nove

1589 Palavras
➳ ????́??? ??????, ????. Quando afirmei para o Lucas que iríamos a festa no morro do alemão, não era assim que eu tinha imaginado toda a minha diversão. Não tinha pensado que poderia estragar tudo em poucos minutos, ainda mais de forma tão simples. Quer dizer, quais eram as chances de alguma coisa assim acontecer? Apesar de tudo o que refletia na minha mente, estava claro que não devia ficar parada apenas assistindo. Se não tivesse feito nada, talvez ela não estivesse viva hoje para contar a história de como tudo aconteceu. No fim, escolhi acreditar que mesmo com todos os meus defeitos eu fiz o certo diante do momento em que estávamos. Poderia me arrepender mais tarde, mas ao menos estava com a mente tranquila frente a decisão que foi tomada no calor do momento. Com o amanhecer de um dia ensolarado, não pensei que fosse me surpreender tanto, mas confesso que foi uma surpresa muito boa. E por isso sorri para o telefone em minhas mãos quando ela desligou. Havia tomado o meu banho, feito todas as higienes necessárias antes de parar com o irritante toque do meu celular. Afinal, April estava mesmo entrando em contato. Não era o esperado, mas me senti bem por ter acontecido. Como dizem por aí, a primeira impressão é a que fica, e eu gostei muito do que vi no pouco tempo aproveitado naquele morro. Ela era uma garota legal, alguém que podia fazer parte do meu grupo de amigos sem me fazer surtar. Certeza que meus pais não pegariam no seu pé, não a fariam correr após o primeiro tour aqui em casa. E francamente, seria a primeira vez por parte da mamãe. — Não disse que passaria o fim de semana estudando na casa dos seus amigos? — Mamãe era quem perguntava, ela esperava por mim de braços cruzados ao pé da escada. Papai não devia estar em casa, talvez já tivesse ido para o escritório. Ao menos no domingo ele descansava, passava um tempo em família. Não era muito, mas era tudo o que ele conseguia oferecer. Sua esposa não reclamava, eu muito menos. Bastava uma ligação, e o limite do meu cartão aumentava. Eu tinha tudo. — Sim, eu disse. Mas a gente acabou discutindo depois da última revisão para as provas do fim deste trimestre. Achei melhor vir embora antes do combinado. — Ela não me disse mais nada com respeito a essa dúvida, apenas assentiu virando as costas para seguir até a cozinha. O assunto não existia mais, ao menos não esse. — Chegue a tempo para o almoço, seu pai virá nos fazer companhia desta vez. — Quando entendeu que eu estava de saída, ela pediu sem muitos rodeios, então apenas assenti. Não iria dizer que não, ou teria que aguentar algum tempo enquanto ela preparava o sermão do século. Estava com pressa, não queria me atrasar. Um encontro, ela me garantiu não ser isso. Mas depois do que aconteceu, devia ser óbvio que era tudo o que parecia. Na verdade, só estava tentando tirar uma com a sua cara, tentando não esconder exatamente quem sou. No parque, estacionei meu carro, procurei onde me sentar e esperei. Ela não demorou para chegar, poucos minutos se passaram até o momento em que pude observá-la se aproximando. Parecia bem, despreocupada, feliz em estar aqui. Mas o que eu podia dizer de quem surgiu em nossas costas? Juliana Phelps, pouco sabia sobre ela. Não a conhecia, não fazia ideia de que era ela a figura por trás do vulgo "JP". Tão pouco pensei que realmente pudesse ser uma mulher, mesmo com alguns ao meu redor estando sempre fazendo grandes teorias, ainda existia a dúvida. Devia estar claro, mas não era isso o que pude ver. Porém, a vendo agir daquela forma por causa de uma simples frase, me fez entender que talvez as teorias estivessem certas, o mais próximo da realidade que seus idealizadores poderiam imaginar. Não era nada para se gabar, mas era o que existia com relação a esse ponto. Eu devia ter muito azar, ou no mínimo era muito i****a. Mas como disse, se estava com April bem de pé aqui agora, havia valido a pena no fim das contas. Não sabia o que acontecia entre elas, não era da minha conta. E apesar da curiosidade que me dominava, ainda não era o momento certo para tal abordagem. Então respirei aliviada quando April se decidiu por sairmos dali, mas as palavras usadas contra mim chamaram a minha atenção. O modo como proclamou meu nome por completo me incomodou, mas não mais do que tudo o que se concluiu na sequência. Não pensei muito, irritada, disse apenas o que veio na ponta da língua. Havia dito o que o queria, e confesso ter suado frio no momento em que ela se aproximou. Sua voz grave e em tom baixo contra o meu ouvido me fez arregalar os olhos de repente, e por isso, agradeci que o contato visual tivesse sido quebrado. A filha da mãe estava me ameaçando, mas quais eram os seus motivos? Ela m*l me conhecia, saber o meu nome não provavam nada. Outra vez se prontificando a sair dali, April segurou minha mão com alguma posse para que pudesse me afastar da figura de poder em minha frente. Com isso, voltei a respirar em alívio. Não sabia o que podia acontecer, mas claramente não queria pagar pra ver, ao menos não dessa vez. Afinal, Juliana Phelps não parecia ser alguém com quem se devesse brincar. Mas do que eu estava falando? Ela não era ninguém pra mim, não podia me fazer nada sem correr algum risco. Devia saber disso, não teria vindo me sondar se não fosse assim. — Querida irmã? — Quebrando o silêncio quando estávamos à uma distância segura, perguntei levando as mãos até os bolsos de trás da calça que vestia. Ela então respirou fundo ao fitar o azul do céu sobre nossas cabeças. Não parecia feliz com o que foi dito. — É uma questão complicada, uma grande dor de cabeça desde que consigo me lembrar. — Seus passos eram vagarosos, não existia pressa em seu caminhar. Talvez quisesse aproveitar o momento, talvez desejasse falar sobre o assunto mas lhe faltava coragem. — O modo como ela te trata, tem certeza que são irmãs? — Não devia estar me intrometendo em um assunto tão particular, mas desejava poder saber mais sobre as duas partes. Assim poderia entender o que acontecia ali, além de ter alguma noção sobre como manter a dona do morro longe do meu pé. — Não tenho muita certeza sobre nada, mas tudo o que consigo associar a tanta indiferença é o saber de que nosso pai nunca foi fiel a mãe dela. — Sorrindo para o nada, negou os próprios pensamentos ao respirar fundo. — Minha mãe o amava, e desse amor eu nasci. Mas o mundo em que ele vivia, o mundo em que ela vive. Nunca me foi apresentado de verdade, e não quero isso. — Você quer se aproximar, por isso a insistência na noite de ontem. Mas se entendi bem o que aconteceu, ela não te quer por perto. — Em silêncio ela assentiu, no seu olhar a falta do brilho que iluminava seus olhos minutos atrás me diziam coisas que talvez eu não devesse saber. Nem mesmo devia estar fazendo esse tipo de sondagem, não era um assunto que me dizia respeito, não tinha que me meter nisso. Mas uma coisa era clara. Agora era tarde pra voltar atrás. — Eu já disse antes, mas não custa repetir que não estamos em um encontro. Então não pense besteiras quando eu te chamar para um lanche, tudo bem? — Não evitei sorrir diante do seu comentário. — Para alguém que faz parecer não se importar, você repete muito isso. Mas o que te faz pensar que só estou aqui por esse interesse? — Notando o clima voltando a sua leveza de antes, perguntei divertida. Em negação ela sorriu. — E o que tem para dizer que me faça pensar o contrário? — Estava claro, havíamos entrado em um jogo engraçado e muito tranquilo. Dei de ombros para a sua pergunta. — Estou esperando, o que tem pra mim? — Você não faz o meu tipo? — Com dúvidas sobre o que dizer, a vi gargalhar alto ao deixar de andar para me encarar de frente. — Está mesmo me perguntando isso? — Não tenho certeza, estou? — Escolhi pela provocação, assim teria alguma chance ainda viva. — Depende, qual o seu estilo? — Diante do meu silêncio, ela me analisou com cuidado. — Por favor, não me diga que são aqueles idiotas com uniforme de capitão de algum time de futebol. — Jamais pensaria em uma loucura dessas, mas se fossem as capitãs, se chatearia com a resposta? — Está certa, não faço o seu tipo. — Nunca deixando de sorrir, voltou a andar. Corri para alcançar os seus passos. — O que quer dizer com isso exatamente? — Sou feminina demais para o seu paladar, não acha? — A diversão em seu semblante era contagiante, me fazia ligar a sua personalidade a de Lucas. Sua sensatez era como a dele. Eles se dariam muito bem. — Acho que encontrei mais uma i****a para fazer amizade. — Negando suas palavras, disse simples enquanto lutava para manter meu caminhar ao lado do seu. — Amigas? Isso quer dizer que tenho razão. — Eu não mereço isso. ➳???? ???? ? ???́????.
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