CAPÍTULO 19 O sol escaldava o quintal como se queimasse as memórias. Era meio-dia e o calor era tanto que até o concreto da varanda parecia respirar. Selena, Luara, Clara e Dona Sandra estavam sentadas à sombra de uma cobertura improvisada perto da piscina. As cadeiras de ferro forjado estavam cobertas com panos floridos, e o som distante do rádio na cozinha misturava forró antigo com o zunido de mosquitos. — Não gosto de lembrar — disse Clara, cruzando os braços, com o olhar perdido. — Mas às vezes parece que o vídeo ainda tá passando na minha cabeça. Luara, de pernas cruzadas no chão, mexia numa pulseira de sementes, calada. Mas era óbvio que o pensamento fervilhava dentro dela. Selena foi quem falou primeiro. — Aquele líquido branco… grosso… que saía do p*u deles… — fez uma careta.

