O domingo nasceu devagar.
Não com a pressa habitual das segundas-feiras, nem com o peso emocional dos dias anteriores.
Nasceu como um sussurro.
Leve.
Quase tímido.
Como se o próprio tempo estivesse a caminhar em pontas de pés para não os acordar de forma brusca.
Dentro da casa dos Laurent, o silêncio era profundo, mas não vazio.
Era um silêncio cheio.
Cheio de descanso.
Cheio de respiro.
Cheio de uma tranquilidade que, nos últimos dias, parecia impossível de alcançar.
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Alexander abriu os olhos lentamente.
O corpo ainda pesado do descanso, mas a mente… surpreendentemente leve.
Por alguns segundos, ele não se moveu.
Apenas ficou ali.
Sentindo.
Respirando.
Existindo.
E então virou o rosto.
E viu.
Emily.
Dormindo ao seu lado.
A luz suave da manhã atravessava as cortinas e caía sobre ela, iluminando delicadamente os seus traços.
Os cabelos espalhados pelo travesseiro.
A pele com aquele brilho natural.
A respiração tranquila.
Alexander ficou imóvel.
Observando-a como se estivesse diante de algo raro.
Algo precioso.
Algo que não queria perder.
A mão dele moveu-se lentamente, quase com reverência.
Afastou uma mecha de cabelo do rosto dela, deixando-o completamente à vista.
E naquele instante…
Ele sorriu.
Um sorriso pequeno.
Mas carregado de algo profundo.
— És linda… — murmurou, a voz baixa, rouca, íntima.
Mas não parou aí.
Porque aquilo já não era suficiente para ele.
Ele inclinou-se.
Depositou um beijo na testa dela.
Demorado.
Suave.
Cheio de intenção.
E sussurrou:
— Eu amo-te, Emily.
As palavras saíram com naturalidade.
Sem esforço.
Sem medo.
Como se já fizessem parte dele há muito mais tempo do que ele próprio queria admitir.
Ele permaneceu ali por mais alguns segundos.
Observando-a.
Como se quisesse guardar aquele momento.
Como se quisesse gravá-lo na memória.
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Mas o dia chamava.
E, pela primeira vez em muito tempo…
Ele queria vivê-lo.
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Levantou-se com cuidado.
Sem fazer barulho.
Vestiu um calção leve.
E saiu do quarto.
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O ar da manhã o recebeu com frescura.
Com leveza.
O jardim ainda carregava o orvalho da madrugada.
As folhas das árvores moviam-se suavemente com o vento.
E a piscina…
Estava perfeita.
Calma.
Imóvel.
Como um espelho azul refletindo o céu.
Alexander aproximou-se da borda.
Respirou fundo.
E mergulhou.
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A água envolveu o corpo dele de imediato.
Fria.
Revigorante.
Quase terapêutica.
Ele nadou.
Uma braçada.
Depois outra.
Sem pressa.
Sem objetivo.
Sem a necessidade de chegar a lugar nenhum.
E aquilo, para alguém como ele…
Era raro.
Muito raro.
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Dentro da casa…
Emily despertou alguns minutos depois.
Lentamente.
Como se estivesse a sair de um sonho agradável.
Ela abriu os olhos devagar.
Piscou algumas vezes.
E, por um instante…
Ficou apenas ali.
Sem pensar.
Sem lembrar.
Sem sentir peso.
E então percebeu.
O lado da cama estava vazio.
Mas ao invés de preocupação…
Surgiu um sorriso.
Um daqueles sorrisos involuntários.
— Piscina… — murmurou.
Ela sentou-se.
Passou as mãos pelos cabelos.
E levantou-se.
Vestiu uma camisa leve.
E caminhou até a cozinha.
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A cozinha estava silenciosa.
A luz da manhã entrava pelas janelas, iluminando tudo de forma suave.
E naquele momento…
Emily tomou uma decisão simples.
Mas significativa.
Ela ia preparar o pequeno-almoço.
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Abriu os armários.
Escolheu os ingredientes com cuidado.
Frutas frescas.
Pão.
Sumo natural.
Café.
Cada gesto era calmo.
Sem pressa.
Sem pressão.
Como se estivesse redescobrindo uma parte dela que havia sido esquecida.
Enquanto cortava as frutas…
O olhar dela desviou-se para a janela.
E então ela o viu.
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Alexander na piscina.
A água escorrendo pelo corpo.
Os movimentos firmes.
Mas ao mesmo tempo…
Leves.
Controlados.
Mas livres.
Emily ficou imóvel.
Observando.
Absorvendo cada detalhe.
O jeito como ele mergulhava.
Como emergia.
Como passava a mão pelos cabelos molhados.
Ela mordeu levemente o lábio.
O coração acelerou.
— Este homem vai acabar comigo… — murmurou, sorrindo.
Mas havia algo mais.
Algo que não era apenas atração.
Era… admiração.
Era orgulho.
Era carinho.
Era… amor.
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Quando terminou de preparar tudo, olhou para a mesa.
Simples.
Mas acolhedora.
E então…
Um brilho travesso surgiu no olhar dela.
— Não… não vou só chamar.
Ela tinha outra ideia.
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Minutos depois…
A porta da área externa abriu-se.
Alexander virou-se ao ouvir o som.
E ficou completamente imóvel.
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Emily caminhava na direção da piscina.
Vestindo um biquíni que parecia ter sido feito para ela.
Simples.
Elegante.
Mas absolutamente hipnotizante.
O cabelo solto.
A pele iluminada pelo sol da manhã.
E aquele olhar…
Que misturava provocação e doçura na medida perfeita.
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Alexander passou a mão pelos cabelos molhados.
Sem esconder o olhar.
Sem disfarçar.
— Sabes que estás a brincar com o fogo, não sabes?
Emily cruzou os braços.
— Eu gosto de viver perigosamente.
Ele aproximou-se lentamente da borda.
— Tu és o meu perigo favorito.
Ela sentiu o coração disparar.
Mas manteve a postura.
— Ainda não viste nada.
E mergulhou.
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A água espalhou-se.
E segundos depois, ela emergiu, rindo.
Alexander entrou logo em seguida.
Sem hesitar.
Sem pensar duas vezes.
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E então começou.
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A brincadeira.
Os salpicos.
Os empurrões.
As tentativas de fuga.
As capturas.
As risadas.
Mas havia algo diferente agora.
Cada toque carregava intenção.
Cada aproximação tinha significado.
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Ele segurou-a pela cintura.
Puxando-a suavemente para si.
— Sabes que és a mulher mais linda que já vi?
Ela tentou afastar-se.
Mas não completamente.
— Dizes isso a todas?
Ele aproximou o rosto.
— Só à mulher que eu amo.
Silêncio.
Ela ficou imóvel por um instante.
Sentindo.
— Então diz outra vez.
Ele encostou a testa na dela.
— Eu amo-te, Emily.
A voz dele era baixa.
Mas firme.
Segura.
Ela fechou os olhos por um segundo.
Deixando aquelas palavras entrarem.
— Eu também te amo…
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A manhã passou entre risos e olhares.
Entre provocações e gestos suaves.
Entre momentos leves e outros carregados de emoção.
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Depois do pequeno-almoço…
Alexander não parava de olhá-la.
— Vais continuar assim?
— Assim como?
— A olhar como se eu fosse um quadro.
Ele sorriu.
— És melhor que qualquer obra de arte.
Ela riu.
— Exagerado.
Ele respondeu, sério:
— Nunca contigo.
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Quando decidiram sair…
O mundo voltou a existir.
Mas de forma controlada.
Discreta.
Protegida.
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No spa…
Alexander abriu a porta para ela.
Esperou.
Observou.
Cada detalhe.
Cada reação.
— Relaxa — disse ele.
— Hoje é só teu.
Ela sorriu.
— Nosso.
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Durante os tratamentos…
Ele não estava distante.
Estava presente.
Atento.
Quando ela saiu…
Ele levantou-se imediatamente.
— Estás radiante.
— É o efeito do spa.
Ele abanou a cabeça.
— Não.
— És tu.
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No salão…
Ele esperou novamente.
Mas desta vez…
Observando cada detalhe.
Quando ela terminou…
Ele aproximou-se devagar.
Passou a mão pelo cabelo dela.
— Perfeita.
Ela sorriu.
— Já disseste isso.
Ele inclinou-se.
Sussurrou:
— E vou continuar a dizer enquanto tiver voz.
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Na praia…
O sol começava a descer.
O céu pintado em tons quentes.
O mar tranquilo.
O som das ondas suave.
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Eles caminharam lado a lado.
Mãos entrelaçadas.
Sem esforço.
Sem hesitação.
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Sentaram-se na areia.
Emily encostou a cabeça no ombro dele.
E Alexander a envolveu.
Com cuidado.
Com presença.
Com amor.
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— Obrigada por hoje — disse ela.
Ele beijou a cabeça dela.
— Obrigado por existires.
Silêncio.
— Eu amo-te.
Ela sorriu.
— Eu sei.
— Mas nunca te canses de dizer.
Ele riu baixo.
— Nunca.
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O sol desapareceu lentamente.
E naquele momento…
O mundo não importava.
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Porque ali…
Naquele instante…
Eles não eram alvo.
Nem estratégia.
Nem guerra.
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Eram apenas…
Duas pessoas que se encontraram.
E que, contra todas as probabilidades…
Se escolheram.