14

1441 Palavras
CAPÍTULO QUATORZE. Selene Moreau — Quer dizer que você ainda... — a Kaiane balbucia, me olhando e o meu rosto cora. — Você e ele não ficaram? Tipo, nunca? — ela pergunta, como se fosse coisa de outro mundo. — Não — respondo, e o seu par de olhos se abre mais. — Vai dizer que agora faz sentido que ele simplesmente tenha noivado em questão de dias sem nem antes ter terminado comigo? — questiono, meio revoltada. — Claro que não... — ela diz, se sentando na minha frente, na cama. — É só que... — eu a corto. — Eu tenho olhos, eu sei que ele é tudo o que você viu e ele é exatamente o que você pensa que é — falo, e ela cora. — Não é isso, Selene — ela diz. — Na verdade, uma parte sim, mas não importa — ela se retifica e eu reviro os olhos. — É que você disse que se entregou para ele de corpo e alma, e eu entendi que ele foi o seu primeiro — ela fala, e eu suspiro. — E você fugiu de madrugada para outro país só por ele, tudo entre vocês é, literalmente, intenso — ela justifica, e eu sorrio, com o meu coração sangrando. — É, tudo nele despertou coisas em mim que ninguém nunca tinha despertado antes, de forma intensa, extremamente intensa — irrefutavelmente. — E quando eu digo de corpo, é porque... — eu nem sei o que explicar. — Eu não sei quem inventou que se sente sentimentos com o coração, se sente com o corpo inteiro, por isso que quando dói, até as entranhas apertam — respondo, e ela me observa empática. — E não precisou ter contacto físico, para eu ter ficado maluca e me ter tornado boba o suficiente para fazer o que eu fiz — falo, e ela ruboriza. — Eu sei, mas é que com uma pessoa que se parece com ele, é meio difícil imaginar que alguém resista... — céus. — Me desculpe! — ela diz, dando três tapinhas nos lábios dela. — Mas você acabou com ele... Desculpa insistir, mas aquilo foi horrível de assistir, ele nem olhou para a filmagem e não podemos tirar a razão dele — ela diz. — E se vocês nunca... faz sentido que ele não tenha prestado atenção nesses detalhes — eu a corto. — Eu sei! — exclamo. — Mas ele era o meu namorado, não era alguém com quem eu estava flertando, era alguém que prometeu fugir comigo antes que eu noivasse o nojento do Zade — falo. — Se ele me amava tanto, porque razão ele simplesmente desistiu de mim sem nem ao menos falar? Como ele pode simplesmente ter noivado em questão de dias, Kaiane, sem ter terminado comigo? — pergunto, indignada. — Eu não estou o defendendo... — reviro os olhos. — Escuta, ele é um Duvall, o lugar em que vivemos todo mundo se conhece — ela diz. — Se nós só soubemos que o maior inimigo do seu pai tinha um filho agora, foi porque o senhor Duvall o estava protegendo — ela diz. — Foi uma coincidência imensa, filhos de dois inimigos mortais terem se encontrado fora dele, e ao descobrirem, terem organizado o noivado dos dois, não? — ela pergunta. — Ele não noivaria a força — respondo, e ela suspira. — Tudo bem, mas você entendeu a lógica — ela diz, e eu suspiro. — Uma coisa não anula outra — respondo. — Nós vimos a trama que o Zade e a Márcia fizeram, não é como se ele tivesse mentido sobre o que viu — ela diz. — Não importa, Kaiane — falo. — O que você quer que eu faça? Depois de tudo o que eu passei nesses últimos meses? Ele não faz ideia do que eu senti, e me julgou sem ter sombra de dúvida alguma do meu caráter — digo, ainda chateada. — Ele também está noivo, acabou! — digo, e ela me encara. — Você também está — ela diz, e eu dou de ombros. — Não por muito tempo — respondo. — Eu falei que não ia me casar com aquele desgraçado, e pretendo fazer o que eu disse, e depois disso, tudo ficou mais fácil — digo. — E farei isso sozinha — digo para ela que suspira. — Ele agora está morando cá, aqui onde todo o mundo conhece todo mundo e se pode esbarrar a qualquer momento, até quando vai conseguir se fazer de indiferente? — ela pergunta, e o meu coração falha. — Kaiane, você já armou para mim hoje e essas suas questões estão me irritando — falo querendo trocar de assunto. — Tudo bem... — ela diz, levantando-se e pegando na comida, trazendo até aqui. — Só não se esqueça que para além de estar se privando por conta de uma armadilha que fizeram contra vocês, você estará dando exatamente o que eles querem — ela fala, e eu fico atordoada. — Agora coma, eu vou tirar a minha maquiagem — ela diz, indo para o banheiro. — Já não vamos descer mesmo — comenta. — Você pode ir se quiser — falo, comendo. — Eu só ia para impedir que você se acabasse no whiskey, mas acho que não vai ser mais necessário — não sei se ela estava me provocando, mas que seja. A minha cabeça está numa espiral atroz. A minha prima, que era suposto ser uma irmã, não só fez um cosplay meu, mas dormiu com o Zade, que ela já sabia que seria meu noivo, apenas para me deixar em maus lençóis com quem... Argh! O meu sangue está fervendo, eu acho que eu tinha perdido um pouco o jeito de como as coisas são por aqui, mas ah! Eu tive o choque que precisava. Assim que eu voltar, eles irão ver do que eu sou capaz. Enfim, você tem uma competição amanhã por ganhar, Selene. É na competição que você deve pensar. Só nela.. Nós duas já estamos de banho tomado, portanto ela só colocou o pijama e veio para a minha cama, e ficamos comendo, porque ela pediu muita comida. — Deve ser o serviço de quarto — ela diz, já puxando os pratos no carrinho, e eu simplesmente me levanto, indo ao banheiro, retirando a maquiagem que eu vi, quando um estrondo soa. — Onde está a Selene? — a voz do Zade soa, me deixando furiosa. Com quem ele pensa que está falando assim? Saio do banheiro, já chateada, e me deparo com ele no meio do quarto, e os homens dele parados perto da entrada. — O que você pensa que está fazendo, Zade? — pergunto, nervosa. — Você não desceu, e eu queria saber onde estava e o que estava fazendo — ele diz, e eu levo o meu olhar para a Kaiane que revira os olhos. — E por acaso você é o quê? Meu babá, Zade? — pergunto retoricamente. — Saia do meu quarto — mando, apontando para a porta e ele olha para o meu dedo. — Eu sou o seu noivo, devia ver como fala comigo — Santa paciência. — Eu disse para sair, Zade! — falo, e ele trinca o maxilar, com os seus olhos escuros em mim, nada satisfeitos. — Saia daqui! — falo, irritada, com a presença dele aqui. Quem ele acha que é? Meu dono? — Eu vou sair, mas não porque você mandou — haja paciência. — Vou sair porque já deu para ver que está alterada — claro. — Vá! — mando, e mesmo relutante, ele finalmente sai daqui com a patrulha dele. Suspiro fundo, olhando para a Kaiane que teve a mesma reação que eu. — Com licença — ouvimos a voz do moço que veio deixar comida aqui na porta. — Oh, obrigada! — a Kaiane diz, entregando ele o carrinho. — Seja lá o que pretende fazer para acabar com isso, faça logo, Selene — ela diz, fechando a porta e eu volto para o banheiro. — Homem louco... — ela fala, e eu me limito em simplesmente lavar o meu rosto, porque minha cabeça já não está no seu melhor estado. Termino tudo, enquanto ela já estava na cama falando ao celular, e eu vou para ela também. Como ela está falando ao celular, eu me limito simplesmente em ativar o alarme, e fechar os meus olhos, tentando ignorar o único nome que pula por toda a minha cabeça sem o meu consentimento. Amanhã é dia, e eu preciso cair na real e esfriar a pobre da minha cabeça.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR