Narrado por Matteo A mão doía. Tinha fechado o punho com tanta força que só percebi quando senti o calor do sangue escorrendo entre os dedos. A carta da juíza estava jogada no chão do meu apartamento, rasgada em quatro pedaços. Pedido de anulação de paternidade indeferido. Filha reconhecida legalmente como Luiza D’Alessandro. Uma piada. Uma afronta. Um ultraje. Andei de um lado para o outro no meu escritório por vinte minutos antes de pegar o telefone e ligar para Leonardo, meu advogado. — Preciso de você aqui. Agora. — Matteo, já li a decisão. Eu estava esperando sua ligação. — A voz dele vinha com aquele tom controlado de quem lida com bombas todos os dias. Mas nenhuma tão radioativa quanto eu. — Traga os formulários. Vamos entrar com um novo processo. — De que tipo? — Quero

