Capítulo 6

718 Palavras
Narrado por Marco A noite começou como qualquer outra. Um dia exaustivo de reuniões, negociações e conversas intermináveis sobre investimentos e fusões. Trabalho é a única coisa que realmente importa para mim. É o que me mantém focado, no controle. Não sou o tipo de homem que perde tempo com distrações. Já tive uma noiva, Clara. Não era um grande amor, mas era conveniente. Ela morreu há três anos em um acidente de carro, e desde então, nunca mais me permiti criar laços. Sentimentos tornam as pessoas vulneráveis. Eu não sou vulnerável. Então, quando entrei naquele bar, meu único objetivo era tomar um bom whisky e esquecer o peso das últimas semanas. Mas então, a vi. A mulher do outro lado do bar. Ela não era como as outras. Não tentava chamar atenção. Não sorria demais ou olhava ao redor esperando ser notada. Apenas estava ali, tomando um drink e parecendo distante, como se o mundo ao seu redor não fosse suficiente para prendê-la. E isso me intrigou. Fiz um sinal para o garçom. — O que ela está bebendo? — Um mojito, senhor. — Traga mais um e diga que é por minha conta. Observei enquanto o garçom entregava a bebida e dizia quem havia oferecido. Ela levantou o olhar, confusa, e me encontrou do outro lado do bar. Ergui meu copo em um cumprimento silencioso. Ela hesitou, depois assentiu levemente. Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios antes de levar o canudo à boca e dar um gole na bebida. Curioso. Levantei-me e atravessei o salão sem pressa. Quando cheguei perto, vi que ela me observava, atenta, como se tentasse decidir se eu era uma ameaça ou apenas um desconhecido qualquer tentando puxar conversa. — Espero que tenha gostado da bebida. — Minha voz saiu firme, mas sem arrogância. — Obrigada, mas não precisava… — Não precisava, mas eu quis. Ela sorriu de canto, desviando o olhar por um instante. — Você sempre oferece drinks para desconhecidas? — Só quando algo me intriga. Ela ergueu a sobrancelha, curiosa. — E o que te intriga? — Você. Ela soltou um pequeno riso. — Sofia. — Marco. Marco D’Alessandro. Ela ficou em silêncio por um segundo. Talvez o sobrenome fosse familiar. Eu não ficaria surpreso. Meu nome já esteve em capas de revistas e jornais inúmeras vezes. Mas, para minha surpresa, Sofia não fez perguntas sobre isso. Conversamos por um bom tempo. Foi surpreendentemente natural. Ela não tentava me impressionar. Falava sobre livros, sobre como não saía há tempos, sobre sua amiga Samara que a arrastou para aquela noite. Ela era diferente. Havia algo real nela. — Quer ir para um lugar mais íntimo? — Perguntei de repente. Ela corou, e eu gostei da reação. — Eu… estou com minha amiga. — Eu entendo. Ela se afastou para falar com Samara, e pelo jeito como trocavam olhares e gesticulavam, era óbvio que o assunto era eu. Se fosse outra mulher, talvez eu já tivesse perdido o interesse. Mas com Sofia… eu queria ver até onde isso iria. Quando voltou, estava visivelmente nervosa. — Eu aceito. Levantei uma sobrancelha. — Tem certeza? — Tenho. Mas antes, preciso colocar minha amiga em um Uber. — Tudo bem. Saímos juntos do bar, e enquanto o Uber de Samara não chegava, observei Sofia. Havia algo em seus olhos, uma hesitação misturada com decisão. Assim que o carro partiu, peguei minha chave no bolso e apertei o botão. As luzes do Lamborghini Urus preto piscaram, chamando atenção de alguns curiosos. Sofia arregalou os olhos. Abaixei o vidro do carro e olhei para ela. — Entre. Ela hesitou por um segundo. Depois, respirou fundo e abriu a porta, deslizando para dentro do banco de couro macio. — Está surpresa? — Perguntei com um meio sorriso, ligando o motor. — Um pouco. — Não gosta de carros luxuosos? — Eu só… não esperava. — Então acho que a noite está cheia de surpresas. Acelerei pela estrada, sentindo a adrenalina correr pelo meu corpo. Quando paramos em frente ao hotel mais luxuoso da cidade, ela ficou imóvel por um instante. — Se mudar de ideia, podemos ir embora. — Eu disse, observando-a. Sofia me olhou nos olhos. Então, sem dizer nada, soltou o cinto e abriu a porta. Sorri. A noite ainda estava longe de acabar.
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