Capítulo 6
Ponto de vista de Louis
Recolhi os pequenos pedaços de mim mesmo e arrumei tudo o que havia destruído por causa da raiva.
Eu precisava deixar Bryan orgulhoso.
Aquilo estava começando a parecer uma nova obsessão.
Mas eu não me importava.
Eu morreria de qualquer maneira.
Peguei a prova e encarei o número escrito bem no meio da folha.
30.
Aquilo parecia zombar de mim.
Amassei o papel e joguei no lixo.
Então peguei meu diário.
Querido diário,
Aqui é o Louis.
Bryan me deu uma prova e eu fui reprovado. Ele olhou para mim com decepção.
Mas não vou deixar isso me derrubar.
Vou estudar até deixá-lo de queixo caído.
Sorri fracamente.
E fui a uma festa com Blaine. Na verdade, foi divertido.
A manhã seguinte, porém, não foi nem um pouco.
Eu estava de ressaca e, durante a prova do Bryan, minha mão tremia tanto que m*l conseguia segurar o lápis.
Mas os sangramentos estão piorando.
As dores de cabeça também.
O Dr. Reeves me avisou que eu deveria descansar e evitar estresse, mas Bryan não quer ouvir desculpas.
Então vou estudar.
Vou estudar até tarde da noite, se for preciso.
Eu amo a mim mesmo.
Fechei o diário.
Então abri meu livro escolar.
As letras ficaram borradas diante dos meus olhos.
Pisquei várias vezes.
Nada mudou.
Esfreguei os olhos e tentei novamente.
Ainda não conseguia enxergar direito.
Forcei-me a lembrar das aulas de Bryan.
Sua voz.
Suas explicações.
As coisas que eu deveria ter prestado atenção em vez de ignorar.
Agarrei a borda do livro.
Não me importo se vou sangrar para sempre.
Vou passar nessa prova.
Comecei a ler.
Devagar.
A dor começou a se espalhar pela minha cabeça.
No início, era apenas uma dor surda.
Então ficou mais intensa.
A voz do médico ecoou na minha cabeça.
Descanse o suficiente. Não se submeta a estresse.
Esfreguei os olhos.
— Só mais um pouco.
Continuei.
— Oi, bebê.
A voz da mamãe veio da porta.
Não levantei os olhos.
— Eu sei que você está bravo com o Bryan, mas você deveria ter estudado antes de ir àquela festa.
Sua voz era suave, mas havia um leve tom de repreensão.
Continuei encarando o livro.
Mamãe ficou parada ali por um momento.
Então suspirou.
— Tudo bem.
Ouvi seus passos se afastarem.
Alguns segundos depois—
Tum.
Algo caiu ao lado da minha porta.
Olhei para baixo.
Lanches.
Apesar de tudo, sorri.
— Coma alguma coisa enquanto estuda — gritou mamãe do corredor.
Não respondi.
Mas peguei os lanches.
---
Horas se passaram.
O quarto ficou cada vez mais escuro.
Meus olhos ardiam.
Minha cabeça latejava.
Continuei lendo.
Então a dor explodiu de repente.
Puxei o ar.
Minha mão começou a tremer descontroladamente.
O lápis escorregou dos meus dedos.
Meu corpo inteiro começou a estremecer.
— Não...
Tentei me levantar.
Minhas pernas cederam.
Caí no chão.
Fiquei ali deitado, lutando para respirar apesar da dor.
Meus remédios.
Eu precisava dos meus remédios.
Arrastei-me até a mesa de cabeceira e procurei por eles.
Nada.
Então me lembrei.
O banheiro.
Claro.
Eu havia deixado os remédios lá.
Fechei os olhos e esperei a dor diminuir.
Por um momento, um pensamento terrível passou pela minha cabeça.
E se eu morrer aqui?
Ninguém saberia.
Ninguém me encontraria antes que fosse tarde demais.
Esse pensamento me assustou mais do que a própria dor.
Forcei-me a levantar.
Meu corpo protestava a cada movimento.
Arrastei-me até a escrivaninha e peguei o livro escolar.
Fiquei encarando a página.
Então sussurrei:
— Isso não vai me impedir.
Engoli em seco.
— Eu prometi que deixaria ele orgulhoso.
Então continuei.
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Bip. Bip. Bip.
Meu despertador me arrancou do sono.
Pisquei.
Já era de manhã?
Levantei-me usando a parede como apoio.
Minhas pernas pareciam fracas enquanto eu caminhava mancando até o banheiro.
Então olhei no espelho.
Congelei.
Meu rosto estava assustadoramente pálido.
As olheiras estavam ainda mais profundas.
Eu parecia mais magro.
Quase frágil.
Meus ossos estavam mais visíveis sob a pele.
Fiquei olhando para mim mesmo.
— Isso está ficando sério.
Com as mãos trêmulas, peguei meus remédios e engoli os comprimidos com água.
Então joguei água no rosto.
Olhei novamente para o espelho.
Preciso de corretivo.
Com certeza.
Se eu fosse para a escola daquele jeito, todo mundo perceberia que havia algo errado.
Voltei para o quarto.
O pequeno trajeto pareceu uma maratona.
Joguei-me na cama.
O sol já estava nascendo.
Eu havia passado a noite inteira acordado.
Fechei os olhos.
Pela primeira vez, eu não queria nada além de dormir.
Nunca havia me sentido tão cansado.
Então outro pensamento surgiu.
E se eu tivesse morrido na noite passada?
Meus olhos se abriram.
Ninguém teria sabido.
Minha garganta apertou.
Eu estou realmente tão doente assim?
Fiquei encarando o teto.
— Louis!
A voz da mamãe veio do lado de fora.
— Louis, você está acordado?
Não respondi.
Ela esperou.
— Então vou deixar você dormir.
Seus passos se afastaram lentamente.
Virei o rosto para a parede.
As lágrimas vieram silenciosamente.
Minha respiração ficou mais rápida.
Coloquei uma mão sobre o peito.
— Respira.
Inspirei lentamente.
Depois expirei.
De novo.
E de novo.
Em algum momento, o cansaço venceu.
Adormeci.
---
— Louis! Louis! Louis!
A voz de Jade me arrancou do sono.
Gemi.
Ele estava ao lado da minha cama, inclinado sobre mim.
— Você está muito pálido.
Ele sorriu.
— Está tudo bem?
Esfreguei os olhos.
— Estou bem.
— Estou vendo que o Bryan está acabando com você.
Ele riu.
— Diz para ele que você está cansado. Assim ele te dá mais tempo.
Sentei-me.
Então percebi algo.
Uma mancha escura no meu livro escolar.
Sangue.
Limpei rapidamente.
Tarde demais.
Jade tinha visto.
— Meu Deus!
Ele segurou meu braço.
— Você está sangrando!
— Eu...
— Vou chamar a mamãe.
— Não!
Segurei sua mão.
— Não faça isso.
Ele me encarou.
— É só porque fiquei acordado até tarde. Nada mais.
Forcei um sorriso.
— Estou bem.
Jade não parecia convencido.
— Promete uma coisa para mim.
Sua voz ficou mais suave.
— Aconteça o que acontecer, me conte.
Olhei para ele.
— Você sabe que pode confiar qualquer coisa a mim.
Ele sorriu tristemente.
— Talvez eu seja irritante e nem sempre perceba quando alguma coisa está errada, mas...
Ele apertou minha mão.
— Eu sempre estarei aqui para fazer você feliz.
Meu peito apertou.
Desviei o olhar.
— Obrigado, Jade.
Ele me levou até o banheiro.
— Vou esperar aqui.
Ele tentou entrar comigo.
Eu congelei.
Os remédios ainda estavam sobre o armário.
Se ele os visse, faria perguntas.
— Espera aqui.
Empurrei-o gentilmente para fora.
— Já volto.
Ele abriu a boca para protestar.
Então suspirou.
— Tudo bem.
Ele foi buscar algumas roupas para mim.
Assim que saiu do meu campo de visão, peguei meus remédios e tomei dois comprimidos.
Escondi o restante.
Jade provavelmente voltaria para verificar se eu estava bem.
Lavei o rosto e limpei os vestígios de sangue.
Quando saí, Jade já estava segurando algumas roupas.
— Irmão, você demorou bastante.
Ele me entregou as roupas.
— Enfim, vou sair um pouco para você poder se trocar.
Ele saiu correndo do quarto.
Fiquei olhando para ele.
Então peguei meu diário.
Hora de escrever.
Abri uma página nova.
Querido diário,
Aqui estou eu novamente.
Estou tentando colocar meu coração dentro de você porque você é o único que me escuta sem fazer perguntas.
Eu fui reprovado na prova do Bryan.
Mas agora estou preparado.
Vou passar na próxima.
Mamãe ficou preocupada quando veio me ver.
Jade também me viu sangrando.
Acho que deveria começar a trancar minha porta.
Parei.
Então sorri fracamente.
Espero que a escola seja divertida hoje.
Não restam muitos dias.
Fiquei olhando para o número.
87 dias.
Meus dedos apertaram o lápis com mais força.
Eu queria que Bryan olhasse para mim algum dia e sentisse orgulho de mim.
Rapidamente, enxuguei as lágrimas que haviam escapado.
Então fechei meu diário.
Outro dia estava esperando por mim.
E eu ainda estava aqui.
Por enquanto.