A noite passou sem que Helena conseguisse pregar os olhos. A conversa com Jose ecoava em sua mente, misturando-se com as lembranças recentes: o corpo jogado no chão, o olhar furioso de Chacal, o café com Heitor. Era como se sua vida estivesse em uma corda bamba, prestes a desabar a qualquer momento. Quando o primeiro raio de sol atravessou as cortinas da sala, ela decidiu que precisava sair. Precisava de ar. Vestiu uma roupa confortável, prendeu o cabelo e foi caminhar. Dessa vez, não seguiu para a orla. O som do mar a fazia lembrar da conversa com Heitor, e naquele momento ela queria distância de tudo que a conectasse à sua antiga vida. Subiu o morro sem um destino certo, os primeiros comércios começando a abrir as portas, crianças correndo descalças pelas vielas. O cheiro de pão fresco

