MENINOS TRAVESSOS - Parte 1.
Dante.
Escuto a risada alta do Max reverberar por todo ambiente, fazendo a minha cabeça latejar violentamente e consequentemente solto um gemido de dor, me forçando a sentar no sofá retrátil da sala. Os meus olhos pesam de sono e é difícil abri-los. Não sei exatamente quando adormeci, tão pouco o que rolou depois das três da manhã. Só sei de uma coisa, foi a festa mais fodástica que eu já fiz na vida. Pudera, né? Estou me despedindo da minha vida fácil para encarar uma vida séria no futuro. E que venha a faculdade de administração de empresas e depois dela serei o dono da p***a toda, o rei do pedaço! É isso aí, serei o mais jovem presidente da TL Travel Lawyers e serei o melhor que aquela empresa já teve um dia. Sim, sou ambicioso e muito, pois desejo alcançar o meu lugar ao sol e não quero qualquer lugarzinho não, eu quero O LUGAR.
— Que festa hein, cara, que festa! Hu, essa entrou para a história! — Max comenta exacerbado me arrancando dos meus pensamentos. Forço-me a levantar do sofá, soltando um rugido baixo em seguida devido a dor infernal e encaro a bagunça pós festa por todos os cantos da casa. Garrafas e copos espalhados por todo o lugar, pratos e restos de comida também e em alguns cantinhos de parede é possível encontrar alguns preservativos usados.
— Filhos da p**a! — resmungo, achando graça dos vestígios. Se os meus pais vissem isso pode ter certeza de que teriam um ataque cardíaco. Solto um suspiro audível e me arrasto direto para a cozinha. Vasculho uma gaveta a procura de algum analgésico que faça essa dor insuportável sumir de vez, pego o comprimido e uma garrafinha d'água e engulo de uma só vez.
— Ontem eu esbarrei em uma morena marrenta. c****e, cara, ela era linda demais, mas muito atrevida também! — Meu amigo comenta atrás de mim.
— Morena, é? Alguma conhecida nossa? — Procuro saber, porém, ele faz não com a cabeça
— Não. Acho que veio com algum dos convidados. Cara, eu não consigo parar de pensar naqueles olhos negros, lindos e expressivos.
— Olha isso! Será que ela conseguiu enfeitiçar o meu amigo?
— Sai pra lá! — Ele rosna, batendo na madeira. —Está pra nascer a mulher que vai pegar esse morenaço aqui de jeito. E você? — Ele pergunta assim que lhe dou as costas para jogar a garrafinha vazia na lixeira.
— O que tem eu?
— Vi a garota que saiu do seu quarto na noite passada. Muito gata, mano! — Dou de ombros.
— Nem sei o nome dela. Você sabe como eu sou, não me apego a ninguém.
— Quando eu crescer quero ser igual a você! — Max ralha com deboche, apontando dois dedos para mim, em contrapartida jogo um pano de prato em sua direção e gargalhamos em seguida.
Maxwell Lincon é um grande amigo de infância, na verdade ele é como se fosse o irmão que eu nunca tive. Nos conhecemos desde sempre, mas a nossa amizade se formou pra valer no segundo ano do fundamental quando uns garotos grandões queriam bater nele por conta de um pequeno incidente. Eu me meti no meio da confusão, fazer o que? O negócio é que eram três contra um e como eu não achei justo, parti pra cima dos imbecis com toda a minha fúria e força, e credite, nós ganhamos a briga. Claro que saímos com um olho roxo e uma boa suspensão. Desde então estamos juntos e isso já faz dez anos. Diferente de mim, Max é moreno, tem pele clara e é bem mais alto. Seus cabelos são negros e cheios, e tem cachos soltos na altura da nuca. Ambos iremos para a mesma faculdade e a única coisa que nos separa é a escolha acadêmica. Max quer ser advogado e isso quer dizer que no final de tudo estaremos juntos de novo. Eu como o seu chefe e Max como mais um advogado das empresas Travel.
— Bom dia, delícia! — Escuto a voz cínica do meu amigo arrastando asas para a Rosemary Duncan, a nossa empregada de vinte e quatro anos. A garota é uma gata experiente que adora usar umas saias jeans apertadas e provocantes, sempre com uma blusa amarrada no meio da sua cintura. Ela é estudante de medicina e trabalha para manter o seu curso.
— Bom dia, senhor Lincon! Estou vendo que a farra foi boa na noite passada. — Ela comenta abrindo um sorriso lindamente extravagante. Uma coisinha sobre a Rose, ela não dá mole para o Max, nunca, não importam as suas investidas.
— Só faltou você aqui bonitinha! — Ele diz aproximando-se para garota para deixar uma fungada, mas ela se desvencilha dele rapidinho, porém, os olhos gordos passeando pelas coxas da garota. Seguro o riso e fico na minha.
— Tenho certeza de que não sentiu a minha falta, senhor Lincon. Bom dia, Senhor Travel! — Ela diz se afastando do safado.
— Bom dia, Rose! Como vai a faculdade? — questiono, pois sei exatamente onde é o meu lugar e não costumo dar em cima das empregadas por dois bons motivos: um, a minha mãe me mataria e dois, eu as respeito. Ela dá de ombros.
— Está indo. Mais dois anos e eu me formo. — Mary junta as mãos na frente do corpo como se fizesse uma prece. Arqueio as sobrancelhas para ela como se fosse o seu irmão mais velho, apesar de ser mais novo do que ela três anos.
— Meus parabéns! Isso quer dizer que terei que procurar alguém para arrumar as minhas bagunças? — retruco fazendo graça. Rose abre um largo sorriso.
— Isso. Então, quero aproveitar para informar que o senhor tem duas semanas para encontrar alguém para pôr no meu lugar. — A informação faz Max para uma uva que acabou de pegar na cesta de frutas a caminho da sua boca. Eu encaro a empregada com perplexidade.
— Como assim? Isso não vai acontecer só daqui há dois anos?
— Não. — Ela abre outro sorriso amplo. — Eu consegui um estágio remunerado como assistente de um médico famoso e, desculpe, eu não podia recusar!
— Nossa, mas isso foi...
— Uma p**a surpresa! — Max finalmente diz alguma coisa. E eu concordo com ele com um aceno de cabeça.
— Eu sei. Bom, eu vou arrumar essa bagunça. — Ela olha para as dezenas de objetos largados por todos os lados. — A minha última bagunça — avisa indo em direção da porta.
— Você bem que podia ceder um pouquinho pra mim, não é? A final não vai me ver mais na sua vida. — Max tenta mais uma investida e Rose mesmo sem olhar para trás lhe mostra o dedo do meio, saindo do cômodo como sempre rebolando na da saia que é quase uma pele para a sua b***a redonda e coxas grossas. Ele me encara especulativo.
— O que? — indaga encolhendo os ombros.
— Você não tem jeito! — ralho com humor.
— Não custa sonhar, custa? — Ele rebate e eu rio da sua cara debochada, dando-lhe as costas para ir preparar o nosso café da manhã.
***
Um mês e meio depois...
O lado r**m de ser filho único e principalmente de ser filho de um magnata é a responsabilidade que isso nos impõem muito cedo. De verdade, ter que pousar de filho perfeito e o fato de não poder dizer não as imposições do meu pai é definitivamente a pior parte da minha vida. O Senhor James Travel, meu pai e a Senhora Jennifer Travel, a minha mãe viajam muito pelo mundo e é por isso que na maioria das vezes eu tenho uma casa imensa cercada de luxo e conforto inteirinha só para mim o tempo todo. Quando eles não estão em casa eu tenho a liberdade de fazer as minhas grandes festas regadas a bebidas, muita música e garotas... muitas delas, e trazer os meus amigos para curtirem na piscina, ou a sala de jogos, ou a de TV. Mas com eles em casa eu sou o típico bom garoto educado e solicito pronto para acatar qualquer ordem vinda da boca do maioral. Encaro o relógio de ouro branco, com alguns detalhes talhados em ouro dezoito no meu pulso e bufo audivelmente. Falta menos de uma hora para irmos para a festa de arrecadação de fundos para a campanha de mulheres que sofrem agressões domésticas. Ideia da senhora Travel, claro. Como uma boa dama da alta sociedade ela leva a vida a ajudar pessoas necessitadas, mas o seu verdadeiro papel nisso tudo é esbanjar a sua riqueza e beleza, e... o seu filho, no caso, eu. Rolo os olhos para essa última parte. Isso quando ela não está gastando uma grana alta em viagens caríssimas.
— Max, temos que ir! — Solto um berro alto perto da escada para ele me escutar no segundo andar. Logo ele surge no topo usando um belo conjunto Armani n***o com uma camisa branca e uma bela gravata de cetim cor de vinho. O cara abre um sorriso largo, passando as mãos pelas laterais dos cabelos.
— Estou pronto para mais uma Nigth — diz empolgado, escorregando pelo corrimão e dá um salto perfeito quando chega no seu final. Não consigo evitar de revirar os olhos para esse comentário e