Por Khalid Shall Meses se passaram desde que perdi Anne. Perder, na verdade, parece um eufemismo patético. Anne foi arrancada de mim de uma maneira brutal, como se o universo quisesse me lembrar que qualquer chance de redenção é uma mentira. Eu acreditava que veria aquele sorriso grande novamente, e que por um milagre ela estivesse viva, mas o corpo que encontraram, carbonizado e irreconhecível, com o DNA confirmando que era dela, acabou com qualquer esperança que eu ainda pudesse ter. No começo, não quis acreditar. Passei noites acordado, imaginando que tudo era uma farsa, que Anne ainda estava viva em algum lugar, esperando por mim. Mas os dias viraram semanas, e as semanas viraram meses. Por fim, a realidade me atingiu: Anne estava morta. E eu havia falhado. O Delegado se afundou na

