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1781 Palavras
CAPÍTULO TRINTA E CINCO. Selene Moreau Desperto sentindo o cheiro do Laurent, mas quando abro os olhos não o encontro aqui. Sento-me entorpecida, e meio desacreditada que não estou no meu cativeiro e sim no quarto dele, na casa da montanha dele que eu não sabia que o pertencia até ontem. Insanidade. — ... — suspiro, colocando os meus pés para fora da cama. Vou até a varanda, curiosa, e observo a piscina privativa aqui, e a vista embaçada do mar ao longe. Melhor vista que essa, impossível! Com frio, eu volto para o quarto. Vou até ao closet escolho uma roupa confortável, peguei uma camisola estruturada de lã de cor preta e botões dourados, e umas calças simples com o mesmo tecido e cor da camisola, mas sem nenhum botão. Levo tudo e vou para o banheiro, faço a minha higiene oral, tomo o meu banho, faço a minha skincare, visto-me, e refresco os meus cachos deixando-os soltos. Arrumo a cama, e as minhas coisas, pego o celular e desço. Um cheiro bom se faz sentir quando eu me aproximo da sala. — Bom dia! — saúdo, vendo a Zafina e a Sienna pondo a mesa, chamando a atenção das duas que sorriem para mim. — Bom dia! — elas saúdam, e eu sorrio. — O cheiro disso está ótimo! — comento, e elas sorriem. — São as mãos da senhora Zafina, eu só estou ajudando a colocar a mesa — a Sienna diz, e eu sorrio olhando para a mesma. — Tem mais alguma coisa para levar na cozinha? — pergunto. — Não, já está tudo pronto — ela diz. — Sentem-se, eu vou chamar os homens — ela fala, e nós assentimos, sentando-nos. — Como descansou? — a Sienna pergunta, e eu dou de ombros. — Bem, eu acho... — respondo. — Acha? — pergunta, me encarando. — É meio complicado descansar bem quando todos os seus amigos ficam escondendo coisas de você — respondo, e eu vejo ela suspirar. — Nós não estamos escondendo nada de você, Selene — ela diz, e eu sorrio. — Claro que não estão, eu sou estúpida o suficiente para não notar nada do que está acontecendo — falo ironicamente. — Selene... — eu a interrompo. — Sienna, eu nem vou debater mais sobre isso, seja o que for eu descobrirei sozinha, pode continuar agindo como estava — falo, sem paciência e logo em seguida vejo a Zafina entrar com o senhor Denis, o Laurent, o Damian, o Apollo e o Harper, mais os dois homens que eu vi quando chegamos ontem. Um grupo grande, e eu gosto disso... Mesmo me sentindo estranha por conta de toda essa situação. — Bom dia! — saúdo, e eles sorriem. — Bom dia! — respondem, e o meu rosto simplesmente cora com o olhar do Laurent na minha direção. Ele senta-se no início da mesa, cuja minha cadeira fica ao seu lado, para o fervor dos meus glóbulos vermelhos. — Descansou bem, Sirena? — valha-me. Ele começa assim tão cedo. — Estávamos falando justamente sobre isso — a Sienna comenta. — Sirvam-se, bom apetite! — a Zafina diz, e eu assinto, ignorando a questão dele. Eu estava os ignorando, mas interagindo com eles, se deu para perceber. Com os seguranças e com o senhor Denis e a senhora Zafina, para ser mais específico. Já que eu não entendo nada do que está se passando, que eles entendam as próprias conversas, eu não quero nenhuma conversa superficial com nenhum deles. Mal terminamos de comer, eu me meti na cozinha, ajudando a senhora Zafina a tirar a mesa, fugindo do Laurent por alguma razão que funcionou por apenas alguns minutos. — Selene? — a minha espinha se arrepia quando a voz do Laurent soa, repentinamente, enquanto eu limpava a louça. Valha-me... Levo o meu olhar até ele. — Podemos conversar um minuto? — pergunta, e a forma como o faz amolece o meu coração por algum motivo. — Eu estou ajudando a senhora Zafina — respondo, e a Sienna tira o pano das minhas mãos. — Eu termino isso — muito obrigada. — Já está tudo feito, pode ir — a Zafina diz, e eu suspiro buscando conter a velocidade dos meus batimentos cardíacos. Ele faz um sinal para eu sair, e sem opção eu saio, o seguindo até uma outra área da casa. Uma outra sala de estar, bem decorada, tem uma lareira aqui, e parece ser extremamente calmante estar aqui. Estamos sozinhos aqui. — Sim? — eu falo, tentando disfarçar o meu nervosismo enquanto ele me observa. Seu olhar sai de mim, enquanto ele retira alguma coisa do seu bolso. E quando ele abre a caixa o meu coração despenca. Ele acabou de tirar um anel! Um anel!!! — O que é isso? — eu não pensei, foi apenas o que saiu automaticamente dos meus lábios. — Você é a minha esposa, e esposas usam anéis, não Selene? — pergunta, pegando na minha mão. O toque entre elas foi como um choque elétrico. A minha respiração cortou, a minha barriga esfriou e o meu sangue esquentou, enquanto os meus olhos acompanhavam os seus dedos deslizarem o anel mais bonito que eu já vi no meu dedo. A pedra dessa brincadeira é enorme e mais reluzente que o esperado. — Espero que esse anel não seja o que pretendia dar para a Leila — falo, defensivamente, mas também... curiosa. — Selene... — fala, como se pedisse paciência. — O quê? — pergunto defensiva, e ele volta os seus olhos azuis novamente para mim. — Esse anel é seu, eu comprei apenas para você — ele afirma, e eu seguro o meu sorriso. — E o seu? — pergunto, e ele mostra-me fazendo-me assentir. Isso é tão surreal que está custando fingir normalidade. — Agora você repete o mesmo que fez ontem — ele diz, e o meu rosto ruboriza ardentemente. Ele bem que podia ter esquecido não, ou fingido que não se lembrava como fez depois do que a minha tola impulsividade ontem. — E o que eu fiz? — vá que ele não esteja se referindo a aquilo. — Você me beijou, Selene — valha-me. Onde eu estou com a minha cabeça para achar que justamente ele, deixaria isso passar em branco. — Eu não beijei você, aquilo foi apenas um... selinho — falo, e o sorriso sapeco dele, me deixa mais agitada. — Eu só fiz aquilo para proteger você — justifico. — É? — céus. — E de quem, se a polícia estava ali, Selene? — misericórdia. — Era para a polícia entender que você não necessariamente me sequestrou, e não por outra coisa — falo, e claramente ele não comprou nada do que eu disse, mas eu acreditei na minha mentira. E é o que vale. — Era só isso? — pergunto, querendo me afastar dele. — Eu vou sair para resolver umas coisas — que coisas ele teria para resolver numa cidade em que nunca esteve? — Precisa de alguma coisa? — pergunta. — Não, eu só vou pedir para o Kran trazer o meu carro para cá, se não houver problema — digo, e ele assente. — Tudo bem — ele diz, e eu assinto. — Selene... — ele toca na minha mão, quando eu faço menção de sair, mas no mesmo instante o Apollo entra. — Eu estou saindo, e passo levar a sua irmã daqui a uns quinze minutos — ele diz, entrando e eu assinto. — Tudo bem, obrigada! — agradeço. — Eu vou ligar para a Kaiane, e peço para ela a acompanhar até você, pare uns metros longe do portão da casa da minha mãe — aqui são todos muito fofoqueiros. — Tudo bem — ele responde, e eu assinto já saindo daqui. O meu olhar vai para o anel no meu dedo, e um sorriso toma os meus lábios. — Pare com isso, Selene... — falo para mim mesma antes de entrar na sala, vendo todos eles aqui. Me sento no sofá da sala pegando no meu celular, e tentando agir de forma normal. Ligo para o Kran. — Senhorita Selene! — ele diz assim que atende. — Está bem? Precisa que eu venha até aí? — ele está preocupado. — Eu estou, não se preocupe — afirmo. — Kran, você podia me fazer um favor? — pergunto. — Claro, senhorita — afirma. — Se puder trazer o meu carro até aqui, sem que ninguém o siga... Eu estou naquela casa da montanha que fica uns dois quilômetros acima da nossa — falo. — Claro, eu farei isso — ele diz. — Obrigada! Até logo, Kran — despeço, e desligo o celular. — Quem é o Kran? — Harper pergunta. — O chefe de segurança da minha família — falo, e ele assente. — E vai o trazer aqui? — pergunta, e eu suspiro. — Ele é o único que eu posso confiar, eu não tenho do que desconfiar do Kran — afirmo, e eles assentem. Ligo para a Kaiane. — Oh, achei que eu já não era tão importante na sua vida assim... — valha-me. — Por que não me contou do plano? — ela está me ralhando? — Kaiane, agora não! — peço. — Eu preciso que ajude a Vesper a sair daí para se encontrar com o Apollo — falo. — E por quê? — pergunta. — Ele vem a buscar para trazê-la para cá, Kaiane — respondo. — Então eu venho também — ela diz, e eu suspiro. — Kaiane, se você sair todos irão desconfiar — falo. — Ninguém vai notar que eu não estou, pois a senhorita simplesmente causou um caos ontem, que as coisas estão mais agitadas que o normal — eu me pergunto o quão agitadas. — Eu venho — afirma, e eu suspiro. — Tudo bem — falo, sem muita alternativa. — Ele vai chegar aí daqui há uns quinze minutos, eu pedi para que ele parasse uns metros antes do portão — aviso. — Tudo bem, até logo! — despede. — Até logo! — respondo e desligo. O Apollo e o Laurent adentram a sala, e eles se levantam. Até sincronizados eles estão. — Humn, vão todos sair? — comento, deixando no ar, e a Sienna traz o olhar dela até mim. — Eu preciso ir ao bar — claro. — Nós temos algumas coisas por tratar — o Damian responde, e eu sorrio. — Claro que tem... — eu falo, irônica. — Boa sorte, com as vossas coisas — digo. — Selene... — valha-me. — Tchau! — despeço-me, e eles saem. Oh, se eu não vou descobrir o que eles estão armando...
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