Capítulo 6: Paulo Coelho

1709 Palavras
POV Kapri ********* ~ Três semanas depois ~ ********************* Ok, então já se passaram mais algumas semanas. Tenho passado mais tempo com o Liam e os gêmeos. Felizmente, o Maverick tem evitado todos nós. Aquele i****a e******o pode ficar bem longe de mim. Acontece que o Liam não é tão r**m assim. Ele é na verdade um homem muito simpático, com valores e tudo. Fiquei chocada. Não esperava que um homem tão rico, que possui mais da metade da cidade, fosse tão... gentil. Liam me mostrou sua casa, que na verdade é uma mansão. Alguns dias depois, ele mandou os gêmeos me mostrarem qual quarto seria meu. Então Liam me disse para dizer qualquer coisa que eu precisasse e ele conseguiria para mim. Foi um gesto fofo, mas... eu não quero nada novo. Já tenho tudo. Ainda assim, Liam não desperdiçou um único momento para mimar a mim e minha mãe. Com a maneira como os gêmeos agiam, sinto que isso pode ser normal para ele. É algo gentil dele como pai demonstrar tanto carinho por seus filhos. Fico feliz que minha mãe possa se beneficiar disso. Estou tentando ao máximo ser positiva por ela. Minha mãe realmente ama o Liam. Eu posso ver nos olhos dela. Na forma como eles se olham. De todos os homens que minha mãe já trouxe para casa, nunca vi nenhum deles fazê-la rir como o Liam faz. E o Liam está tão apaixonado pela minha mãe. É muito diferente de tudo que já vi nos relacionamentos dela antes. Talvez seja porque eles têm história juntos? Talvez eles simplesmente estejam destinados a ficar juntos? Talvez o Liam seja apenas um homem muito bom, e eu fui muito rápida em julgá-lo. Mesmo assim, casamento tão rápido é um pouco estranho. Talvez não para pessoas com dinheiro, mas para nós, reles mortais, é estranho. Eu me pergunto se minha mãe se deixou levar por tudo isso e é por isso que ela foi tão rápida para dizer sim. Talvez eu deva parar de pensar tanto nisso. Afinal, essa é a vida da minha mãe. Por mais que eu odeie admitir, o Maverick estava certo. Nossos pais são adultos, e eles estão felizes. Isso é tudo o que importa. Além disso, os gêmeos estão me conquistando. Jasmyn tem suas peculiaridades e gosta das coisas de um certo jeito. Acho que ela tem TOC. O que é algo surpreendente para uma criança de dez anos. Não por causa de sua idade, mas porque ela é realmente obcecada com isso. Além disso, por vir de uma família rica, Jasmyn tem dificuldade em entender que as coisas nem sempre podem ser do jeito que ela quer. Tenho tentado tirá-la de sua concha nas últimas semanas. Ontem, levei os dois para o parque quando não havia mais ninguém lá, e tivemos uma sessão de gritos. O Jesse estava bem animado com isso. Esse garoto tem pulmões. Jasmyn precisou de um pouco mais de convencimento. Ela ficou bastante envergonhada e só resolveu participar quando eu ameacei não parar nunca mais. No final das contas, acho que tudo deu certo. Jasmyn acabou se divertindo muito. Os dois estavam relaxados e despreocupados, como crianças de dez anos deveriam ser. Brincaram juntos no parque por um tempinho antes de eu levá-los de volta para casa. Aquela foi a primeira noite que passei na mansão do Liam. Foi extremamente infeliz para mim que o Maverick tenha chegado em casa naquela noite. *********************************** Já é manhã? Parece que acabei de adormecer. Por que está tão quente? "O que diabos você está fazendo na minha cama, nerd?" Meus olhos se abriram rapidamente ao ouvir a voz do Maverick. Tentei me levantar, mas ele tinha o braço envolto em volta de mim. Ele me segurava firmemente contra o peito. Agora eu sei por que estava tão quente. "Não se mexa. Foi você que se enfiou na minha cama afinal. Pode me manter aquecido." Ele disse provocando. "Eu não sabia que você estaria em casa esta noite, senão teria dormido no chão no quarto dos gêmeos." Resmunguei. "Você preferiria dormir lá do que comigo, é isso?" Ele perguntou. Será que estou sentindo álcool vindo dele? "Eu preferiria dormir na casinha do cachorro do que com você", zombei. Maverick riu. O que me surpreendeu. Então ele começou a acariciar lentamente com o polegar a pele do meu estômago por debaixo da minha camiseta. Meu rosto corou. Obrigada a Deus por estar escuro aqui. "Você sempre diz coisas bobas. Desde que éramos crianças", ele disse. Eu nem sequer imaginava que o Maverick se lembrava de qualquer coisa da nossa infância. "Você era um nerd naquela época também. Sempre com o nariz enfiado em um livro. Daqueles que eram muito avançados para a nossa idade", ele disse. Revirei os olhos. "Você precisava se enfiar debaixo das cobertas? Ou na cama de qualquer forma? Poderia ter me acordado." Reclamei. Maverick me puxou mais para perto dele. Ele está sem camisa? Por que diabos ele se enfiaria na cama comigo sem camisa? Ou de qualquer forma!? "Assim eu não teria tido esse momento precioso", provocou Maverick. Precioso o inferno. Nunca fiquei tão irritada na minha vida. Embora, ele realmente esteja quente... "Você se lembra quando éramos crianças e você me deu aquele livro?" Perguntou Maverick. "Deus, devíamos ter uns... Oito anos talvez?" Ele provocou. "Dúvido que você tenha lido aquilo", disse. "'Ama-se porque se ama. Nenhuma razão é necessária para amar'". Ele citou. Caramba... O Maverick realmente leu aquele livro? Será que ele gostou? Ele deve ter gostado para citá-lo tantos anos depois. Me pergunto se aquele livro fazia companhia ao Maverick enquanto ele visitava sua mãe no hospital. Se eu soubesse, teria dado mais livros a ele. Provavelmente até teria lhe feito companhia se eu soubesse. O que eu estou pensando mesmo? Maverick provavelmente leu aquele livro uma vez e o jogou fora. Provavelmente é apenas uma mera coincidência que ele tenha lembrado dessa citação. Eram apenas duas frases. Curtas, ainda por cima. "Eu concordo apenas pela metade com essa citação," disse Maverick. "Qual metade?" perguntei. "A primeira parte. Não é tão simples. Mas concordo que não há motivo para amar alguém," disse ele. "Isso nem faz sentido," disse eu. Maverick riu, o som ressoando dele até mim. "Talvez eu apenas tenha dificuldade em acreditar que alguém possa me amar com tanta facilidade." Ele disse enquanto enterrava seu nariz em meus cabelos. Ele acabou de me cheirar? Maverick bêbado é menos irritante e mais confuso. Não tenho certeza se gosto dele mais do que Maverick sóbrio ou não. "Talvez você apenas pense que não pode se apaixonar por ninguém," retruquei. Maverick se aconchegou mais em mim. "Você está errada nisso, minha pequena nerd," disse ele. Revirei os olhos. "Só mais uma coisa que você me ensinou." Ele murmurou. Hã? "Mas eu não faço isso direito. Eu estrago tudo. Então eu me afasto," ele continuou. "Do que você está divagando, Maverick?" perguntei, irritada. "Aquele livro e******o seu estava certo sobre uma coisa. Maldito Paulo Coelho." Maverick disse, com a fala enrolada. Não pude deixar de rir dele. "E sobre o quê Paulo estava certo?" perguntei. "'Toda bênção ignorada se torna uma maldição.'" ********************************************* Não consegui parar de pensar naquela noite desde então. Maverick e******o consome meu cérebro. Culpo minha mãe mesmo. Por instilar tanta compaixão em mim. Se eu fosse uma pessoa merda, provavelmente não me importaria com o que Maverick disse. Não ficaria me perguntando se ele estava falando sobre sua mãe, ou se talvez houve um momento em que ele esteve apaixonado. Não estaria tão preocupada com como Maverick realmente está por baixo de sua aparência de pegador bruto. Com certeza não estaria me perguntando o que ele quis dizer com outra coisa que eu ensinei a ele. Bah, tudo isso é confuso. Acho que Maverick e eu estamos prestes a nos tornar família. Talvez eu devesse tentar me envolver mais na vida dele. Sabe, ter certeza de que ele está realmente bem. Mentalmente. Emocionalmente. Todos nós sabemos que ele está bem fisicamente. Seja lá o que for. Nem devia me importar. Maverick tem sido um valentão comigo desde que éramos pré-adolescentes. Provavelmente ele está bem mesmo. Há outra coisa na qual não consigo parar de pensar. Maverick citou "O Alquimista" duas vezes naquela noite. Duas vezes. Não posso mais dizer que ele não leu o livro a essa altura, mas... Será que ele tem apenas uma boa memória? Digo, por que ele lembraria de tanto? Maverick parecia realmente se identificar com Paulo Coelho. Mais ou menos. Ele realmente parecia ter captado algumas coisas, mas eu não entendi muito do que Maverick estava tentando dizer. Devo apenas considerar nossa conversa como devaneios bêbados de Maverick e deixar por isso mesmo. Estou pensando demais nisso. E com certeza não vou falar sobre como dormi nos braços de Maverick a noite toda. Para ninguém. Nunca. Não importa o quão bom tenha sido. Talvez eu só goste de dormir ao lado de alguém. Maverick era realmente quente, e isso foi bom. Você pensaria que alguém com tanta musculatura seria desconfortável, mas não. Dormi como um bebê com seus braços grandes envoltos em mim. E quando acordei estava esparramada em cima de Maverick como se ele fosse a cama mais confortável do mundo. Foi nojento. Saí correndo antes mesmo de Maverick acordar. Graças a Deus. Maverick nunca teria deixado isso passar se ele me pegasse enrolada nele e deitada em cima dele. Fiz a coisa certa saindo de lá. Sim, foi a coisa certa. Maverick nem deveria ter entrado em sua cama comigo de qualquer maneira. Isso é culpa desse i****a. "Você está me ouvindo, Kapri?" Mamãe perguntou. Balancei a cabeça e me virei para ela. "Sim, sim." Eu disse. "O quê?" Mamãe balançou a cabeça para mim e Jasmyn riu. "Perguntei se você acha que deveríamos usar roxo ou laranja para os vestidos das damas de honra. Eu realmente gosto dessa cor lilás, mas também amo essa cor alaranjada queimada. Não consigo decidir." Mamãe disse, mordendo o lábio. "Acho que Kapri ficaria bem nessa cor." Jasmyn disse, apontando para uma foto. Mamãe e eu olhamos para a foto. Em seguida, Mamãe sorriu para mim. Eu dei de ombros em aprovação. "Vinho tinto escuro será então."
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