os olhos arregalados. - Toma, Aurora. - Deu-me um carregador, que aceitei, agradecendo. - Esta é que é a Clara? - Perguntou apontando para ela.
_ Sim. - Disse rapidamente. - Zane, a situação está complicada. Eu não quero saber do que se trata. Só quero sair daqui, com ela.
_ É melhor não saberes. Aurora, eu espero que consigam sair daqui. - Senti que também ele queria isso. - Vais ter de voltar para trás. No corredor de acesso às casas de banho, ao fundo, há uma porta escondida. Esperem por mim, lá. - Pediu. - Vai! Eu dou-te cobertura.
Agarrei a mão de Clara e não hesitei. Comecei a correr, enquanto a puxava com uma mão e disparava com a outra. Alcançamos o corredor.
_ Vai e procura a porta. - Disse a Clara.
Baixei-me ali e continuei a disparar, dando cobertura a Zane. Ele correu pelas escadas acima, em direção à varanda.
Corri para junto de Clara e disse-lhe que se escondesse na casa de banho, até eu lhe dizer para sair. Pelo que percebi, Zane tentava tirar aquele homem do bar e eu não o conhecia de lado nenhum para arriscar a vida de Clara.
Voltei para onde estava antes e dei cobertura ao Zane e ao homem, que avançava sem medo e disparava também. Já só restavam eles os dois e três homens do lado oposto, que tentavam avançar.
Os dois alcançam-me, ilesos. O homem olha para mim, mas não diz nada. Zane corre pelo corredor e abre a porta. Confirma que não há perigo do outro lado.
_ Leo, cuidado! - Grita Zane e aponta a arma na nossa direção.
Viro-me. Um homem tinha desarmado o amigo de Zane e lutavam. Neste momento, também eu aponto a arma, mas não tenho condições para um tiro limpo. Procuro uma maneira e vejo uma a******a. Empurro o suposto Leo, em direção a Zane, e fico nas mãos do homem. Eu tenho um plano.
Enquanto o homem agarra-me por trás, com um braço em volta do meu pescoço. Eu coloco uma mão entre o meu pescoço e o seu braço, para conseguir respirar. Zane está perto de nós agora. Iço os meus pés, de maneira a conseguir alcançar, com a outra mão, a faca que tinha guardado dentro da bota. Agarro-a e cravo-a no pescoço do homem com força, enquanto me movimento para me soltar dele. Foi o suficiente para o amigo de Zane agarrar no pescoço do homem e torcer. Caiu inanimado no chão.
Enquanto recuperava o folgo, senti uma pancada na cabeça. Pestanejei, tonta. Zane coloca-me aos seus ombros. Eu desmaio.
------