Capítulo 32

748 Palavras

Ananda O sol batia forte no vidro do carro, quente o bastante pra desenhar brilhos dourados no painel. Eu recostei a cabeça no banco e fechei os olhos por um segundo, sentindo o carro deslizar pelas curvas. Cada metro que a gente deixava pra trás parecia aliviar um peso no peito. Era estranho — bom e estranho — sair do morro sem olhar pra trás esperando ouvir tiro, grito ou sirene. Só o som da voz da Bebel, doce e acelerada, enchendo o carro de vida. — Papai, vai ter escorrega? — Ela perguntava de novo, os olhinhos brilhando de ansiedade. Khalil riu, aquele riso leve que eu aprendi a amar — e temer — porque sempre fazia meu coração sair do compasso. — Vai ter de todo tipo, pequenininha. De água, de corda, de pedra. Só não pode ter medo, hein? Ela cruzou os bracinhos, toda dona de si,

Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR