Por Anne Rocha O relógio no painel marcava 22h45, mas parecia que eu estava ali há horas, afundada no banco do carro, observando o movimento no Hotel Valmont. O motor desligado, as janelas parcialmente abertas, e eu, uma sombra entre as luzes da cidade, alimentando a esperança de finalmente vê-lo. Khalid. O homem que virou um fantasma na minha mente, assombrando meus dias e corroendo minhas noites. Parker havia sido claro: “Fique longe.” Mas obedecer nunca foi meu forte, ainda mais quando algo — ou alguém — se tornava uma obsessão. E Khalid era isso. Minha obsessão, minha maldição, meu ponto fraco. Passei dias ali, de tocaia, esperando algum sinal dele. Observando os hóspedes entrando e saindo, os porteiros abrindo portas de carros de luxo, e o brilho elegante do saguão através das gran

