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1218 Palavras
A noite já havia caído completamente quando o carro entrou lentamente na garagem. O mundo lá fora estava em ebulição. Mas ali dentro… Havia silêncio. Um silêncio carregado de tudo o que ainda não havia sido dito. Alexander desligou o motor. Nenhum dos dois se moveu imediatamente. Emily permanecia olhando para frente, as mãos pousadas sobre o colo, ainda sentindo o peso de cada palavra que havia dito na entrevista. Ela sabia. Sabia que, naquele momento, o seu nome estava em todos os lugares. Televisão. Redes sociais. Notícias. Discussões. Julgamentos. Apoios. Ataques. Tudo ao mesmo tempo. E ainda assim… Nada parecia tão importante quanto aquele momento. Ali. Dentro daquele carro. Ao lado dele. — Está tudo a explodir lá fora — disse Alexander, quebrando o silêncio. A voz dele era baixa. Calma. Emily soltou um pequeno suspiro. — Eu imaginei. Ele virou o rosto para ela. Observando. — Não se arrepende? Ela finalmente virou-se também. Os olhos encontraram os dele. Firmes. — Não. Sem hesitação. Sem medo. — Era necessário. Silêncio. Ele assentiu lentamente. — Foi… impressionante. Emily soltou um leve sorriso. — Não parece um elogio vindo de ti. Ele arqueou levemente uma sobrancelha. — Não estou habituado a ver alguém virar o jogo daquele jeito em rede nacional. Ela respirou fundo. — Nem eu. Por um instante, ambos sorriram. Um sorriso pequeno. Mas real. --- Eles saíram do carro. Entraram na casa. E imediatamente… O mundo voltou a invadir. O telemóvel de Emily vibrava sem parar. Mensagens. Chamadas. Notificações. Ela colocou-o sobre a mesa sem sequer olhar. — Não vou atender. Alexander fez o mesmo. — Nem eu. Silêncio. E dessa vez… Era um silêncio diferente. Mais leve. Mais… íntimo. --- Eles caminharam até a sala. Emily tirou os saltos com um suspiro quase involuntário. — Finalmente. Alexander observou. — Nunca pensei que dirias isso. Ela riu levemente. — Depois de hoje… eu podia estar descalça no meio da rua e não me importava. Ele aproximou-se. — Duvido. — Um pouco de dignidade ainda me resta — respondeu ela, com um leve brilho no olhar. Silêncio. Os olhares se encontraram. E dessa vez… Duraram mais. Muito mais. --- Alexander passou a mão pelos cabelos. Como se estivesse organizando os pensamentos. — Emily… Ela inclinou levemente a cabeça. — Sim? Ele hesitou por um segundo. Algo raro. — Aquilo que disseste na entrevista… O coração dela acelerou. Mas ela manteve a expressão tranquila. — O quê exatamente? Ele deu um passo mais perto. — Sobre nós. Silêncio. O ar pareceu mudar. — Sobre me amares. A palavra ficou suspensa entre eles. Pesada. Importante. Irreversível. Emily desviou o olhar por um segundo. Respirou fundo. E então voltou a encará-lo. — Queres a verdade? — Sempre. Ela deu um passo em direção a ele. Agora estavam próximos. Muito próximos. — Sim. Simples. Direto. Sem jogo. Sem defesa. Alexander ficou imóvel. Como se aquela resposta tivesse mais peso do que ele esperava. — Não foi estratégia — continuou ela, mais suave. — Não foi para a entrevista. Silêncio. — Eu amo-te. As palavras saíram baixas. Mas firmes. Reais. — Talvez tenha começado naquele baile… Ela sorriu levemente. — Talvez tenha crescido sem eu perceber… — Ou talvez sempre tenha estado lá. Os olhos dela suavizaram. — Mas é verdade. Silêncio. Longo. Denso. Alexander respirou fundo. — Emily… A voz dele falhou por um segundo. — Tu tens noção do que fizeste? Ela franziu levemente a testa. — Disse a verdade. Ele aproximou-se mais. Agora já não havia espaço entre eles. — Tornaste isso real. Silêncio. Ela sustentou o olhar dele. — Já era real para mim. --- Algo mudou ali. De forma definitiva. --- Alexander levantou a mão lentamente. Como se estivesse dando a ela tempo para recuar. Ela não recuou. Os dedos dele tocaram o rosto dela. Suavemente. Quase com cuidado. Como se estivesse confirmando que ela estava mesmo ali. Emily fechou os olhos por um segundo. Aquele toque… Era diferente de todos os outros. Mais lento. Mais consciente. Mais… verdadeiro. Quando abriu os olhos novamente, ele ainda a observava. — E agora? — perguntou ele, quase em um sussurro. Ela sorriu levemente. — Agora… não precisamos fingir. Silêncio. — Mas também não precisamos correr. Ele assentiu. — Com calma. — Sem promessas que não possamos cumprir. — Sem medo de sentir. Emily deu um pequeno passo mais perto. — E se acabar… — Acabou. — Mas enquanto durar… Os olhos dela brilharam. — Que seja de verdade. --- Alexander não respondeu com palavras. Não precisava. A mão dele deslizou do rosto dela para a nuca. Puxando-a com delicadeza. E então… Ele a beijou. --- Não foi um beijo apressado. Nem urgente. Foi lento. Profundo. Como se cada segundo tivesse significado. Como se cada toque fosse uma descoberta. Emily correspondeu imediatamente. As mãos dela encontraram o peito dele. Depois os ombros. Segurando. Sentindo. A respiração começou a mudar. Mais próxima. Mais quente. Mais viva. Quando se afastaram, apenas por um instante… Os olhos ainda estavam conectados. — Eu esperei muito por isso — murmurou ela. Ele sorriu levemente. — Eu também… mesmo sem saber. --- Ele voltou a beijá-la. Dessa vez com mais intensidade. Mas ainda assim… Sem pressa. As mãos dele percorriam as costas dela com cuidado. Como se estivesse aprendendo cada detalhe. Como se quisesse memorizar. Emily deslizou os dedos pelo pescoço dele. Pelos cabelos. Aproximando ainda mais. Os corpos agora alinhados. A respiração misturada. O mundo lá fora… Desapareceu. --- Eles caminharam lentamente pela sala. Sem se separar. Sem quebrar o momento. Cada passo era guiado pelo toque. Pelo olhar. Pelo sentir. Quando chegaram ao quarto… O silêncio ali dentro era diferente. Íntimo. Seguro. --- Alexander encostou a testa na dela. Respiração contra respiração. — Tens certeza? Emily sorriu. Suave. — Pela primeira vez… absoluta. --- Os beijos voltaram. Mais demorados. Mais profundos. Mais sentidos. As mãos agora exploravam com mais liberdade. Mas ainda com cuidado. Com respeito. Com… carinho. Não havia pressa. Não havia necessidade de provar nada. Era apenas… Entrega. --- Emily deixou escapar um pequeno suspiro quando ele beijou o pescoço dela. Os olhos fecharam. O corpo respondeu. Naturalmente. Ele sorriu contra a pele dela. — Gosto desse som. Ela riu baixo. — Não te acostumes. — Já estou a gostar demais. --- Ela o puxou de volta. Beijando-o novamente. Agora com mais intensidade. Mais emoção. Como se estivesse colocando ali tudo o que sentia. Tudo o que guardou. Tudo o que temeu. --- E naquela noite… Não houve máscaras. Não houve contratos. Não houve estratégia. Apenas dois corações que finalmente decidiram… Sentir. --- Mais tarde… Muito mais tarde… O quarto estava em silêncio. A luz suave iluminava os corpos agora relaxados. Emily estava deitada contra o peito dele. A respiração tranquila. Os dedos desenhando distraidamente padrões no braço dele. — Ainda estás acordado? — murmurou ela. — Sim. Silêncio. — Arrependido? Ele soltou um pequeno riso baixo. — Nunca. Ela sorriu. — Bom. Pausa. — Eu também não. --- Alexander virou levemente o rosto. Beijou o topo da cabeça dela. — Vamos devagar. — Vamos. — Mas juntos. Emily fechou os olhos. Sentindo. Aquecida. Segura. — Juntos. --- E pela primeira vez em muito tempo… Emily dormiu em paz. Não porque o mundo estava seguro. Mas porque… Ela não estava mais sozinha.
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