_ E eu sou esse erro? E Júlio agora é seu Consigliere. Ele só não é sua sombra, mas te garanto que está sempre à sua disposição.
_ Você é minha fraqueza, então sim você pode ser meu maior erro, mas mandarei parar, tá bom assim? E você tem razão sobre o Júlio, só não me acostumei a ter que chamá-lo para poder falar com ele.
_ Contratei 10 meninas hoje, 3 vão morar na boate, acho que lá eu não sou um erro.
_ Eu sabia que você não ia me entender, nem sei por que tentei conversar!
Fui saindo, Carlos me puxou de volta, me abraçou.
_Calma, mulher, só te falei o que eu estava pensando, não reage assim a cada palavra que eu disser.
_ Não dará certo, deixa para lá, eu sou o que sou e pronto, foi isso que me manteve viva até agora.
_Vai ter que aprender a confiar, e a sentir as pessoas antes de reagir. Sei que ser rainha é difícil, mas você pode ser uma das mulheres mais conhecidas da história, é só aprender a escutar, você age assim porque tem medo de parecer fraca.
_ Sim, você tem razão! Tenho medo de parecer fraca e perder tudo o que conquistei até agora, você não entende nem é para mim, é o lugar do meu filho que eu protejo.
_ Começaremos? A partir de hoje, você não mandará em mim, você pedirá.
_ Você quer que eu peça, mas eu peço!
_ Não! Você manda. “Vai para a boate”. “Quero você aqui para o almoço”.
“Não olhe para as vadias”. “Quero você no quarto agora”.
_ Nossa, falando assim, pareço uma tirana.
_ E você é! Mas não acho que seja sua essência, quando você está comigo e tranquila, você é outra pessoa, é esta pessoa que temos que trazer para fora.
_ Não sei se consigo.
_ Vou te ajudar, tenta se controlar e não me matar no processo, tá bom?
_ Como assim? O que você fará?
_ Serei eu mesmo, não obedecerei às suas ordens, e você terá que parar e escutar o que tenho a te dizer.
_ Tudo bem, tentemos. Tenho que te contar uma coisa.
“Carlos”
Vejamos se ela consegue ou se vai me dar uma ordem.
_ Agora eu não posso te ouvir, preciso ir ao banheiro.
_ Carlos!
_ O quê? Você não pode esperar um pouco?
“Nineta”
Já senti que terei uma grande dor de cabeça, ele vai me desobedecer a cada palavra dita só para testar meu limite, tudo bem! Darei conta.
_ Tudo bem, te espero aqui.
_ Viu só, você consegue! Espera, que eu já voltarei para você.
“Carlos”
Isso é um jogo perigoso, mas ela quer mudar e eu ajudarei. Sei que ela pode ser uma líder maravilhosa, se aprender a enxergar as pessoas. Deixa eu voltar lá antes que Nineta perca a paciência.
_ Pronto, voltei. O que você queria me dizer?
_ Matheus pegou o menino que vazava as informações da casa e eu conversei com ele, coloquei ele na suíte três para se recuperar da surra.
_ Você conversou com o menino?
_. Sim, conversei e foi ele quem me disse que serei a destruição da família porque não escuto ninguém.
_ Já foi uma evolução, e como Matheus encarou sua mudança?
_ Não muito bem, mas vai me obedecer.
Puxei-a para meus braços, ia beijá-la, o celular tocou, eu não parei, mas ela pediu.
_ Carlos, eu preciso atender o celular, por favor me solte.
Dei um sorriso e soltei, ela vai conseguir, vi Nineta ir até o celular atender e voltar a ser a mafiosa c***l.
_ Prenda-a na suíte master que eu já estou descendo.
Foi em direção ao closet sem nem olhar para mim, preciso perguntar.
_ O que aconteceu? Quem está na suíte?
_ Não é assunto seu, fique fora.
_ Nineta!
Fechei meus olhos e sei que comecei a dar ordens de novo, respirei fundo e tenho que confiar em meu homem.
_ Os homens que Matheus mandou vigiar a casa de Ângela pegaram-na.
_ Porque será que ela voltou?
_ Talvez ficou sem dinheiro e achou que tinha como pegar alguma peça de valor da casa para vender, não sei!
_ Lembre-se, precisa escutar, talvez Ângela saiba coisas que você não sabe.
_ Ângela se virou contra mim, tentou me matar e você quer que eu escute ela?
_ Quem tentou te matar foi o marido dela, eu só vi Ângela fugindo até agora.
_ Acho que deixar você falar foi um erro, você está colocando dúvidas onde eu tinha certezas.
_ Talvez suas certezas estejam erradas, pense nisso quando falar com sua cunhada.
_ Tudo bem, já que você é tão bom de conversa, se troca que descerá comigo.
_ Não é assim que você deve falar comigo, se não falar direito, não sairei daqui.
_ Carlos, agora não dá.
_ Então não vou.
Vi Nineta fechar as mãos em punho, fiquei preparado para tomar um soco que não veio.
_ Carlos, vamos comigo lá no galpão conversar com a Ângela?
_ Claro, minha rainha, você me pedindo meiga, desse jeito vou até o inferno.
_ Não abusa, eu continuo tentando me controlar.
_ Também te amo.
Dei um beijo na bochecha dela, enfiei um moletom e uma camiseta e desci com ela, para conhecer a tal da Ângela.