Eram três e meia quando uma mulher, envolta num casaco curto de peles, parou para olhar o dinamarquês. Ginger logo notou os lábios finos, pintados de vermelho, e a atitude pretensiosa. Não pôde reprimir um sentimento de animosidade contra a estranha. — Não é uma graça? — a mulher cantarolou, abrindo os braços. Uma onda de perfume atingiu as narinas de Ginger. — Ficaria perfeito nos meus comerciais. Ginger baixou os olhos, abalada por uma visão pavorosa de Arthur perpetuamente preso numa coleira, obrigado a fazer poses durante longas horas sob as luzes cegantes dos refletores. A mulher, cuja maior preocupação devia ser com as unhas e o cabelo, veria no cão apenas um objeto, que usaria e depois abandonaria, quando perdesse a utilidade. Ginger jurou que ela não levaria seu Arthur. — Este

