Capítulo 3

2606 Palavras
Aurora Soares Me jogo na cama do nosso quarto depois de colocar um conjunto de moletom. Ia passar o resto da tarde dormindo e a noite combinei de sair com Thaís para um barzinho no asfalto com minha prima Mirella. Tia Gabi me enviou várias mensagens avisando que não queria saber dela chegando bêbada em casa porque ainda é menor de idade, mas era só uma saída entre amigas e Micael ia levar, então ia ficar de olho em nós, mesmo que não precisasse. Minha relação com meus pais estava bem balançada depois da nossa conversa ainda na Itália, o que me deixou chateada foi meu pai que sempre foi um herói pra mim ter ferido minha mãe. Dona Beatriz não entrou em detalhes nem quis tocar no assunto do passado parecia que era doloroso para ela e eu não quis forçar. Então desde daquele dia, converso o básico com meu pai e já com minha mãe tenho mais contato, é r**m ficar sozinha o dia todo sem companhia, tento me distrair indo até a Thaís, onde trabalho, jogo conversa fora, brinco e dou boas risadas ao seu lado. Podemos dizer que estamos quase virando melhores amigas e até contei como é meu casamento com Lorenzo, deixando ela mega surpresa. Fecho meus olhos pensando em tudo que preciso fazer antes de sair hoje a noite, quando o sono me invade são poucos segundos até que eu entre num sono profundo. [...] Me olho no espelho vendo como tô gostosa nesse vestido preto sem alças com um casaco branco de pelos por cima, meu salto é da mesma cor que o vestido e tem alguns strass em cima. A make de hoje foi super leve com o delineado gatinho e o batom nude que eu amo. Lorenzo não voltou a entrar no quarto e nem ousei descer para ter a chance de esbarrar com ele pela casa, tô quase desmaiando de fome e prefiro morrer do que ver ele agora. Eu sabia que ele era escrotø, mas tava se superando cada vez mais e meu ódio só aumentava. Pørra, será que não se ligava que eu tava ali perto enquanto outra me chamava de cornä? Não que eu me importasse com isso, mas a falta de respeito dele era demais. Bom, meu futuro amante não iria fazer isso que as meninas que ele pega fazem. Bem feio sair espalhando pra todos o que fizeram em quatro paredes, as meninas daqui desse lugar não tinham limites e gostavam era de barraco, já comigo só a tal Cíntia que quis testar e agora as outras sempre jogam piadas, mas numa encarada minha, abaixam a cabeça passando longe. Dou uma ajeitada no vestido antes de pegar minha bolsa e sair do quarto em passos cautelosos procurando por um sinal dele pela casa, torço mentalmente para que tenha saído e não apareça logo agora. Da escada vejo que ele não está na sala e sorrio com isso, começando acelerar o passo até a rua. Agradeço ao meu pai por ter me dado um carro dele que estava na Rocinha para que eu usasse aqui, entro na XC60 novinha e saio com ela da garagem vendo que a moto do Lorenzo não está ali. Deve ter ido pra boca ou atrás de mulher, como sempre. Passo na casa da Thaís buzinando e na mesma hora uma moto encosta do lado do meu carro me fazendo trancar a respiração. Vejo que é o Felipe. — Eita pørra. Tá bem em Aurora — diz quando abaixo vidro e ele analisa todo o carro — Caraca, tá arrumada pra ir onde? — pergunta sorrindo e eu reviro os olhos. — Não vou dizer, sei que vai contar para teu dono — ele fechou a cara respirando fundo. — Te fiz nada pra tá falando esses bagulho pow, só queria saber onde é pra colar mais tarde e quem sabe dar uma esbarrada numa confeiteira gostosa — dei risada quando ele começou olhar para casa da Thaís com a cara de cafajeste que tinha. — Se liga Talibã que minha amiga não te quer não — ele deu uma risada cruzando os braços. — Qual foi Aurorinha, não seja má comigo e ajuda teu amigo aqui — eu dei risada colocando o braço pra fora do carro — Tem que fazer uma tattoo nesse teu braço de grilo pow — fechei a cara. Eu não era gorda, tinha um corpo que me fazia bem apesar de ser bem mais magra que as meninas que já vi por aqui. — Nem quero papo contigo cara, achou que me chamar de magrela ia te ajudar para eu te apresentar a Thaís? — ele ficou segurando o riso — Te liga né, agora tu que se vire aí sozinho — ele pareceu entender como eu tava falando sério e engoliu em seco ligando a moto. — Foi m*l aí, não era minha intenção te magoar — seus olhos mostravam realmente um certo arrependimento e só por isso sorri discretamente. — Tudo bem, perdoado. — ele estreitou os olhos na minha direção — Viu Lorenzo,por aí? — ele coçou a nuca e deu uma leve tossida. — Ah... Sinistro foi atrás de um celular novo e nem explicou direito — mentiu e dei de ombros — Vou lá, qualquer hora vou lá tomar um café com tu — assenti e me despedi dele. Esperei mais alguns minutos e quando Thaís passou pelo portão fiquei de boca aberta para sua beleza. Vestindo uma mini saia preta de couro com o cinto e uma blusa de tricô marrom, nos pés um coturno preto, ela se aproximou sorrindo. — Aí desculpa a demora, tava indecisa na blusa que eu colocava — se explicou praticamente na janela do carro. — Vamos, entra aí — falei destravando a porta para ela. Thaís deu a volta no veículo abrindo a porta e se acomodou no banco do carona fechando a porta. — Caraca Thaís, tá muito linda, arrasou — ela corou as bochechas ficando tímida. — Aí obrigada — agradeceu sem jeito — Eu m*l recebo elogios, quando acontece fico morrendo de vergonha — falou esfregando o rosto e eu neguei sorrindo. Era impossível não receber elogios com sua beleza. — Como não garota? Você sempre tá maravilhosa e já vi que o que não falta aqui é receber clientes homens, ficam só babando em tu — demos risada. — Isso é, mas não me elogiam só soltam indiretas para me comer e Deus me livre de me envolver com bandido — fez o sinal de cruz me tirando uma gargalhada sincera. — Meu marido é bandido em — ela deu de ombros — Tem uns que são legais, vejo pelo Talibã que é legal e parece ser uma pessoa boa — ela revira os olhos mordendo o lábio inferior me deixando desconfiada — Já chegou a conversar com ele? — n**a na mesma hora e aperta as mãos em nervosismo. Ela tá mentindo. Reconheço de longe uma mentira e ela ficou tão nervosa ao escutar o vulgo do Felipe que nem parece a Thaís que eu conheço. — A gente vai logo ou não? — bufou e eu liguei o carro. — Coloca pra mim no maps a localização? — pedi entregando o celular desbloqueado para ela. — Vai naquele barzinho mesmo? — assenti — Amo lugares pertinho do mar — comentou e eu sai com o carro. O caminho era um pouco demorado, mas não era nada entediante nossas conversas e hoje em especial queria tirar dela um pouquinho para saber qual a história com o Talibã, se é que tinha alguma. Ela foi brincando sobre Lorenzo aparecer no bar para acabar com minha alegria e que ele me arrastaria para casa igual os livrøs que lê no seu k****e com declaração e uma føda intensa. — Nunca que ele faria algo assim, nem temos i********e para nada disso sua louca — ela deu risada. — Mas tu queria? — neguei sorrindo. — Quero aproveitar os cariocas dessa noite, meu marido deve ter até doença de tanta püta que pega — fiz uma careta de nojo. — Tem camisinha pra isso — rebateu ela sorrindo. Nada me agradava em ter qualquer coisa com Lorenzo e depois ser tratada igual as da rua, preferia mil vezes a minha paz. — Mesmo assim, que nojo ficar com um cara que deve comer várias em um só dia, eu em — ela ficou quieta com minha indignação. Já estávamos perto de chegar no local marcado pelo maps e agora faltava achar uma vaga para estacionar, o lugar tava super movimentado com muitos carros naquela área. — Me avisa se achar uma vaga — pedi enquanto analisava onde dava para entrar — Acho que se fizer a volta da pra colocar lá, não é? — apontou para o outro lado da rua na contra mão e assenti — Vou fazer o retorno, quer ir descendo? Acho que a Mi e o Micael não chegaram ainda — ela negou. — Não quero entrar sozinha, vou contigo e entramos juntas — dei uma risadinha saindo com o carro para fazer o retorno já que não dava pra fazer a volta com o carro ali. Fiz o retorno e consegui estacionar tranquila, tirei meu celular do suporte e vi que tinha mensagem de voz da Mirella. Prima, a gente ainda não saiu de casa e vamos atrasar um pouco porque o Mica tava resolvendo algumas coisas com o papai, foi tomar banho agora. Quando chegar por aí te ligo se não te encontrar. — Vamos então? — Thaís falou e só concordei pegando minha bolsa. — Tá lotado e ainda com música ao vivo, uhuul — dei um gritinho animada e abri minha porta. Tranquei o carro e atravessamos a rua indo em direção ao barzinho que dava para escutar a música sertaneja animada de longe. A faixada preta com o nome em vermelho junto aos leds dando um destaque no ambiente cheio de mesas de madeira e uma área externa do outro lado com um deck onde dava pra ver o cantor junto ao grupo que tocava ali. Andamos de braços dados até o balcão que estava uma parte vazia e nos sentamos observando o local. — Nossa tá lotado de homem bonito — escutei Thaís murmurando e dei um sorrisinho pra ela. — Vê se não esquece que veio comigo — falo pra ela que n**a ficando vermelha. — Eu não tava falando pra mim e sim pra você — dou uma risada negando e chamo com a mão o barista — Tenho vergonha de ficar com alguém no meio de todo mundo — dou de ombros. — É normal isso, mas se não tá confortável fica tranquila que ninguém vai forçar nada — assinto e o barista pega dois cardápios vindo na nossa direção. — Boa noite meninas, fiquem à vontade e quando quiserem pedir é só me chamar — entregou nas nossas mãos o cardápio de bebidas. — Obrigada! — falamos em uníssono. O barista de meia-idade se afasta indo atender o pessoa do outro lado do balcão enquanto escolhemos nossas bebidas, por fim acabo pedindo assim que chamo o homem, um bloody mary para mim e Thaís opta pela caipirinha tradicional. Ficamos ali vendo o movimento até a bebida chegar e logo após de descer o primeiro drink já sinto meu corpo esquentando para ir até onde outras pessoas dançam. Danço alguns minutos sozinha até eu sentir um olhar carregado em mim, procuro ao meu redor e não encontro ninguém a não ser a Thaís que me olha do bar enquanto bebe seu segundo drink. Fico me sentindo deslocada até que o cantor anuncia que irá dar uma pausa, mas que continuará a música tocando no bar. Fico sem graça ali junto com outras pessoas que dançavam e me retiro indo até a Thaís para avisar que tô indo no banheiro. — Preciso ir no banheiro — falo direto no seu ouvido e ela assente soltando o copo no balcão — Não precisa ir junto, só fica com meu celular caso a Mi ligue para avisar que chegou — ela pega o celular da minha mão e volta a pegar o copo dando de ombros. Caminho até a placa dizendo onde é o banheiro e antes de alcançar a porta sinto uma mão fechar no meu braço. — Oi — viro ao escutar aquela voz rouca e me deparo com o cantor da noite — Desculpa te abordar assim, me chamo Anderson — estende a mão me soltando e eu pego meio sem jeito. — Oi, me chamo Aurora — abro um sorriso pequeno ao ver seus olhos brilhando de expectativa. — Nem consegui continuar com o show depois que vi sua beleza — falou perto de mais para minha sanidade mental. O rosto dele era lindo de morrer, olhos intensos e a barba bem feita deixando aparente que já tinha uma maturidade maior do que os caras que ali frequentam. Sua postura me intimidava no mesmo nível que me deixava ansiosa por mais contato, sua respiração pesada conforme seus olhos brilhavam encarando meu rosto. — Você namora? — perguntou depois do meu silêncio e eu neguei sorrindo. Ele não precisava saber que eu era casada de fachada, certo? — Se quiser, depois que terminar meu show podemos nos conhecer melhor... — se afastou dois passos com um sorriso sedutor. — Talvez eu goste de te conhecer melhor — dei de ombros podendo respirar tranquila ainda com seu cheiro gostoso no ar. — Vou te deixar em paz agora, me pareceu bem tímida — eu dei uma risadinha e seus olhos se tornaram escuros — As tímidas são as piores — acrescentou me olhando como se fosse me devorar e senti minha calcinha molhando. Antes que eu abrisse minha boca para falar, vi ele sair dali me deixando apreensiva sobre o que rolaria o restante da noite. Entrei no banheiro e duas garotas me olharam com um sorriso enorme no rosto, franzi o cenho sem entender quando me puxaram. — Menina, não acredito que o cantor gato te deu um mole daquele e tu travou — estavam me olhando como se eu fosse louca — Porque não agarrou ele logo? — perguntou a loira. — Eu fiquei sem graça, nem esperava isso — me defendi e a morena revirou os olhos. — Como não viu? Quando tu começou a dançar, ele ficou babando em você e parecia que tinha ficado gago — dei uma risadinha, eu queria ter visto. — Aliás, me chamo Sofia e essa é a Marcela — a loira apresentou. — Sou Aurora, prazer meninas — elas só sorriram e eu me olhei no espelho vendo que ainda minha make estava intacta — Eu agora preciso ir no banheiro, se quiserem me esperar... — corri para cabine trancando. Poucos minutos depois eu sai para lavar minhas mãos e as duas ainda me esperavam. Conversamos um pouco, no fim convidei as duas para se juntar numa mesa só e como estavam sozinhas, aceitaram. Escutei o Anderson voltar a cantar e vagou uma mesa no deck onde ele estava, Thaís grudou nas meninas e fomos para mesa já pedindo porção de fritas, picanha e camarão. Se eu não comesse ia passar m*l rapidinho só bebendo. O show continuou e meus primos chegaram se juntando a nós, meu olhar não saia do cantor, mas tudo mudou quando atravessando a porta do deck junto com Talibã, Lorenzo entrou vindo direto na nossa mesa. — Oi esposa — abriu um sorriso diabólico — Cheguei para te fazer companhia...
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