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Com a chegada de mais essa segunda-feira, encostada na cabeceira da cama enquanto buscava o isqueiro para acender o cigarro já em minhas mãos, observei a loira antes na minha cama se vestir e acenar com um meio sorriso ao deixar o meu quarto. Sabia das regras, era hora de ir embora. Eu por minha vez, não tinha muito para fazer agora tão cedo. Problemas simples podiam ser resolvidos por Pedro, e os de grande dor de cabeça nem mesmo vinham daqui.
Terminando de tragar meu vício acolhedor, deixei minha cama para um banho tranquilo e relaxante, de onde saí com a toalha em mãos enquanto tirava a umidade dos cabelos. Com uma havaianas presa aos pés, vesti uma regata branca qualquer, peguei também uma bermuda jeans com detalhes em rasgos e enfim abandonei meu quarto. De humor excepcional para um primeiro dia na semana, segurei em minhas mãos as chaves da moto e levei a pistola 380 para a cintura, sempre postada em minhas costas. Daria umas voltas pela comunidade, observaria o movimento do ponto mais alto. Deixaria os pensamentos correrem diante um ar mais limpo, e depois do ocorrido com aquela filha da p**a, não posso negar que preciso mesmo disso.
Nunca ninguém ousou me desafiar daquele jeito, ninguém que já me conheceu se deixou levar pelas emoções e acabou por fazer uma merda naquele nível. Não importa a situação, não eram loucos o suficiente pra isso. E apesar do que vi na zona sul, ainda estava considerando o fato delas serem no mínimo amigas. Caso contrário, aquela i****a não teria se arriscado tanto.
A verdade é que em situações normais ela não teria mesmo deixado o morro com as próprias pernas, mas diante toda a merda acontecida, acabei ficando sem saber o que fazer. A pancada foi forte, e mesmo que não tivesse me desmaiado, fiquei bem fora de mim. No fim, isso foi o que me deixou mais p**a. Os olhares sobre mim já não são os melhores, e com essa história se espalhando como poeira ao vento, preciso ajustar as rédeas outra vez. Ceder espaço para os putos que me observam das sombras é o mesmo que entregar a minha cabeça em uma bandeja de prata, o sonho da grande maioria, principalmente dos rivais. E ainda temos os vermes da PM, que devem achar mesmo que me tem em suas mãos. m*l sabem ser exatamente o contrário. Escrotos demais.
Em um ponto no morro que apenas duas pessoas possuem permissão para visitar, deixei a moto sobre o meio fio e subi até o terraço da construção interditada perto do seu fim. Ninguém podia sequer chegar perto, e isso vinha bem antes da minha ascensão ao poder. Era um decreto do meu pai, algo respeitado até os dias de hoje. Apenas Ph e eu temos o direito de passar pela entrada dessa construção de dois andares mais um terraço amplo. Talvez devesse dar fim a ela em algum momento, mas sem saber a história completa existente por trás de tudo, me recuso a descurar os braços.
"Jp, na escuta?"
Odiava esses comunicadores, mas quando estava tão distante dos movimentos principais da comunidade, responder a um chamado era o mínimo que eu podia fazer.
"Na escuta. O que tá rolando?"
"Parece que a sua irmã resolveu dar as caras outra vez, o que eu faço com ela?"
Toda vez é a mesma merda. Quando acho que meu dia será calmo e produtivo isso acontece. Não consigo uma hora de paz, e quase sempre é culpa da AJ. Isso quando não tenho que lidar também com aquela filha da mãe da Isabella. Como sempre, já previa a dor de cabeça até o fim de mais esse dia.
"Sabe o que fazer, Ph. Põe ela pra vazar."
"Só se eu puder dar uns tiros nela, porque do contrário, a filha da mãe não vai sair daqui."
"Já entendi, merda. 'Tô descendo."
Deixando o comunicador ali mesmo, respirei fundo ao buscar visão sobre a i****a da minha irmã com um binóculo deixado ali exatamente para esses fins. Ela não parecia estar satisfeita, o que claramente não é nenhuma novidade. Mas que se f**a, isso não é problema meu.
De volta ao chão principal, sobre a moto dei a partida e acelerei pelas ruas que me servem de atalho até a entrada do morro. Foi uma descida rápida, mas sabendo o que teria pela frente, se pudesse, não teria me preocupado tanto com a pressa usada até o momento. Começava a me cansar de tudo isso, não estava mais aguentando ter que praticamente a expulsar toda vez que a i****a decide aparecer como se fizesse parte de tudo isso. Estava farta desta situação, e depois de quase ter passado do limite, não tenho mais muita certeza de nada.
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Essas palavras, elas estão sempre ressoando em minha mente. Toda vez que estou perto de me render, sua voz me lembra do porquê estou fazendo isso a tanto tempo. Mas apesar dos motivos existentes, queria poder fazer algo diferente em algum momento.
— AJ, minha cara, quantas vezes mais teremos que passar por isso? — Observando o profundo respirar do Ph ao tê-la quase dando em sua cara, perguntei descendo da moto ao deixá-la no meio do caminho. Até que tudo fosse resolvido, ninguém subiria ou desceria por ali.
— Quantas vezes mais forem necessárias, Juliana. — Dando as costas para o meu braço direito, me fitou com intensidade. Se me lembrava mais, era a primeira vez que ela não reclamava pela abreviação do seu nome. — Não importa o que você diga, ainda te farei entender que não pode me manter do outro lado para sempre. Afinal, se sente à vontade para fuder com o meu dia em um fim de semana pacífico, acho ser justo que eu possa fazer o mesmo de vez em quando. Não?
— Você sempre gostou de brincar com fogo, mas caso sua memória esteja falhando. Não fui eu quem acertou a cabeça do dono dessa p***a com uma garrafa de cerveja pela metade. — Para evitar comentários que gerariam punição mais tarde, falei baixo ao me aproximar. — Você começou aquilo, minha irmã. Você a arrastou para as suas merdas.
— Devia ficar longe dela. Estou dizendo isso para o seu bem, sabe disso, não é? — Ela estava mesmo me ameaçando?
— Perdeu o juízo? — Quando vi, minha mão já segurava com força o seu pulso. Ela então assentiu com um leve sorriso no canto dos lábios.
— Vai tentar me matar outra vez, Juliana? — era notável a diversão em seu tom, mas a minha paciência estava no limite. Estava tudo indo muito bem até aquilo acontecer.
Se livrando do meu toque, se certificou de que não ficaria marcado outra vez e me olhou nos olhos. Seu sorriso me tirava do sério, e a postura adotada desde o instante em que cheguei devia me dizer alguma coisa, mas não conseguia entender a mensagem passada. Com a cabeça tão quente, raramente conseguia filtrar alguma coisa útil desse tipo de situação. A filha da p**a devia estar me testando.
— Não que eu me importe de verdade, mas gostaria de saber o que nosso pai diria ao enxergar com os próprios olhos as marcas que a filha favorita deixou em mim, a filha mais nova. — Sem saber mais como agir, me apossei do seu ombro e saquei minha arma.
— O que está fazendo, Jp? — Ouvi sua questão com clareza, mas aquele assunto não dizia respeito a mais ninguém. Os demais conseguiam entender isso, mas não o Pedro. Ele era amigo demais para apenas se afastar e assistir tudo em silêncio.
— Não abre a p***a da boca pra falar merdas sobre o meu pai, você me entendeu? — Revezando o seu olhar entre o cano da arma na frente do seu rosto e o azul dos meus olhos, ela ergueu as mãos sem nada para dizer. — Você não o conheceu como eu, não tem esse direito.
— Se você não me respeita, que se f**a o direito. Estou pouco me lixando pra isso, não é um dever meu. — Se afastando na direção da saída, disse levando suas mãos aos bolsos do moletom que vestia. — Sabe que isso não acabou, que mais cedo ou mais tarde eu acabo voltando. É sempre assim.
— Quando meu limite chegar a zero, será a sua mãe vindo me fazer essa desagradável visita. — Não poupando palavras, guardei a arma. — Sua sorte está se esgotando, AJ. Devia cuidar mais do que ainda te resta.
— Isso não me preocupa, Juliana. — Seu sorriso era intenso. — Finalmente consigo sentir o jogo virando. Você não?
— Vá se f***r você e essas ideias de merda, e ao menos tente não voltar mais aqui. — Erguendo ambos os dedos do meio na minha direção, pulou dentro do seu carro e deu partida no segundo seguinte.
— Ela não vai desistir de você, quando vai entender isso?
— Faz tempo que já percebi essa merda, Ph.
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