Capítulo 3

1404 Palavras
  Ponto de Vista de Aria   Eu estava deitada na cama do hospital, olhando para o teto branco e sem graça, enquanto o medicamento aliviava lentamente a dor intensa que pulsava pelo meu corpo. Mas, para ser bem sincera, a dor física não era nada comparada ao vazio esmagador que se instalou no meu peito.   A Sra. White não demorou a chamar uma ambulância depois de testemunhar minha queda. Quando meu pai chegou, eu já estava aos prantos de dor, meu vestido de noiva sujo e rasgado. A imagem de ele me vendo assim – sua única filha – caída no chão com o vestido destruído quase acabou com ele.   "Minha menina", ele sussurrou, me envolvendo nos braços com o máximo cuidado possível, mesmo com os paramédicos protestando. Sua voz estava frágil, cheia de emoção. "Eu estou aqui agora. Tudo vai ficar bem."   Mas não estava tudo bem. Nunca mais ficaria tudo bem.   O médico nos garantiu que meus ferimentos não eram graves — apenas alguns arranhões, hematomas e torções leves, algo que o tempo resolveria. O emocional, no entanto, estava em pedaços.   Quando a família White tentou me visitar, meu pai soltou toda a frustração acumulada durante doze anos.   "O filho de vocês humilhou minha filha na frente de mil pessoas e a deixou sangrando no chão. E agora têm a coragem de aparecer aqui?" Sua voz ecoava pelas paredes. "Sumam daqui antes que eu mesmo ponha vocês para fora."   Eu nunca tinha visto meu pai tão furioso. William White tentou se explicar, mas meu pai não quis ouvir uma palavra. Ele os empurrou fisicamente para fora da porta e a fechou com tanta força que as paredes tremeram.   Minha melhor amiga, Lillian, estava sentada ao lado da cama, com sua mão firmemente apertada na minha. O rosto dela, geralmente tão animado, estava fixado em uma expressão de pura raiva.   "Aquele desgraçado," ela resmungou, enquanto deslizava pelo celular. "Como ele pôde fazer isso com você? Doze anos, Aria. Doze malditos anos!"   Eu não conseguia responder. O que tinha acontecido ainda parecia surreal. Liam me deixou. No nosso casamento. Na frente de todos que conhecíamos.   Então o meu celular vibrou com uma notificação. Lillian pegou antes que eu pudesse, mas a reação dela foi o suficiente para me alertar que não era notícia boa.   "Lill, o que foi?" eu perguntei, m*l conseguindo formar as palavras.   Ela hesitou. "Nada importante. Descansa."   "Lillian Moore," exigi, estendendo minha mão. "Me mostra."   Relutante, ela me entregou o celular. A tela exibia uma notícia: "Última Hora: Liam White é visto entrando no apartamento de Sophia apenas algumas horas após abandonar o casamento."   Abaixo do título, havia uma foto feita de longe — Liam na porta do prédio de Sophia, com a mão descaradamente na cintura dela, a cabeça dela apoiada no ombro dele como se fosse o lugar dela. Outra imagem, desta vez através de uma janela, mostrava os dois entrelaçados nos braços um do outro, rindo. Rindo enquanto eu estava na cama de um hospital e meu pai desabava de tristeza.   Meus dedos ficaram dormentes. O celular caiu das minhas mãos, mas as imagens já estavam marcadas na minha mente.   "Ele nunca me amou," eu murmurei, mais para mim mesma do que para Lillian. "Todos esses anos, eu fui só…um alcance fácil até ele poder estar com ela."   "Não fala isso," Lillian retrucou, com firmeza. "Você vale mais que ela, mil vezes mais!"   Mas a verdade estava ali, escancarada. Desde o início até o fim, todas as ações mostravam que Sophia era, e sempre foi, a escolha dele. Eu tinha vivido em um sonho, acreditando que nossa história, nossas memórias, seriam suficientes.   O silêncio tomou conta do quarto, pesado e sufocante, até ser quebrado pelo som vindo do corredor.   Uma voz. Fraca. Esforçada.   A voz do meu pai.   Depois—um baque.   "Pai?" chamei, sentindo o pânico subir pela garganta.   Lillian correu até a porta e a abriu de uma vez. "Meu Deus! Sr. Jones!"   Ignorando a dor por todo o corpo, eu me empurrei para fora da cama. Meu pai estava no chão, inconsciente, com o rosto assustadoramente pálido.   "Alguém ajude!" eu gritei, caindo de joelhos ao lado dele. "Por favor, alguém! Meu pai precisa de ajuda!"   Os minutos seguintes foram um turbilhão de médicos entrando apressados, ordens sendo dadas ao mesmo tempo. Meu pai foi colocado rapidamente em uma maca e levado embora, me deixando ali no corredor, tremendo de medo.   "Ele vai ficar bem," Lillian tentou me tranquilizar, mas sua voz não estava nada convincente. "Deve ser só o estresse de tudo que aconteceu hoje."   Enquanto esperávamos notícias, as portas do elevador se abriram e revelaram dois homens. Um deles era alto e imponente, com traços marcantes e uma presença que imediatamente roubava atenção. O outro, um pouco mais baixo, mas igualmente bem-vestido, seguia atrás dele.   Aiden Carter — o nome veio à minha cabeça na hora. Herdeiro do Grupo Carter e o maior rival comercial de Liam. Eu nunca o tinha encontrado pessoalmente, mas sua fama falava por si. Com apenas trinta e dois anos, ele assumiu como CEO do Grupo Carter cinco anos atrás e transformou a empresa em um dos maiores conglomerados do mundo. Frio, calculista e implacável nos negócios — eram as descrições mais comuns sobre ele.   O que ele estava fazendo aqui?   Os dois se aproximaram, e eu percebi, com choque, que Aiden estava vindo direto na minha direção.   "Senhorita Jones?" ele disse, com uma voz grave e autoritária.   Eu assenti, fraca demais emocionalmente para questionar como ele sabia quem eu era.   "Sou Aiden Carter," ele confirmou. "E esse é meu colega, Sr. Grant."   "Eu sei quem você é," respondi, com cautela. "O que você quer?"   Ele apontou para meu quarto no hospital. "Podemos falar em privado?"   Normalmente, eu recusaria. Mas hoje estava longe do normal, e minha capacidade de pensar racionalmente tinha sido completamente desmoronada pelo sofrimento, pela dor, e pela preocupação com meu pai.   Assim que entramos no quarto, Aiden foi direto ao ponto.   "Eu era o motorista do carro que quase atingiu você," ele declarou, direto. "Desviei para não bater, e isso levou à sua queda."   Eu o encarei, tentando assimilar o que ele havia dito. "Você... você estava dirigindo aquele carro?"   Ele confirmou com um leve movimento de cabeça, o rosto neutro. "Gostaria de oferecer compensação pelos seus ferimentos. Diga o valor."   A franqueza dele era quase um alívio depois do dia caótico que eu tinha vivido. Sem falsos sentimentos, sem conversa mole — só negócios diretos.   "Foi um acidente," eu disse, balançando a cabeça. "Eu entrei na estrada sem olhar. Se tem alguém que deveria estar pedindo desculpas, sou eu, por ter danificado seu carro."   Um vislumbre de surpresa cruzou o rosto dele, tão breve que quase passou despercebido.   Antes que ele pudesse dizer algo, meu celular vibrou mais uma vez. Desta vez, era uma mensagem de um número desconhecido.   [Oi Aria, aqui é a Sophia. Só queria dizer que sinto muito por hoje. Liam nunca quis te machucar, mas você sabe que ele está apaixonado por mim há anos. Ele só ficou porque sentia... obrigação. Espero que um dia você entenda e, quem sabe, até fique feliz por nós. :) ]   A audácia daquela mensagem fez a raiva explodir dentro de mim. Além de roubar o homem que eu amava, ela agora queria minha absolvição? Como se a consciência dela pudesse ficar leve com o meu perdão?   Naquele momento, algo dentro de mim se rompeu. Passei doze anos vivendo sob a sombra de Liam, sempre sendo compreensiva, sempre colocando as necessidades dele acima das minhas. E para quê? Para acabar sozinha em um quarto de hospital, meu vestido de noiva rasgado, meu pai desmoronando de preocupação, enquanto a mídia me retratava como uma ex desesperada e patética.   Eu olhei para Aiden, absorvendo sua presença poderosa. O mundo dos negócios temia ele; Liam o odiava. Havia algo poeticamente justo nisso — como o homem que Liam mais desprezava tinha cruzado minha vida justamente no dia em que ele me destruiu.   Enquanto encarava o rosto sério de Aiden, uma ideia maluca começou a tomar forma na minha cabeça — talvez eu pudesse me vingar de Liam de uma forma diferente.   "Na verdade," eu disse, com a voz surpreendentemente firme, "há algo que você pode fazer por mim."   Aiden ergueu uma sobrancelha, esperando.   "Case comigo."   Vamos dar a Liam uma traição da qual ele nunca vai se recuperar.
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