Brian contou toda a conversa que ouviu em mandarim dos Adoradores, os alphas ficaram pensativos, a espadachim mortal, havia sido derrotada, Magnus havia ganhado dela, ela conseguiu dar uma surra no alpha mais temido, mas havia apanhado de Magnus, a Adoradora era uma transformada dele? Magnus estava sempre um passo a frente deles, havia uma parente de Ayla na matilha de Henry, Magnus sabia, mas Henry não, também não quis saber, aceitou Bianca na matilha dele pra ela não ser uma desgarrada por se sentir culpado, tinha flertado com ela, a desprezou comparando-a com Ursula, sem nem saber o porque dela ter preterido Adrian, o desespero, a dor e o pranto de Selene haviam deixado todos com pesar, o choro da derrota havia mexido com todos eles, que naquele momento, falavam uns pros outros o que pensavam e sem perceberem todos se sentiram derrotados como ela, mas foram tirados de suas divagações quando chegaram dizendo ao alpha Henry que o fogo na casa da falecida Alpha tinha sido controlado, Martin que estava ao lado do seu alpha notou que ele parecia triste, estranho, o beta falou que iria ver o que sobrou da casa e depois falaria com o alpha, mas Henry disse que não, ele mesmo iria até lá e todos o acompanharam, Henry sentiu seu vínculo queimar no peito ao ver que não havia sobrado nada da casa onde Ayla havia vivido, sentiu uma dor terrível, era como se todo vestígio de que um dia Ayla viveu nesse mundo tivesse acabado, ele não quis se aproximar, os olhos marejados, todos os alphas e Martin atentos às reações dele, Henry olhou demoradamente pro lugar onde um dia foi a casa de Ayla, sua matilha também tinha se reunido ali pra lamentar a perda daquele lugar que era um santuário pra eles, então Henry olhou pro céu, vendo a lua cheia, o cio presente no corpo dele não o enfraquecia naquele momento e ainda olhando pra lua lembrou das palavras que um dia falou pra Ayla:
"Pode passar o tempo que for, aconteça o que acontecer, você sempre será a minha luz da lua, a luz que ilumina os meus caminhos, a luz que me protege da escuridão e me faz querer viver todos os dias, mesmo nos momentos que não estivemos juntos, olharei pro céu e procurarei você na noite, olhando pra lua, na luz da lua"
E deixou o sentimento em seu peito o dominar, saudades de Ayla, sentiu que a amava mais que tudo no mundo, mesmo estando morta, mas naquela noite, ele escutou no seu mental, seu lobo chamar outra loba de companheira, no momento que tocou na espadachim, mesmo toda coberta, o corpo quente dela despertou a fera dele, ficou semi transformado sem perceber, quis uivar e marcá-la e só nao fez isso porque se sentiu fraco, subjugado pela proximidade dela, jamais conseguiria matá-la, mesmo estando zangado com a surra que levou, mas como era possível ele amar outra loba? Não conseguiria lutar contra isso, Martin e os outros perceberam que ele passava por uma luta interna e Oliver, falou:
_Alpha Henry, lamento o que aconteceu com a casa da sua falecida companheira, mas a alpha Ayla foi marcante pra história dos lobos, a última loba branca que existiu, ninguém vai esquecê-la.
Henry sentia a luta interna dele, o cio, a culpa por estar substituindo Ayla no seu coração, o vínculo, tudo ao mesmo tempo e Martin que conhecia seu alpha, falou:
_O que houve alpha?
_Selene não é uma vampira, é uma loba, senti o calor do corpo dela ao derrubá-la da moto, meu lobo reagiu, como reagiu pra Ayla um dia.
Todos se olharam, aquilo era impossível, nenhum lobo na história poderia ter duas companheiras, mesmo que a desse lobo tivesse morrido, prematuramente, como era o caso de Henry, mas Oliver fez uma pergunta que ia pela linha de pensamento mais obvia pra eles:
_Mas a situação do alpha Henry também é uma situação inédita, nunca havia tido um híbrido antes, porque não uma segunda companheira?
Eles pensavam e tentavam entender como tudo era possível, como aconteceu tudo aquilo naquela noite.
Emir e Selene pegaram a estrada em direção a Jaen, o bruxo falou pra Selene que a bruxa Verônica iria encontrar com os lobos dela e orientá-los a se esconderem em Madrid até ela convocá-los, eles não podiam participar dessa missão, o risco de serem mordidos seria grande e ela daria conta sozinha, falou que as bruxas expulsas por Henry também foram recolhidas por Verônica, contou que o alpha não invadiria a matilha de Romeu, tudo havia mudado, a derrota dela havia aplacado a vontade dos alphas de subjugá-la e que agora que ela já tinha lutado pra eles e por eles, era hora de afrontar os vampiros, afinal era contra eles aquela guerra, Selene sorriu e agradeceu a ele por estar ao lado dela, estava desolada e ele trouxe luz a sua consciência, ela não poderia vencer nada sozinha, Emir também sorriu pra ela e falou:
_Você está se saindo muito bem como alpha, escuta, aceita ajuda, pede e agradece, deveria ensinar um pouco disso aos outros alphas.
Selene sorriu, mas ficou séria de novo, abaixou a cabeça e falou:
_Eu vi tudo o que Magnus vai fazer com Bianca através dos olhos dele.
_Sim, eu sei, mas ele não vai matá-la, chegaremos a tempo.
_Mas como o acharemos?
_Eu não posso achá-lo e nem nossos obsessores, mas eles podem achar a loba, você poderá ler a mente de Magnus, dos transformados dele e usará a memória do sangue.
_Terei que tirar o amuleto pra ler a mente de Magnus, mas não sei se consigo ler a mente de outros vampiros-disse com pesar.
_Sim, voce não usara o amuleto só por alguns momentos, estaremos distantes dos alphas pra eles perceberem e algo me diz que você conseguirá ler a mente de quem também foi transformado por Magnus.
Chegaram em Jaen no meio da madrugada, próximo ao primeiro covil que seria atacado, era numa casa velha no meio do nada, escondida e Emir falou:
_Magnus e nem a loba estão mais aqui, tire o amuleto, se concentre e tente descobrir como ele saiu daqui com ela e pra onde foi
E assim Selene fez, conseguiu ler o mental deles, havia cinco vampiros na casa e dois humanos que eles pegaram pra drenar e transformar, falavam da fuga de Magnus com a loba, Selene soube tudo e quando terminou, colocou o amuleto e perguntou a Emir se ele tinha trago gasolina, ele afirmou que sim e abrindo o porta luvas, pegou uma caixa de óculos e falou:
_Trouxe até um óculos novo.
Selene riu de lado, mas na hora que estendeu a mão pra pegar os óculos, notou que estava sem uma das luvas, se assustou, olhou pra Emir que não tinha entendido ainda e falou que tinha perdido uma das luvas, provavelmente quando o alpha Henry, tentou segurá-la, Emir espremeu os lábios, aquilo não tinha sido previsto.