A tarde caía preguiçosa sobre a cidade, tingindo as ruas de dourado e vermelho. Dentro da pequena igreja, o silêncio parecia mais pesado do que nunca. André permanecia no altar, de mãos entrelaçadas, tentando organizar os pensamentos que se embaralhavam sem controle. Cada instante longe de Valesca parecia apenas prolongar o sofrimento que ela causava em sua mente e corpo. Ele sabia que resistir era necessário, mas a lembrança da última conversa, o perfume dela, o calor que parecia emanar de sua pele e a forma provocante com que o corpo se movia permaneciam vivos em sua memória. Cada gesto, cada sorriso, cada olhar, era uma armadilha cuidadosamente construída para desestabilizar sua fé. — Padre… — a voz dela surgiu de repente, baixa, sedutora, ecoando pelos corredores da igreja —, sabe qu

