Juliana Narrando O silêncio do laboratório às vésperas de Natal tem uma qualidade diferente. Não é o silêncio produtivo das pesquisas em andamento, cheio do zumbido baixo de equipamentos e o clique de teclados. É um silêncio vazio, abandonado. Um eco do que foi. As bancadas de aço inoxidável refletem as luzes frias do teto, e o cheiro característico de produtos químicos parece mais forte, sem a vida humana para diluí-lo. Meu nome é Juliana. Vinte e cinco anos, pele branca que pega sardas no verão, cabelos castanho-médio com ondas desobedientes que eu prender hoje em um coque apertado, mas que já estão escapando. O corpo? É um projeto em constante manutenção. Não é um presente genético, é uma conquista. Duas horas por dia, divididas entre musculação, crossfit e as aulas de muay thai que

