Quem é você?

799 Palavras
Júlio limpa a sujeira e depois vai no meu escritório tenho um assunto para tratar com você. _. Sim, senhora, fiz alguma coisa errada, senhora? _ Júlio é só uma conversa. Bom, dei uma conferida em minha roupa e nem me sujei, esperarei o Júlio no escritório e falarei com ele sobre minha filha. Cheguei na sala e meu Consiglieri está me esperando, eu deveria ter trocado, ele é muito fiel aos homens da máfia, mas vi nele uma pessoa conhecida, agora ele e a esposa me tiram o sossego. _ Boa noite, Raffaele o que te traz aqui? _ Fiquei sabendo que você tem um hóspede na suíte. _ Já não tenho mais, se era esse o assunto que te trouxe aqui, pode ir embora, eu preciso descansar. _ Você está arriscando que descubram todos nós com essa sua obsessão em descobrir quem assassinou seu marido, aliás em não acreditar nos homens que você está interrogando. _ Eles estão mentindo para mim a mando de alguém e eu ainda descobrirei quem é, você pode ter certeza disso. _ Você é muito teimosa, eles te disseram que foi o Tommazo porque você não acredita? _ Porque é o único que está morto, como ele conseguiu armar uma armadilha para meu marido sozinho, falta uma peça nessa história e eu ainda descobrirei. Agora se me dá licença, quero descansar, você conhece a saída. Porque será que ele quer tanto que eu acredite na mentira que estão me contando, será que ele tem alguma coisa a ver com a morte do Salvatore, será que estou procurando longe e ele está aqui perto de mim? Será que você é meu inimigo Raffaele? Estava tentando alinhar meus pensamentos e Júlio chegou e me chamou. _ Oi, Júlio, vamos ao escritório. _ Senhora o que eu fiz? _ O que você sente pela minha filha? _ Muito respeito, senhora. _ Júlio eu não sou i****a, você e minha filha tem um rolo, como vocês dizem hoje, e eu quero saber se é sério ou não. _ Senhora, amo sua filha, mas ela só quer sexo comigo, então acho que não é sério. _ Entendi, pressione ela, que farei o mesmo, quero vocês casados até o final do ano. _. Mas senhora faltam três meses. _ Se vira Júlio, senão vou me meter e você terá que aguentar uma mulher muito brava porque foi obrigada a casar com você. _ Resolverei senhora, pode deixar. _ Descansemos agora, boa noite, Júlio. _ Boa noite, senhora. O resto da semana se passou normal, hoje é dia de eu ir à igreja, mas acho que não dará, Angela amanheceu aqui em casa, ela está me tirando do sério, tenho que arrumar um jeito de me livrar dela. _ Angela você não tem nada para fazer em sua casa? _ Gosto de ficar aqui com você, minha cunhada querida. _ Quero que você volte a ser a pessoa que você era antes de seu irmão falecer, eu estou sentindo minha vida invadida por você. _ Está me tocando embora? Esta casa também era do meu irmão. _ Então é isso, você quer dinheiro? Não terá, a herança do seu irmão é de meus filhos, pode voltar a sua insignificante vida. _ Você vai se arrepender Nineta, eu era sua única amiga. Angela saiu batendo a porta e eu saí pelo outro lado, hoje é dia do coral infantil ensaiar e eu adoro escutá-los. Cheguei na igreja e já ouvi o coral lá da rua, como parecem anjos. Adoro ouvir as crianças cantando, me dá paz, a paz que não tenho em casa. Entrei e sentei em meu lugar vi o padre, mas hoje ele está estranho, nem veio falar comigo, o que será que está errado? Fiquei ali ouvindo as crianças cantarem e nem percebi que sentou alguém ao meu lado, quando olhei tinha um homem, com uma batina verde diferente da que o pároco usa, sentado ao meu lado, não parecia um padre porque se for as paroquianas vão ter problemas com a fé. Moreno, alto, com uma barba bem cortada, muito gostoso. Sou viúva e não estou morta. Ele está tão envolvido com as crianças que nem parece perceber que estou olhando para ele. Rege como se fosse o maestro. E vou te dizer que mãos são essas. Na mão direita, a que vejo com perfeição, há um lobo uivando para a lua, com pelos pretos e azuis. Parece uma tatuagem tribal. Talvez um ex-presidiário ainda não defini, o que será que ele faz na minha igreja? Quando o coral parou ele virou para meu lado sorrindo, fiquei ali babando nas feições perfeitas daquele desconhecido, eu deveria sair porque não costumo conversar com estranhos, mas ele me atrai de uma tal maneira, que respondo ao sorriso dele.
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