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992 Palavras
Uma semana havia passado. Sete dias. Sete dias que pareceram meses. Emily Carter nunca havia sentido o tempo correr tão rápido e, ao mesmo tempo, tão pesado. Cada manhã parecia começar com uma nova pressão. Cada noite terminava com a mesma pergunta martelando em sua mente. O que ela faria quando o prazo terminasse? Naquela manhã, o prédio da Montclair Holdings estava especialmente movimentado. Funcionários iam e vinham pelos corredores com tablets, pastas e relatórios. O fluxo constante de trabalho era algo que Emily normalmente apreciava. Mas naquele dia, o movimento parecia muito distante. Como se tudo acontecesse atrás de uma camada de vidro. Ela estava sentada em sua mesa, olhando um relatório financeiro que havia lido três vezes sem realmente absorver nada. Sua mente estava em outro lugar. Clara percebeu isso assim que entrou no escritório. — Você ainda está olhando para essa página há dez minutos — comentou calmamente. Emily piscou, como se tivesse sido puxada de um sonho. — Sério? Clara aproximou-se da mesa e colocou uma xícara de café diante dela. — Café forte. Achei que você fosse precisar. Emily segurou a xícara, mas não bebeu. — Eu não dormi muito. Clara suspirou. — De novo? Emily apenas assentiu. O relógio na parede marcava dez horas da manhã. Clara abriu o tablet. — Temos uma reunião com investidores às onze. Emily assentiu. — E depois? — Depois temos a reunião mensal do conselho. Emily fechou os olhos por um segundo. Isso significava Vincent. E provavelmente Malena também. Clara percebeu a reação. — Quer adiar? Emily abriu os olhos novamente. — Não. Endireitou-se na cadeira. — Se eu começar a fugir de reuniões agora, eles vão perceber a minha fraqueza. Clara não respondeu. Porque ambas sabiam que eles já estavam percebendo. --- A reunião do conselho começou exatamente ao meio-dia. Como sempre, Vincent chegou alguns minutos antes, acompanhado de Malena. Ela entrou na sala como se estivesse desfilando. Vestia um vestido vermelho exageradamente elegante para uma reunião corporativa e carregava uma expressão de superioridade que já era habitual. Catherine chegou logo depois. Mais discreta. Mais fria. Lucas apareceu por último, olhando o celular enquanto se sentava na cadeira. Emily já estava sentada quando todos entraram. Vincent sorriu. — Que pontualidade admirável. Emily não respondeu. Malena sentou-se e cruzou as pernas. — Faltam sete dias. Emily virou lentamente a cabeça. — Eu sei contar. Malena inclinou a cabeça, fingindo surpresa. — Ah, ótimo. Então estamos tranquilos. Catherine abriu uma pasta sobre a mesa. — Imagino que já tenha encontrado alguém. Silêncio. Vincent observava Emily como um predador esperando uma fraqueza. — Não seria elegante aparecer com um marido improvisado na última hora. Lucas soltou um pequeno riso. — Talvez ela peça alguém na rua. Malena riu discretamente. Emily apoiou as mãos sobre a mesa. — A reunião é sobre resultados trimestrais. Vincent inclinou-se para a frente. — O futuro da liderança da empresa também é um assunto relevante, senhorita Carter. Catherine falou calmamente: — A cláusula do testamento não é opcional. Emily respirou fundo. — Eu conheço a cláusula. Malena abriu um sorriso venenoso. — Espero que sim. Ela inclinou-se na cadeira, observando Emily. — Seria uma pena perder tudo o que você conquistou. Emily não respondeu. Mas dentro dela, algo apertou. A reunião continuou. Discussões financeiras. Relatórios. Projeções. Mas as provocações nunca estavam realmente ausentes. A cada pausa, Malena encontrava uma forma de lançar comentários disfarçados. Catherine observava tudo em silêncio. E Vincent parecia apenas esperar. Esperar o momento em que Emily falharia. Nem ela sabia como não tinha enlouquecido até então, ou tendo surto, santa paciência é o que ela precisava. --- Quando finalmente voltou ao escritório, Emily fechou a porta com cuidado. Clara levantou os olhos imediatamente. — Como foi? Emily soltou um suspiro longo. — Horrível._ disse encostando a cabeça na mesa Clara já esperava isso. — Eles pressionaram de novo. — Sem parar. Emily caminhou até a janela. A cidade parecia calma lá fora. Mas dentro dela havia uma verdadeira tempestade. — Clara… — Sim? Emily virou-se. — Você acha que eu vou perder a empresa? Clara não respondeu imediatamente. Ela pensou com cuidado antes de falar. — Acho que você ainda não desistiu. Emily sorriu levemente. Mas era um sorriso cansado. Ela caminhou até a mesa e abriu uma gaveta. Dentro dela havia um pequeno envelope branco. Clara franziu a testa. — O que é isso? Emily tirou o papel de dentro. Era um bilhete. Dobrado. Simples. Sem assinatura. Ela entregou a Clara. Clara abriu. Leu. E sua expressão mudou imediatamente. O bilhete dizia apenas: "Você deveria parar enquanto ainda pode." Clara levantou os olhos. — Quando recebeu isso? — Três dias atrás. — Por que não me contou? Emily encostou-se na mesa. — Porque não queria acreditar que era sério. Clara releu o bilhete. — Chegou como? — Na minha casa. Clara ficou em silêncio. Isso era pior. — Você mostrou para alguém? — Não, até então só para ti. Clara cruzou os braços. — Isso não é uma brincadeira. Emily passou a mão pelo cabelo. — Eu sei. — Pode ser alguém tentando te assustar. — Ou avisar. Clara a encarou. — Avisar? Sobre quê? Emily não respondeu. Porque ela também não sabia. --- A tarde passou lentamente. Emily tentou trabalhar. Tentou focar em relatórios, contratos e reuniões. Mas sua mente voltava sempre ao mesmos assuntos. O prazo. O casamento. A ameaça. O peso da empresa inteira sobre seus ombros. Quando finalmente o escritório ficou silencioso e a maioria dos funcionários já havia ido embora, ela permaneceu sentada sozinha em sua mesa. O céu lá fora já estava escuro. Clara havia ido embora uma hora antes. Emily estava prestes a desligar o computador quando ouviu algo. A porta externa do escritório abrindo. Ela franziu a testa. — Clara? Nenhuma resposta. Passos. Firmes. Calmos. A porta do escritório se abriu. Emily levantou os olhos. E congelou. Alexander Laurent estava parado na entrada. Observando-a.
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