Magia

1708 Palavras
— Eu não consigo fazer isso. — Gemo para Candy no fim do dia ao me jogar na cama em nosso dormitório. O meu dia deu errado em proporções épicas, posso dizer. Eu fui m*l em todas as aulas que fiz hoje, fiz o possível para não chamar atenção e anotei tudo que ouvia, mas, ainda assim, me sinto um fracasso. — É o seu primeiro dia, por que já quer desistir? — Candy pergunta dando risada e eu me sento na cama. — Sinceramente não acho que eu seja capaz de fazer algo como um feitiço, eu nem mesmo sei qual é o meu poder. E passei vergonha na frente da classe ao chegar atrasada, a professora não deixou barato. — Achei que o seu poder fosse a mágica de fogo. E não se preocupe, todo mundo chega atrasado pelo menos uma vez na vida. — responde franzindo a testa. — Sim, eu também achei, mas acho que não. Eu não consigo fazer nada, por mais que tente, e eu tentei. — Acho que você está desistindo rápido demais, o dia nem ao menos terminou. — Por isso mesmo, temo que ele ainda possa piorar. Se eu sou r**m em Onimagia, que dirá em algo como voo — Estou mesmo muito frustrada com minhas próprias habilidades. — Melhor deixar para pensar nisso quando chegar a hora, que tal? Por agora, vamos jantar. Ouvi dizer que vai ter torta de maçã na sobremesa. — Isso me lembra a torta de maçã da minha mãe, é realmente muito boa. — Digo vagando em pensamentos enquanto sigo Candy no automático até o refeitório. — O que seus pais são? — Humanos normais. — E de quem você puxou os seus dons? Um dos dois deveria ter algum poder já que você tem também. — Eu sou adotada, não sei quem são os meus pais de verdade. — Desculpe! Como sou insensata. — Ela se lamenta e pede desculpas e eu balanço a cabeça. — Não há necessidade disso, está tudo bem. Eu estou acostumada com isso. — Digo sentando-me em meu lugar habitual e Candy faz o mesmo. Já percebi que as pessoas aqui seguem um certo padrão de comportamento. — Então eles sabem do seu dom? — Pergunta com a mão no queixo. — Presumo que sim, acho que a Diretora falou pra eles. Não tenho certeza. Também não ligo, eles sabem que independente de tudo ainda sou a filha deles. Nesse momento, a Diretora junto com os professores entram e todos nós nos levantamos. Assim que eles se sentam, nos fazemos o mesmo e começamos a nos servir. — Matthaus está olhando para cá. — Candy diz olhando atrás de mim e eu viro a cabeça para ver. Como ela disse, ele realmente está olhando para cá. Há duas gêmeas idênticas ao seu lado e uma delas faz de tudo para chamar sua atenção, mas sem sucesso algum. Volto ao normal e continuo a comer como se nada tivesse acontecido. — Os seus olhos não se desviam daqui. Acho que você mexeu com ele, nunca o vi assim. -- Candy diz e eu paro de mastigar para olhar para ela. — Que nada, ele está apenas tentando me irritar e está conseguindo. Ele e sua pose de excepcional… — Resmungo. — Mas ele realmente é excepcional, é bonito, carismático, um ótimo mago e atirador de flechas e tem um dom raro, além de tirar boas notas e ser o sonho de consumo de todas as solteiras no raio dessa escola. — d***a, aquele bastardo… — Qual é o dom dele? — Pergunto a contragosto. Tenho certeza que não é nada tão especial assim. — Ele faz chover, domina os raios também — Candy diz casualmente e eu arregalo os meus olhos. — Isso é possível? p**a m***a, esse mundo é cheio de surpresas. — Digo mais para mim mesma do que para Candy e pigarreio — Bom, como fazer chover é raro? Aposto que até eu consigo fazer com um pouco de prática. — Faço pouco caso. — Está enganada, é um dom muito raro em nosso mundo. Nem mesmo as pessoas que dominam a água conseguem fazer isso, apenas algumas. Requer muita concentração e equilíbrio das emoções e é por isso que ele é daquele jeito. — Faço uma careta e olho para o meu prato. — Depois pegue alguns livros na biblioteca, tenho certeza que vai te ajudar a conhecer um pouco mais do nosso mundo e sobre os dons que podemos ter. Assinto com a cabeça e faço menção de voltar a comer, mas antes que o garfo seja levantado, uma sombra está ao meu lado e um dedo está cutucando meu ombro. Viro a cabeça para ver quem está me incomodando e encontro as duas gêmeas que vi na mesa de Matthaus mais cedo. As duas são loiras com enormes olhos azuis e corpos bonitos, me lembram fadas de tão bonitas que são. — O que desejam? — Pergunto numa boa. Não quero nenhuma intriga por aqui e elas tem cheiro de confusão. — Posso saber qual é o seu problema? — Uma delas pergunta enquanto a outra permanece em silêncio, apenas me observando. — Perdão? — Digo sem entender. — Não sei de onde você veio e vou dizer o mais claro possível para que entenda. Fique longe de Matthaus, ele já tem namorada. — Arqueio minha sobrancelha olhando para ela e quero rir. — Acha que estou dando em cima dele? — Pergunto sem acreditar no que meus olhos veem e meus ouvidos ouvem. — Não só acho como vi com meus próprios olhos você esbarrando nele de propósito. Seja uma boa garota e fique longe dele, já que ele é meu e você não vai querer mexer comigo novata. — Diz ficando mais próxima de mim. — E ele por acaso sabe que é seu? — Minha pergunta a deixa sem fala. — Foi o que pensei. Só para que saiba, a única emoção que sinto por ele é raiva então, se não se importa, vou continuar minha refeição. — Digo dando-lhes a costas e voltando a me sentar. Segundos depois ouço os passos se afastarem de mim junto de um suspiro indignado. — Uau, seu início de aulas está mesmo badalado. — Candy diz levantando as sobrancelhas em admiração e eu reviro os olhos. — Eu nem ao menos as conheço e elas vem querendo me intimidar. Quem são elas? — Sue Anne e Sue Ellen, Ellen sempre foi atrás de Matthaus mas ele não gosta dela como ela quer, é apenas uma amizade. Desde então ela vem fazendo isso que você viu com todo mundo que considera uma ameaça. — Explica enquanto corta a sua carne e eu não consigo deixar de pensar em como isso é ridículo. — Olhe para mim, desde quando eu sou uma ameaça para alguém? — Digo apontando para mim em tom de brincadeira e Candy me analisa seriamente. — Você é muito bonita, mesmo que não ache. Se ela está te considerando uma ameaça, é por que ele provavelmente viu algo em você e ela percebeu. Não é atoa que ele estava te observando mais cedo. — Não é o que você está pensando, ele provavelmente só está querendo torrar minha paciência. — Se é nisso que quer acreditar, tudo bem. Prefiro acreditar nesse tipo de coisa do que quebrar minha cara. No caminho de volta até o dormitório, Candy encontrou alguns amigos e eu preferi não ficar lá como um peso morto. Não sou do tipo que força amizade com ninguém e prefiro me retirar para deixar as pessoas a vontade nesse tipo de situação. Encontro Matthaus na escada e olho ao redor, não há mais ninguém aqui, o que ele está fazendo sozinho num lugar assim? Normalmente eu o ignoraria, mas acho melhor conversar com ele antes que a situação fique critica. – A sua namorada veio falar comigo. – Digo me escorando na parede ao pé da escada e ele levanta a cabeça me vendo pela primeira vez. Como atrapalhei a sua paz, ele não me olha com uma expressão feliz. – Eu não tenho namorada. – responde baixo e eu franzo a testa. – Bom, pois diga isso a ela, uma das gêmeas Sue. Ela acha que estou esbarrando em você de propósito para dar em cima de você e eu estou correndo de confusão. Só quero paz nessa nova fase da minha vida, já tive a minha cota de confusão em outras escolas então, por favor, esclareça a ela que não estou tentando fazer nada do tipo. – Assim que falo o que tenho para falar, começo a subir as escadas, mas paro subitamente quando sinto dedos longos e quentes ao redor do meu tornozelo. Olho para o chão e o vejo olhando para mim enquanto segura o meu pé firmemente, a sensação de suas mãos em contato com a minha pele me dá um misto de arrepios com eletricidade correndo pelo meu corpo inteiro. – Solte. – Peço calmamente. Essa sensação está me deixando maluca. – Minha única namorada será minha prometida, a mulher que o destino colocou em meu caminho desde o meu nascimento e essa pessoa certamente não é Ellen. – Seus olhos penetrantes parecem olhar para dentro da minha alma e eu desvio os meus olhos e ele solta o meu pé. – Ótimo, que bom. – Digo e volto a subir as escadas. – Ela não vai mais te incomodar, não se preocupe. – Ele diz quando já estou em certo ponto sem nem ao menos se virar para mim. Mesmo que ele não possa ver, eu assinto e subo até o meu quarto e fecho a porta assim que estou dentro. Caminho até a cama e me sento com a mão no coração. O que foram todas essas sensações? Acho que nunca senti algo tao forte assim na minha vida, essa foi a primeira vez. Senti como se ele estivesse olhando para a minha alma e vendo todos os meus pecados com aqueles lindos olhos. Preciso tomar cuidado de hoje em diante, Matthaus é certamente uma pessoa que eu não vou querer como inimigo aqui. Vou apenas ignorá-lo e ficará tudo certo.
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