Capítulo 3

606 Palavras
Gustavo O silêncio dentro do carro era espesso, como fumaça antes do incêndio. Selena observava a estrada pela janela, mas os olhos dela… estavam em outro lugar. Ou melhor: em outro tempo. Viktor dirigia como um fantasma, sem olhar para trás, mas eu sabia que ele me estudava pelo retrovisor. A tensão no ar estava tão viva que parecia respirar conosco. — Você acredita nela? — ele murmurou, grego carregado no sotaque. — Não — respondi. E era verdade. Eu não acreditava. Mas eu sentia. E aprendera, no pior jeito possível, que sentir era às vezes mais letal do que ver. Eu estava prestes a falar mais alguma coisa quando tudo aconteceu de uma vez. O farol de um caminhão surgiu de lado — rápido demais. Viktor gritou meu nome. Selena prendeu a respiração. E então— BOOM! O impacto atingiu o carro como um soco de ferro. O mundo virou. Vidro explodiu. Metal gritou. A escuridão engoliu tudo. O carro rodou três vezes antes de parar de cabeça para baixo. Meu ouvido zunia. Meu braço ardia. Mas eu estava vivo. Vivo o bastante para ouvir a segunda explosão — um tiro — bem ao lado. — Abaixa a cabeça! — Selena gritou. Ela se jogou sobre mim antes que o vidro estourasse acima da minha cabeça. Por um segundo, senti o cheiro dela — maresia e sangue — mas não tive tempo de pensar nisso. Porque três homens saltaram do caminhão. Armas grandes. Rostos cobertos. Movimentos profissionais. — São os mesmos — Selena sussurrou. — Eu reconheço eles. Mesmo no caos, algo dentro de mim congelou. — Os mesmos que…? — Que estavam no dia do atentado contra você. Meu estômago virou ferro. Viktor puxou sua pistola e atirou ainda preso ao cinto. Acertou um, mas os outros dois revidaram. O carro virou peneira. Eu agarrei Selena pela cintura e arrastei-a para fora, ainda tonto. Rolamos pelo asfalto, protegidos por uma pilha de caixas caídas do caminhão. O barulho de tiros ecoava pelo galpão abandonado perto da estrada. — Eles sabem que você está comigo — ela disse, ofegante. — O plano sempre foi esse. Te isolar. Te enfraquecer. — Eles não me conhecem, então — rosnei. Puxei minha arma. Engoli a dor. E voltei a ser o homem que haviam tentado m***r. Saltei da cobertura e corri até um dos atacantes. Um disparo. Dois. Três. O corpo caiu aos meus pés. O segundo veio por trás. Eu me virei a tempo de desviar e cravar o punho na garganta dele. Selena, rápida como um raio, pegou a arma do chão e atirou no joelho do homem. Ele caiu berrando. Eu segurei o cabelo dele e encostei a arma na cabeça. — Quem mandou vocês? — perguntei, voz baixa, fria, perigosa. O homem tossiu sangue. — Galanis… Meu nome queimou no ar. — Digam qual Galanis — Selena exigiu, arma firme nas mãos. O homem riu — um riso curto, vazio, condenado. — O único que sempre quis sua morte… Meu dedo apertou o gatilho. A bala atravessou o crânio dele. Silêncio. Selena e eu ficamos ali, ofegantes, cobertos de poeira e sangue, o caminhão ainda queimando atrás de nós. Ela ergueu os olhos para mim. — Agora você acredita em mim? Eu encarei o fogo refletido nos olhos azuis dela. E pela primeira vez desde que deixei a Grécia, senti algo dentro de mim acordar. Algo antigo. Algo violento. — Acredito — respondi. — E agora… nós vamos m***r todos eles. Selena sorriu. Um sorriso que prometia vingança, morte e uma aliança feita no inferno. E eu soube, naquele instante: A guerra tinha começado.
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